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Vale a pena? - 08/02/2026, 07:55 - Gabriel Freitas

Dá pra alugar uma casa perto dos circuitos do Carnaval? Saiba como é

Para evitar transtornos na hora de voltar pra casa, muita gente recorre ao aluguel de temporada

O Carnaval batendo na porta e com a folia também chegam algumas preocupações, principalmente para os soteropolitanos que moram longe dos circuitos oficiais da festa: aquela volta para casa humilhante, 'buzu' lotado ou carro por aplicativo superfaturado, além dos riscos da madrugada. É assim que surgem aqueles foliões mais ousados que pensam em alugar um imóvel nas regiões mais próximas da "agonia".

Mas a busca por um apê ou uma casinha dentro ou perto dos circuitos Dodô (Barra-Ondina) e Osmar (Campo Grande), ou até mesmo do Batatinha (Pelourinho), é coisa de turista que vem desbravar terras baianas ou também está ao alcance dos soteropolitanos? É possível um CLT custear esse 'luxo' a mais?

Para tirar todas as dúvidas, o MASSA! foi procurar saber todos os detalhes: de quanto custa a "regalia" até qual é o real tamanho da demanda.

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Até deu vontade, mas...

Amante da maior festa de rua do mundo desde criancinha, o auxiliar administrativo Rainer Lima, morador de Pernambués, juntou um grupo de amigos para tentar alugar uma casal por perto do circuito Dodô, com o objetivo de ajudar na logística e ter um conforto maior no momento da curtição.

"No Carnaval de 2025, eu e três amigos decidimos passar a festa juntos, e queríamos um lugar próximo ao circuito. No ano anterior, a logística para voltar para casa após os eventos foi bastante complicada. Era necessário utilizar o metrô, os ônibus gratuitos ou pagar os ônibus expressos, que nos deixavam em estacionamentos próximos às estações. Contudo, devido à distância de nossas residências, essa última opção nem sempre era vantajosa", iniciou.

"Foi assim que a gente decidiu alugar uma casa próxima ao circuito. Nossa preferência era a região da Barra, ali pela Ondina. Procuramos algumas opções nos arredores, incluindo a Graça e a própria Barra", contou Rainer, que se juntou aMarco, Gabriel e Everton na busca.

Aspas

Tínhamos como meta algo em torno de R$ 5 mil a R$ 6 mil, cientes de que dificilmente encontraríamos algo muito abaixo desse valor.

Rainer Lima
Rainer, o mais à direita, e os amigos
Rainer, o mais à direita, e os amigos | Foto: Arquivo Pessoal

Juntar os parceiros para folia

Além de soltar a moeda para casa, o desafio ainda era ter grana para bancar o rango e a cachaça durante o período. Por isso, a "maior dificuldade foi encontrar uma casa que se encaixasse em nosso orçamento", destacou Rainer.

"Os apartamentos mais acessíveis, por volta de R$ 6 mil, geralmente não nos agradavam tanto, pois desejávamos um espaço maior e mais confortável. As opções mais baratas, frequentemente, ofereciam apenas dois quartos e duas camas, o que não era totalmente viável para nós. Optar por uma opção mais cara, como R$ 9 mil, para cinco noites, estava fora de cogitação", detalhou.

Muita gente aproveita esse período para lucrar com as posições privilegiadas de suas casas
Muita gente aproveita esse período para lucrar com as posições privilegiadas de suas casas | Foto: Denisse Salazar / AG A TARDE

Demanda existe

O corretor de imóveis Antonio Viana, contou que a demanda de soteropolitanos interessados em ficar pertinho da folia momesca existe e que é possível curtir o Carnaval hospedado no epicentro da festa.

"Não só turistas procuram imóveis[...], os moradores da capital baiana também têm esse interesse por garantir conforto e segurança para toda sua família. É um mercado em plena expansão e com possibilidades de se concretizar em um curto espaço de tempo", explicou.

Preços variam de acordo com as comodidades oferecidas
Preços variam de acordo com as comodidades oferecidas | Foto: Denisse Salazar / AG A TARDE

Antonio ainda explicou que no momento de buscar a viabilidade do acerto, é importante pensar no custo que tem uma família quando vai curtir o Carnaval, pois há vários perregues que precisam ser vividos, como pegar transporte público cheio, principalmente se mora em um bairro distante do circuito. O profissional destacou que é trocar o dinheiro que seria gasto em um carro para casa e ainda manter o conforto.

"Já alugamos um imóvel para uma família de 20 pessoas, todas foliãs de primeira, a matriarca morava em Brotas e com uma certa idade ia ficar difícil seu deslocamento. A família se reuniu e alugaram um apartamento de ¾ na Barra", contou Antonio ao MASSA!

Antonio Viana, corretor de imóveis
Antonio Viana, corretor de imóveis | Foto: Arquivo Pessoal

E o preço, hein?!

Para colocar os pingos nos is e tirar as dúvidas de quanto custa para ter esse luxozinho, o corretor Antonio explicou que o preço varia entre R$ 3 mil a R$ 30 mil. Os valores vão ter essa variação por tais motivos:

➡️ Tamanho do imóvel;
➡️ Infraestrutura (piscina, academia, quadra, varandão para o circuito);
➡️ Proximidade do circuito;
➡️ Conforto;
➡️ Segurança.

Questionado de existe alguma lei que delimita um valor estipulado, o corretor explicou que os preços cumprem apenas o rito da "oferta e procura". No entanto, segundo ele, a "estrutura de custos, tributação e a Lei do Inquilinato [que limite a locação do imóvel a até 90 dias] exercem influência direta na definição desses valores".

"O carnaval de Salvador é o maior do mundo, e com isso vem toda a oferta de serviços, trabalhos temporários e outras oportunidades que venham a surgir. Os alugueis de temporada são mais uma dessas coisas que vêm decorrente da festa", especulou o corretor ao MASSA!.

Luz no fim do túnel para os amigos

Sempre fora do Carnaval por não curtir tanto, a chegada de Gabriel para o grupo de amigos de Rainer fez com que surgisse uma novidade: a casa do padrasto, que sempre viaja na data por não gostar do Carnaval.

"O padrasto dele tem uma casa na Barra, e, como não costumava passar o carnaval em Salvador, ele disponibilizou o espaço. Ele nos informou que a casa ficava a cerca de 15 minutos do circuito, e que daria para ir andando. No entanto, ao chegarmos, tivemos uma grata surpresa: a casa estava a apenas dois minutos do circuito. Bastava sair do apartamento, virar à esquerda e já estávamos na fila de acesso ao circuito do Morro do Gato. A fila, geralmente, durava apenas dois ou três minutos. A proximidade era tanta que, quando precisávamos de algo, retornávamos à casa, buscávamos e voltávamos ao circuito", concluiu Rainer.

Rainer e os amigos indo curtir o Carnaval de Salvador
Rainer e os amigos indo curtir o Carnaval de Salvador | Foto: Arquivo Pessoal

O grupo acabou se dando bem, gastando pouco e tendo muito mais conforto para "quebrar e amassar" no Carnaval, gastando apenas com a comida, bebida, luz e água, além de curtir todos os dias.

*Sob a supervisão da editora Amanda Souza

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