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Esse não é da paz! - 11/11/2022, 06:05 - Louise Batista - Atualizado em 11/11/2022, 21:54

Gurizada se arrisca com a moda de "fumar cotonete"

Depois do "desafio do desodorante" agora a moda é "fumar cotonete"

A tendência que viralizou na Europa e já chegou ao Brasil, leva crianças e adolescentes a utilizar o instrumento de higiene pessoal como substituto para os entorpecentes.
A tendência que viralizou na Europa e já chegou ao Brasil, leva crianças e adolescentes a utilizar o instrumento de higiene pessoal como substituto para os entorpecentes. |  Foto: Paulo Francis- CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

Por Maria Laura S. de Souza*

Fumar cotonete. Essa é a nova moda da rede social TikTok. Mas o que parece divertido nos vídeos pode ser extremamente prejudicial à saúde. Especialistas apontam que a fumaça tóxica nos pulmões afeta a corrente sanguínea e consequentemente outros órgãos, podendo provocar até câncer. A exposição dos jovens as redes sociais e influência de “estranhos”, podem ser a causa de desafios arriscados se tornarem tão comuns.

A tendência que viralizou na Europa e já chegou ao Brasil, leva crianças e adolescentes a utilizar o instrumento de higiene pessoal como substituto para os entorpecentes. De valor e fácil acesso, o objeto é comumente utilizado para limpeza dos ouvidos. Os danos causados pelo uso indevido do material ainda não foram avaliados, mas já é de conhecimento dos especialistas os efeitos do plástico e do algodão em combustão.

Segundo o Dr. Álvaro Cruz, pneumologista, fumar cotonetes leva fumaça tóxica para dentro do pulmão, irritando os brônquios e podendo atingir a corrente sanguínea e consequentemente o coração, cérebro e outros órgãos. “Os problemas desta brincadeira perigosa incluem tosse, falta de ar momentânea ou falta de ar recorrente”, avalia. Ele diz ainda que as consequências a longo prazo não foram estudadas, mas se pode avaliar as possibilidades. “Um deles, poderia ser câncer. Os riscos dependem da intensidade e da frequência da prática, que deve ser interrompida imediatamente”, alerta.

“O aparelho respiratório das crianças é mais delicado, uma criança é mais vulnerável à inalação da fumaça. Sua mucosa fica mais inflamada e a inflamação pode evoluir para lesões”, explica.
“O aparelho respiratório das crianças é mais delicado, uma criança é mais vulnerável à inalação da fumaça. Sua mucosa fica mais inflamada e a inflamação pode evoluir para lesões”, explica. | Foto: Nara Gentil/CORREIO

As principais doenças que esse ato pode causar são bronquite e asma. Fumar cotonetes também podem gerar queimaduras e resultar em pneumonia. Segundo o Dr. Álvaro, crianças são mais vulneráveis que adultos e podem conviver com consequências irreversíveis. “O aparelho respiratório das crianças é mais delicado, uma criança é mais vulnerável à inalação da fumaça. Sua mucosa fica mais inflamada e a inflamação pode evoluir para lesões”, explica.

O pneumologista avisa ainda que existe a possibilidade de a fumaça tóxica chegar até o cérebro e provocar confusão mental. “No entanto, é improvável que gere dependência ou vício, porque não dá prazer nem tem substância que induza isso”, revela.

A pedagoga neuroeducadora Rosana Medina revela que esses desafios são comuns entre jovens porque eles ficam expostos ao mundo virtual, sendo mais influenciados por “estranhos” que pelos pais. “Eles precisam se sentir inseridos, e pertencentes as redes sociais, que a cada curtida ou likes que recebem, são disparados neurotransmissores do sistema de recompensa e fazem com que eles acreditem que valeu a pena”, explica.

Para prevenir crianças e adolescentes de realizar o ato, Rosana ressalta que é necessário ampliar o diálogo e mostrar aos filhos casos reais de consequências ruins da ação. “Deixando muito claro que eles já são responsáveis pelo rumo que possam dar a vida deles, e que eles colherão os frutos das suas escolhas em curto, médio e longo prazo”, diz.

Ela alerta que é necessário transferir a responsabilidade das atitudes do jovem para a sua própria vida. “Acham que a “adrenalina” do momento, ficará só ali, muitos não veem perigo futuro, mas há casos em que eles sabem exatamente os riscos que estão correndo, e fazem apenas para se sentir prestigiados”, alerta.

Para a pedagoga, a divulgação da prática não tem possibilidade de parar, por isso é preciso que eles estejam mental e emocionalmente preparados para dizer não. “Ainda que nossos filhos não vejam no seu Feed das redes sociais, eles ficarão sabendo por algum colega, e terão que lidar com isso, de alguma forma”, conclui.

*Sob a supervisão da editora Kenna Martins

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