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Luz no fim do túnel - 03/04/2024, 06:40 - Da Redação- Atualizado em 03/04/2024, 07:09

Estudo aponta que urina de pessoas com autismo pode ajudar na diagnose

A pesquisa foi realizada por pesquisadores do Instituto Butantan, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde (SES) de São Paulo

A pesquisa foi realizada por pesquisadores do Instituto Butantan, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde (SES) de São Paulo
A pesquisa foi realizada por pesquisadores do Instituto Butantan, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde (SES) de São Paulo |  Foto: Imagem ilustrativa / Freepik

Pesquisadores do Instituto Butantan, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde (SES) de São Paulo, identificaram potenciais biomarcadores em amostras de urina de pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), que podem auxiliar no desenvolvimento de métodos complementares de diagnóstico e acompanhamento da evolução do quadro.

O trabalho foi publicado na revista Biomarkers Journal (https://www.primescholars.com/articles/searching-for-biomarkers-candidates-of-autism-spectrum-disorder-with-metabolic-disorders-evidences-for-a-possible-role-o.pdf) e indicou diferenças na concentração total de proteínas e aminoácidos na urina de indivíduos com autismo e de pessoas sem o transtorno.

O trabalho faz parte do Programa de Pós-Graduação em Ciências da SES-SP e foi desenvolvido pela pesquisadora Dra. Nádia Isaac da Silva. Nele, foram analisadas amostras de 22 crianças diagnosticadas com TEA, com idades entre 3 e 10 anos, e de 22 crianças neurotípicas como grupo controle.

Os testes apontaram alterações nas quantidades dos aminoácidos arginina, glicina, leucina, treonina, ácido aspártico, alanina, histidina e tirosina na urina das crianças com autismo. De acordo com a publicação, os níveis anormais de proteínas e aminoácidos podem estar relacionados a diversos sinais observados em pessoas com TEA.

Pesquisador do Butantan Ivo Lebrun
Pesquisador do Butantan Ivo Lebrun | Foto: José Felipe Batista/Comunicação Butantan

Por exemplo, durante a formação do feto ou no período pós-natal, quando os receptores de neurotransmissores estão em desenvolvimento, o desequilíbrio de aminoácidos pode tornar o cérebro vulnerável à superestimulação. Outra hipótese é que essa desregulação metabólica pode contribuir para a presença de comorbidades, como transtornos gastrointestinais.

Segundo o pesquisador Ivo Lebrun, do Laboratório de Bioquímica e Biofísica do Butantan, o desequilíbrio da microbiota intestinal, que anda lado a lado com o metabolismo, costuma estar presente nos pacientes com autismo, levando a uma inflamação do sistema digestivo. Isso faz com que alguns alimentos, em geral, não sejam muito bem tolerados, como derivados do leite e produtos com glúten.

“O autismo é um espectro de alta complexidade, influenciado por vários fatores. Da mesma forma, o seu acompanhamento deve ser multidisciplinar: terapias comportamentais, psicoterapia e nutrição, por exemplo, são práticas que visam a melhoria e controle do quadro”, diz o pesquisador.

Devido à complexidade do diagnóstico e do tratamento, diversas abordagens têm sido estudadas para ampliar o conhecimento sobre o TEA, como a construção de bancos de dados provenientes de amostras de sangue e de sequenciamento genético. São estudos que permitem descobrir, por exemplo, novos genes associados ao distúrbio e biomarcadores para caracterizá-lo.

Uma das vantagens de trabalhar com biomarcadores na urina é a facilidade da coleta, que pode ser feita em casa pelos próprios pais ou responsáveis – diferente de uma coleta de sangue, que é mais invasiva, exige um profissional especializado e envolve mais dificuldades, especialmente no caso do público infantil.

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