O Carnaval batendo na porta e com a folia também chegam algumas preocupações, principalmente para os soteropolitanos que moram longe dos circuitos oficiais da festa: aquela volta para casa humilhante, 'buzu' lotado ou carro por aplicativo superfaturado, além dos riscos da madrugada. É assim que surgem aqueles foliões mais ousados que pensam em alugar um imóvel nas regiões mais próximas da "agonia".
Mas a busca por um apê ou uma casinha dentro ou perto dos circuitos Dodô (Barra-Ondina) e Osmar (Campo Grande), ou até mesmo do Batatinha (Pelourinho), é coisa de turista que vem desbravar terras baianas ou também está ao alcance dos soteropolitanos? É possível um CLT custear esse 'luxo' a mais?
Para tirar todas as dúvidas, o MASSA! foi procurar saber todos os detalhes: de quanto custa a "regalia" até qual é o real tamanho da demanda.
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Até deu vontade, mas...
Amante da maior festa de rua do mundo desde criancinha, o auxiliar administrativo Rainer Lima, morador de Pernambués, juntou um grupo de amigos para tentar alugar uma casal por perto do circuito Dodô, com o objetivo de ajudar na logística e ter um conforto maior no momento da curtição.
"No Carnaval de 2025, eu e três amigos decidimos passar a festa juntos, e queríamos um lugar próximo ao circuito. No ano anterior, a logística para voltar para casa após os eventos foi bastante complicada. Era necessário utilizar o metrô, os ônibus gratuitos ou pagar os ônibus expressos, que nos deixavam em estacionamentos próximos às estações. Contudo, devido à distância de nossas residências, essa última opção nem sempre era vantajosa", iniciou.
"Foi assim que a gente decidiu alugar uma casa próxima ao circuito. Nossa preferência era a região da Barra, ali pela Ondina. Procuramos algumas opções nos arredores, incluindo a Graça e a própria Barra", contou Rainer, que se juntou aMarco, Gabriel e Everton na busca.
Tínhamos como meta algo em torno de R$ 5 mil a R$ 6 mil, cientes de que dificilmente encontraríamos algo muito abaixo desse valor.
Rainer Lima

Juntar os parceiros para folia
Além de soltar a moeda para casa, o desafio ainda era ter grana para bancar o rango e a cachaça durante o período. Por isso, a "maior dificuldade foi encontrar uma casa que se encaixasse em nosso orçamento", destacou Rainer.
"Os apartamentos mais acessíveis, por volta de R$ 6 mil, geralmente não nos agradavam tanto, pois desejávamos um espaço maior e mais confortável. As opções mais baratas, frequentemente, ofereciam apenas dois quartos e duas camas, o que não era totalmente viável para nós. Optar por uma opção mais cara, como R$ 9 mil, para cinco noites, estava fora de cogitação", detalhou.

Demanda existe
O corretor de imóveis Antonio Viana, contou que a demanda de soteropolitanos interessados em ficar pertinho da folia momesca existe e que é possível curtir o Carnaval hospedado no epicentro da festa.
"Não só turistas procuram imóveis[...], os moradores da capital baiana também têm esse interesse por garantir conforto e segurança para toda sua família. É um mercado em plena expansão e com possibilidades de se concretizar em um curto espaço de tempo", explicou.

Antonio ainda explicou que no momento de buscar a viabilidade do acerto, é importante pensar no custo que tem uma família quando vai curtir o Carnaval, pois há vários perregues que precisam ser vividos, como pegar transporte público cheio, principalmente se mora em um bairro distante do circuito. O profissional destacou que é trocar o dinheiro que seria gasto em um carro para casa e ainda manter o conforto.
"Já alugamos um imóvel para uma família de 20 pessoas, todas foliãs de primeira, a matriarca morava em Brotas e com uma certa idade ia ficar difícil seu deslocamento. A família se reuniu e alugaram um apartamento de ¾ na Barra", contou Antonio ao MASSA!

E o preço, hein?!
Para colocar os pingos nos is e tirar as dúvidas de quanto custa para ter esse luxozinho, o corretor Antonio explicou que o preço varia entre R$ 3 mil a R$ 30 mil. Os valores vão ter essa variação por tais motivos:
➡️ Tamanho do imóvel;
➡️ Infraestrutura (piscina, academia, quadra, varandão para o circuito);
➡️ Proximidade do circuito;
➡️ Conforto;
➡️ Segurança.
"O carnaval de Salvador é o maior do mundo, e com isso vem toda a oferta de serviços, trabalhos temporários e outras oportunidades que venham a surgir. Os alugueis de temporada são mais uma dessas coisas que vêm decorrente da festa", especulou o corretor ao MASSA!.
Luz no fim do túnel para os amigos
Sempre fora do Carnaval por não curtir tanto, a chegada de Gabriel para o grupo de amigos de Rainer fez com que surgisse uma novidade: a casa do padrasto, que sempre viaja na data por não gostar do Carnaval.
"O padrasto dele tem uma casa na Barra, e, como não costumava passar o carnaval em Salvador, ele disponibilizou o espaço. Ele nos informou que a casa ficava a cerca de 15 minutos do circuito, e que daria para ir andando. No entanto, ao chegarmos, tivemos uma grata surpresa: a casa estava a apenas dois minutos do circuito. Bastava sair do apartamento, virar à esquerda e já estávamos na fila de acesso ao circuito do Morro do Gato. A fila, geralmente, durava apenas dois ou três minutos. A proximidade era tanta que, quando precisávamos de algo, retornávamos à casa, buscávamos e voltávamos ao circuito", concluiu Rainer.

O grupo acabou se dando bem, gastando pouco e tendo muito mais conforto para "quebrar e amassar" no Carnaval, gastando apenas com a comida, bebida, luz e água, além de curtir todos os dias.
*Sob a supervisão da editora Amanda Souza
