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Outubro Rosa - 22/10/2022, 07:00 - Mariana Brasil- Atualizado em 22/10/2022, 07:11

Fantasiada, paciente com câncer leva alegria a pacientes e médicos

Gizele Oliveira faz tratamento no CICAN

Fantasiada, a correspondente bancária vai às sessões de tratamento e anima equipe médica e demais pacientes
Fantasiada, a correspondente bancária vai às sessões de tratamento e anima equipe médica e demais pacientes |  Foto: Olga Leiria / Ag. A Tarde

Desde sua segunda sessão de quimioterapia, Gizele Oliveira vai fantasiada para fazer seu tratamento de câncer de mama no CICAN (Centro Estadual de Oncologia da Bahia). De Cleópatra a Cinderela, a correspondente bancária vai às sessões de tratamento e anima equipe médica e demais pacientes. Na sexta-feira (21), a escolha foi por usar um vestido de princesa inteiramente rosa, em homenagem ao mês do combate ao câncer de mama, o Outubro Rosa.

"Foi uma surpresa", diz Gizele sobre a descoberta do câncer em nível 3. "Quando eu entrei e vi todo mundo 'amarelo', sem cabelo e um semblante de tristeza, eu senti um clima pesado”, lembra ela. "A importância de eu vir fantasiada para o hospital é que quebra aquele clima pesado de doença. Quando você entra, todo mundo olha, fica feliz, alegre, sorridente, tira foto". Hoje, Gizele está no fim do tratamento e conta que sempre recebe mensagens de outros pacientes relatando se inspirarem em sua postura.

Mãe de dois filhos, ela conta que a ideia surgiu com o intuito de aliviar a preocupação da família. “Quebrar a tensão do meu marido, dos meus filhos. Sair de casa com um bom ânimo para meu filhos verem que eu estou bem", conta. “Eu acredito que tudo na vida é superável e que a vida continua. Eu não sou menos importante do que o câncer, eu sou muito mais importante, então vamos contra ele", afirma ela.

Sempre interagindo com os outros pacientes, Gizele conta que o tratamento é pesado e que busca aliviar a rotina de quem passa pelo processo assim como ela. "Muitos não acreditam que eu sou paciente porque eu fico assim, fantasiada, alegre, sorridente". Indo pela primeira vez ao CICAN, a paciente Vânia Magalhães logo reparou na figura de rosa circulando pelo hospital. "Eu achei lindo. Estava meio tristinha, vi ela e me animei", conta.

"O efeito de identificação é sempre muito positivo para o paciente”, explica a coordenadora do Serviço de Psicologia do CICAN, Cláudia Alice Oliveira. “Primeiro, ele entende que ele não é o único que está vivendo isso que está acontecendo com ele. Se o outro dá conta, então provavelmente eu também vou dar”.

Casos registrados

No período de 2010 a 2020, foram registrados 20.290 casos de câncer de mama no estado, de acordo com a Sesab. A taxa estimada pelo Instituto Nacional de Câncer para a incidência de câncer de mama em mulheres baianas é de 40,55 casos para cada 100 mil mulheres. Hoje, a Bahia conta com 16 unidades de atendimento em oncologia distribuídas em 10 regiões de saúde.

"Desde a primeira consulta, ela sempre foi uma pessoa muito animada, bem humorada. Eu falava: 'você é um exemplo pra gente e pra todo mundo lá dentro'", lembra a oncologista Haydée Carneiro. A médica acompanha Gizele desde o começo do diagnóstico e observa que o ânimo da paciente foi importante em seu progresso. "Ela já tem um humor muito bom, ela anima todo mundo. E acho que isso ajudou a tolerar todo o tratamento”.

"Em um primeiro momento o paciente tem uma grande paralisação. Depois, à medida que vai se apropriando do tratamento, vai achando mecanismos para lidar com isso", explica Cláudia. A psicóloga sinaliza que, embora essa postura não signifique que o paciente não tenha momentos de tristeza ou ansiedade, o efeito é positivo. “Quando a Gizele vem e mostra que, apesar da doença, eu posso ser feliz, posso estar alegre, dar conta dos meus problemas, ela contamina as pessoas de uma forma muito positiva".

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