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Cuidado! - 05/06/2026, 08:00 - Vinicius Portugal

Copão com gelo colorido faz mal? Saiba tudo sobre a moda das festas

Produto virou febre por mascarar o gosto do álcool

Gelos de sabor viraram tendência em festas
Gelos de sabor viraram tendência em festas |  Foto: Divulgação/TecSabor

Coloridos, doces e cada vez mais populares nas festas e paredões, os famosos gelos de sabor viraram praticamente item obrigatório nos copões consumidos por jovens em todo o Brasil. Misturados com vodca, uísque, energético e refrigerante, eles prometem deixar a bebida mais refrescante e mais fácil de beber. Mas, por trás do sabor agradável e das embalagens chamativas, é preciso se atentar para os riscos do consumo frequente.

Os gelos viralizaram principalmente nas redes sociais e conquistaram espaço entre os jovens por mascararem o gosto forte do álcool. Com sabores de morango, uva, limão, coco e até chiclete, os produtos são vendidos em mercados, distribuidoras e adegas por preços acessíveis.

Em um mercadinho no bairro Parque Viver, em Feira de Santana, um comerciante, que preferiu não se identificar, revelou que a procura disparou nos últimos meses. “Hoje em dia vende muito. Tem semana que saem cerca de 100 gelos de sabor, fácil. A galera compra bastante para paredão, festa e resenha em casa”, contou o comerciante.

Apesar da febre, o nutricionista Caio Martim explica que é importante evitar exageros e também fugir do chamado “terrorismo nutricional”. “Consumir um produto desse, ocasionalmente, não vai causar um grande problema imediato. Também não dá para tratar como se fosse o pior alimento do mundo. Mas ele não traz nenhum benefício nutricional”, explicou.

Segundo o especialista, os gelos entram na categoria dos ultraprocessados por conta da composição industrial.

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“Ele pode ser considerado ultraprocessado, sim, porque é completamente artificial. A composição normalmente é água, açúcar, xarope com aroma de fruta e corante artificial”, afirmou.

Especialistas apontam que alimentos ultraprocessados costumam ter excesso de açúcar, corantes e aditivos químicos, além de estarem associados ao aumento do risco de obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares quando consumidos em excesso.

O perigo escondido no sabor doce

De acordo com o nutricionista, o maior problema não está apenas no gelo, mas na mistura dele com bebidas alcoólicas. Isso porque o sabor doce reduz a percepção do álcool, fazendo com que a pessoa consuma mais sem perceber.

“Ele mascara o gosto do álcool. A bebida fica mais doce e agradável, então a pessoa acaba consumindo mais rápido e em maior quantidade”, alertou.

O profissional destacou ainda que o consumo frequente pode favorecer o ganho de peso e aumentar os riscos metabólicos. “Como ele tem açúcar e normalmente é misturado com álcool, isso gera ainda mais calorias e facilita o ganho de gordura. Consequentemente, aproxima a pessoa de doenças como diabetes”, explicou.

Nutricionista Caio Martim
Nutricionista Caio Martim | Foto: Arquivo pessoal

Pesquisas científicas relacionam bebidas açucaradas e ultraprocessadas ao aumento do risco de obesidade, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares. Além disso, o especialista chamou atenção para o incentivo indireto ao consumo excessivo de álcool. "Ele acaba incentivando ainda mais essa cultura alcoólica”, completou.

“Fica mais gostoso”

Mesmo com os alertas, os consumidores garantem que os gelos já fazem parte da rotina nas festas. O jovem Samuel Cerqueira, de 22 anos, contou que começou a usar o produto porque deixa a bebida “mais leve”.

“O álcool puro é muito forte. O gelo deixa mais gostoso e refrescante. Hoje, praticamente todo mundo usa nos copões”, disse.

Já William Aquino, de 20 anos, afirma que conheceu a tendência através da internet. “Vi primeiro no TikTok e no Instagram. Depois virou febre entre meus amigos. Tem sabor que combina muito com energético e vodka”, relatou.

Consumo exige equilíbrio

Apesar dos riscos, Caio Martim reforça que o problema está principalmente na frequência e no exagero. “O risco aumenta conforme o consumo se torna frequente. O ideal é equilíbrio. O problema não é consumir uma vez ou outra, mas transformar isso em hábito constante”, concluiu.

Estudos também alertam que o excesso de açúcar presente em bebidas ultraprocessadas pode favorecer resistência à insulina, gordura no fígado e alterações metabólicas ao longo do tempo.

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