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Pensando na criançada - 08/12/2022, 07:22 - Everton Santos

Unicef lança estratégia de vacinação infantil

Objetivo é ajudar municípios a ampliar cobertura vacinal de crianças

Vacinação infantil está sendo incentivada pela Unicef
Vacinação infantil está sendo incentivada pela Unicef |  Foto: Marcos Lopes/MS

Por Mariana Brasil*

A Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) lançou ontem a estratégia Busca Ativa Vacinal (BAV), com o objetivo de ajudar municípios do norte e nordeste, regiões com a menor cobertura vacinal infantil do Brasil, a encontrar crianças menores de 5 anos que não foram vacinadas ou que estão com vacinação atrasada.

A ação traz medidas como encaminhamento a serviços de saúde locais, monitoramento da cobertura vacinal, além de acompanhar a situação vacinal do público-alvo, identificando e respondendo a vulnerabilidades que estão levando as crianças a não serem vacinadas.

“Há um esforço muito grande de Salvador e dos outros municípios baianos para que essas coberturas nacionais melhorem”, observa Francisca Andrade, especialista em Saúde do UNICEF no Brasil. “Para a cobertura vacinal ir bem, a gente depende da oferta das vacinas e da procura das vacinas pelas famílias”, afirma.

A prioridade da Busca Ativa Vacinal são os municípios do interior. Na Bahia, há um foco especial nas cidades da região do semiárido. Dos 2.300 municípios contemplados nas duas regiões do País, há 235 municípios baianos já cadastrados na plataforma do Selo Unicef, iniciativa com o objetivo de estimular e reconhecer avanços na promoção e garantia dos direitos de crianças e adolescentes em municípios do semiárido e da Amazônia Legal brasileira.

“Nós criamos uma plataforma virtual onde a gente vai cadastrar várias pessoas da equipe do município. A diferença é que não são só pessoas da saúde, são pessoas da saúde, educação e da assistência”, detalha.

O site possibilita o monitoramento da vacinação das crianças pelos agentes de saúde, informando a situação vacinal da criança à equipe da sala de vacina mais próxima dela. A plataforma também traz as possibilidades de lembretes aos pais e às escolas.

De acordo com Francisca, a ação nas capitais ainda vai ser desenvolvida, priorizando, inicialmente, os demais municípios, mas que já existe contato com Salvador.

Falta de engajamento

“Nós temos uma parceria com a Prefeitura de Salvador para implementar pelo menos duas grandes iniciativas. Uma é a Agenda Cidade Unicef, que é mais concentrada em Valéria, Subúrbio, e a Unidade Amiga da Primeira Infância, onde a gente trabalha mais com Serviços de Saúde e até com centros de educação infantil”, explica.
Em Salvador, a vacinação infantil também vem enfrentando dificuldades, conforme observado pelos últimos dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde. Durante as campanhas de vacinação realizadas em junho deste ano, 288 mil pessoas não se vacinaram contra o sarampo.
Foram aplicadas somente 237 mil doses contra a gripe (26% do público-alvo alcançado) e 63 mil contra o sarampo (37%). Mais de 673 mil pessoas deixaram de se vacinar contra influenza, e apenas pouco mais de 150 mil crianças foram imunizadas contra a pólio.

Dentre as estratégias para combater o baixo número de vacinações, a BAV propõe a oferta de vacinas também aos finais de semana.

“Os pais trabalhadores e as famílias mais vulneráveis, a não ser quando os pais estão desempregados ou um deles não está trabalhando, só têm tempo de ir à noite ou no final de semana. Então grande parte do nosso trabalho é de discutir com os gestores essa forma de melhorar a oferta, vacinas na hora do almoço, não ter restrição de dias”.

Em 2021, a Bahia também apresentou índices baixos nas coberturas das principais vacinas do calendário infantil, como a da tríplice viral (sarampo, caxumba, rubéola), com 62%, BCG, 59%, hepatite B, 61%, pneumocócica, 63%, rotavírus, 60%, pólio, 60% e pentavalente, 61%.

Contra a Covid-19 no estado, do público-alvo de 6 meses a 2 anos (488.967 crianças), há somente 0,16% das doses aplicadas. Do público-alvo de 3 a 4 anos (410.459 crianças), há somente 6,58% das doses aplicadas (93,42% do público sem vacinar).

Em Salvador, do público de 3 a 4 anos, 14.620 crianças tomaram a primeira dose e 6.293 tomaram a segunda. Na faixa-etária de 5 a 11 anos, os números sobem para 170.648 com a 1ª dose e 108.983 com a segunda.

Francisca aponta que o aumento da oferta precisa ser acompanhado do engajamento da população, já que há imunizantes cuja validade é bastante restrita.
“Algumas vacinas, que vem em frascos de 20 doses, se você abrir o frasco, tem que aplicar a vacina nas próximas horas. Então é uma preocupação do gestor, abrir um frasco e não vir a clientela”, explica. A especialista reforça ainda a necessidade das famílias se manterem atentas ao calendário vacinal das crianças.

*Sob a supervisão do jornalista Luiz Lasserre

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