
A partir desse mês de julho, começará a ser aplicada no Brasil a "Qdenga", nova vacina contra a dengue que chegou ao mercado. Produzido pelo laboratório japonês Takeda Pharma, o imunizante é o primeiro liberado no país para quem nunca teve contato com o vírus da dengue, mas ele também poderá ser aplicado em quem também já teve a doença. Inicialmente, a vacina estará disponível apenas na rede privada.
De acordo com um comunicado da Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas (ABCVAC), os valores devem variar entre R$ 350,00 e R$ 500,00 para o consumidor, podendo ser diferentes em cada estado do país. A vacina foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março deste ano. A aprovação já permite a incorporação do imunizante ao Sistema Único de Saúde (SUS), mas isso ainda depende de outros processos.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que está acompanhando as pesquisas e as novas tecnologias relacionadas ao imunizante, mas deu a entender que ainda não há previsão para a aplicação do imunizante pelo SUS, o que garantiria o acesso a todos os brasileiros.
“Diante da aprovação do registro sanitário do imunizante pela Anvisa e da aprovação do teto de preço feito pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), o produto deve ser avaliado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que analisa a incorporação de novas tecnologias ao SUS, avaliando aspectos como eficácia, efetividade, segurança e impacto econômico da nova tecnologia com base nas melhores evidências científicas disponíveis”, diz a nota.
A vacina chega ao mercado num momento em que nota-se um aumento dos casos de arboviroses. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em Salvador, entre 2 de janeiro e 17 de junho deste ano (semana epidemiológica 24), verificou-se um aumento de 668% no número de casos suspeitos de dengue em relação ao mesmo período em 2022.
De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (Sesab), a semana epidemiológica 24 apontou a notificação de 30.188 casos prováveis de dengue na Bahia, 6,9% a mais que no mesmo período de 2022. Há cinco óbitos por dengue registrados no estado em 2023.
O infectologista Claudilson Bastos, que coordena o setor de vacinas do Sabin Diagnóstico e Saúde, esclarece algumas dúvidas sobre o imunizante, que poderá ser aplicado em pessoas de 4 a 60 anos de idade. Ele explica qual público não poderá receber a dose.
“Como a vacina é com o vírus vivo atenuado, pessoas imunossuprimidas, com baixa resistência, que fazem uso de corticoide prolongado, gestantes, por exemplo, não podem tomar a vacina”, explica. A aplicação será em duas doses num intervalo de três meses. Claudilson ressalta que ela pode ser tomada por pessoas que já tiveram dengue, mas com uma ressalva: “precisa aguardar um período de seis meses para tomar a dose”.
A principal diferença entre a Qdenga e a Dengyaxia, primeira a receber o registro no Brasil, é a eficácia. “Essa [Qdenga] é mais eficaz. A posologia também é diferente, já que são só duas doses e a outra tem mais. Essas vantagens permitem melhores resultados”, garante.