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Perigoso? - 11/06/2026, 23:00 - Vinicius Portugal

Rã que muge como boi mobiliza grande operação no Brasil

Rã-touro já foi capturada 11 vezes em Florianópolis e preocupa especialistas por ameaçar espécies nativas

Rã-touro muge que nem um boi
Rã-touro muge que nem um boi |  Foto: Divulgação/PMF

Um animal que faz um som parecido com o mugido de um boi e pode devorar desde peixes até pequenos mamíferos está mobilizando pesquisadores e órgãos ambientais em Florianópolis, capital de Santa Catarina. Trata-se da rã-touro, uma espécie invasora considerada uma ameaça para a fauna nativa.

A preocupação aumentou após a identificação dos primeiros exemplares da espécie na cidade, em outubro de 2025. Desde então, equipes ambientais iniciaram uma força-tarefa para impedir que o anfíbio se espalhe pela região.

Rã gigante e apetite assustador

Originária da América do Norte, a rã-touro chama atenção pelo tamanho avantajado e pelo comportamento predador. Diferentemente de muitas espécies de anfíbios, ela não se alimenta apenas de insetos.

O animal é considerado um predador generalista e pode atacar peixes, outras rãs, lagartos, aves e até pequenos mamíferos. Por causa disso, sua presença em ambientes naturais representa uma ameaça ao equilíbrio dos ecossistemas.

A espécie chegou ao Brasil em 1935 para a produção comercial de carne. Com o passar dos anos, muitos criadouros foram desativados e diversos animais escaparam, formando populações em áreas naturais.

Som que parece mugido de boi

Uma das características mais curiosas da rã-touro é o som emitido pelos machos durante o período reprodutivo.

O canto é tão diferente que lembra o mugido de um boi, o que facilita sua identificação por moradores e especialistas. Justamente por causa desse som marcante, as autoridades estão incentivando a população a ajudar no monitoramento da espécie.

Quem ouvir um barulho semelhante ao de um boi próximo a lagoas, brejos ou áreas alagadas pode estar diante da presença do anfíbio invasor.

Operação já capturou animais

A força-tarefa é coordenada pela Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), além de órgãos ambientais estaduais e federais.

Até o momento, duas operações realizadas no bairro Ratones resultaram na captura de 11 exemplares da rã-touro.

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Os animais recolhidos foram encaminhados para análises laboratoriais. Os pesquisadores investigam a possível presença de vírus e fungos que podem afetar anfíbios e peixes da região.

Risco para a fauna, não para pessoas

Embora a espécie possa carregar patógenos capazes de atingir outros animais silvestres, os órgãos ambientais destacam que não há risco conhecido para seres humanos ou animais domésticos.

A principal preocupação é com os impactos ambientais. Por ser uma espécie invasora, a rã-touro compete por alimento, ocupa habitats e pode reduzir populações de espécies nativas.

Atualmente, o anfíbio está incluído na lista de espécies exóticas invasoras monitoradas em Santa Catarina.

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