24º Salvador, Bahia
previsao diaria
WHATSAPP
Receba notícias no WhatsApp Entre no grupo do MASSA!
Home / Viver Bem

Saúde em primeiro lugar -

Postos de Salvador auxiliam no tratamento a hanseníase

Entre os dias 16 a 27 de janeiro, o município também irá realizar a capacitação teórica dos profissionais de saúde

Maria Laura S. de Souza
Maria Laura S. de Souza
Cerca de 121 postos da capital auxiliam no tratamento
Cerca de 121 postos da capital auxiliam no tratamento |  Foto: Reprodução

A Campanha Janeiro Roxo de combate a prevenção da Hanseníase, trouxe a Salvador atendimento especializado para a doença nos postos de saúde. A iniciativa é do Programa Municipal de Controle de Hanseníase, da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), e está disponibilizando o tratamento da doença em 121 pontos na capital, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

Entre os dias 16 a 27 de janeiro, o município também irá realizar a capacitação teórica dos profissionais das unidades de saúde. Serão estudadas as fases da doença, acompanhamentos e exames complementares para o diagnóstico, além da utilização do teste rápido.

A ação da SMS também celebra o Dia Mundial Contra a Hanseníase e o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase, que acontecem no próximo dia 30. Estão disponíveis no atendimento, equipes multidisciplinares e capacitadas para lidar com pacientes com suspeita ou acometidos pela doença.

Segundo a Dra. Petrusca Pirajá, dermatologista, a hanseníase é uma doença infectocontagiosa provocada pela bactéria Mycobacterium lepra. “A transmissão ocorre através do contato íntimo e prolongado e por meio de secreções nasais e gotículas de saliva contaminadas”, explica. Segundo ela, a doença pode permanecer silenciosa por anos até passar por um período de incubação, que leva de 2 a 5 anos até os primeiros sintomas.

Petrusca também explica que a hanseníase afeta principalmente a pele e nervos, levando ao surgimento de manchas claras ou avermelhadas na pele, que apresentam redução ou perda completa de sensibilidade. “Pode apresentar redução de sensibilidade térmica (não consegue distinguir se o objeto está quente ou frio) e perda de sensibilidade dolorosa e tátil (não sente dor no local ou o toque)”, aclara.

A dermatologista alerta que se não diagnosticada e tratada precocemente, a doença pode causar perda permanente de sensibilidade e deformidades em mãos e pés, acarretando sequelas irreversíveis. “O tratamento é gratuito e fornecido pelo SUS, através de antibióticos usados por 6 meses a 1 ano, com cura completa após esse período”, afirma. Assim que o paciente inicia o tratamento, ele deixa de transmitir a doença.

Decio Martins, secretário da SMS, relata que no período de 2011 a 2021, Salvador registrou 3.070 novos casos de hanseníase na população geral. “Temos um cenário no qual não há dúvidas que o acolhimento e o tratamento na rede municipal é de suma importância”, ressalta.

Ele comenta ainda sobre o suporte público para o tratamento da doença. “Temos uma estrutura consolidada, e um campo técnico específico, que é referência nacional para cuidar dessa temática”, declara. O médico clínico Afonso Roberto, alerta que cerca de 6% dos casos de Salvador ocorrem em pessoas menores de 15 anos. “Isso é preocupante, porque significa que há alguém em casa portador da doença e que ainda não foi diagnosticado”, disse.

Daniela Bezerra descobriu que estava com hanseníase em 2018 através do sistema público de saúde. Ela relata que o diagnóstico precoce ajudou no tratamento da doença. “Não precisei ficar em quarentena porque descobri em fase inicial, já comecei com dose de ataque”, afirma.

A pesar do tratamento tranquilo, ela teve algumas complicações no percurso que a fizeram fazer fisioterapia. Ela também conta que a doença afetou sua autoestima. “Precisei fazer uso de corticoide em dose alta. No meio do processo não me aceitar por conta do peso, eu não saia de casa a não ser para o trabalho, porque fiquei deformada em consequência do remédio”, relata. “Iniciar o tratamento no início, porém, não me deixou com nenhuma sequela”, conclui.

exclamção leia também