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Controle da doença - 04/01/2023, 08:08 - Jane Fernandes

Combate a impactos de variantes da Covid-19 é o novo desafio

A principal expectativa é pela chegada da vacina bivalente, mas o MS ainda não divulgou previsão para entrega

Na Bahia, e em todo o Brasil, a vacinação reduziu significativamente
Na Bahia, e em todo o Brasil, a vacinação reduziu significativamente |  Foto: Canva/Divulgação

Quando 2020 começou, o potencial do coronavírus recém descoberto na China ainda era uma incógnita. Três anos depois, a pandemia de covid-19, doença causada pelo Sars-Cov-2, está sob controle em muitos países, mas sem prazo para acabar. Na Bahia, e em todo o Brasil, a vacinação reduziu significativamente o número de casos e, principalmente, de mortes, mas a infecção ainda traz desafios para o ano que se inicia, especialmente em decorrência do surgimento de variantes.

A principal expectativa é pela chegada da vacina bivalente, mas o Ministério da Saúde (MS) ainda não divulgou uma previsão para a distribuição das 9,6 milhões de doses adquiridas este mês. A coordenadora do Centro de Operações de Emergência da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), Priscila Macedo, explica que o diferencial da bivalente é oferecer proteção mais específica contra a variante ômicron.

“A ômicron tem se mostrado uma variante altamente mais transmissível e que consegue escapar mais facilmente do bloqueio vacinal”, comenta Priscila, contando que a Bahia está passando pela terceira onda de Covid-19 desde a chegada da variante ao estado, em janeiro de 2022. Tomando o começo da pandemia aqui como marco inicial, o momento atual corresponde à quinta onda, marcada por uma alta de casos que levou à retomada de algumas medidas restritivas.

Considerando a quantidade de vacinas bivalentes compradas pelo MS até agora, a coordenadora do Centro prevê a definição de grupos prioritários para receber o imunizante inicialmente, tal como ocorreu na chegada das primeiras vacinas monovalentes no Brasil, em 2021.

Aspas

A gente sabe que vai começar com os grupos mais expostos e os que mais morrem, então será para idosos e profissionais de saúde da linha de frente

Priscila Macedo, coordenadora da Sesab

Para a doutora em imunologia e pesquisadora da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz) Fernanda Grassi, é preciso acelerar esse processo de atualização. “Essa é a preocupação agora, como fazer essa cobertura com essa vacina bivalente, atualizada, já que a variante ômicron se estabilizou e a gente tem várias sublinhagens da ômicron que estão em circulação”, avalia.

O escalonamento será determinado pelo MS, que informou no seu site: “as vacinas vão passar por avaliação e análise do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde e serão distribuídas após divulgação de nota técnica pela pasta, com orientações sobre aplicação e público-alvo”.

Após passar o Natal em quarentena com a família por conta da covid-19, a funcionária pública Miwky Abe, 45 anos, pretende tomar a vacina bivalente assim que o imunizante for disponibilizado. Ela foi a única da casa a ser testada, mas seu companheiro e seu filho também apresentaram sintomas, então ficaram todos isolados.

Desde o início da circulação da ômicron na Bahia, esse é o terceiro teste positivo de Miwky, que percebe ter sofrido uma queda na imunidade nos últimos meses. Segundo conta, apenas esta última infecção gerou sintomas mais intensos, com febre, dor de cabeça e indisposição por três dias. Tanto ela quanto o companheiro estão com o calendário vacinal em dia.

Para o secretário da Saúde de Salvador, Décio Martins, o recebimento das vacinas bivalentes aliado à intensificação da imunização infantil são as principais ferramentas para manter a pandemia sob controle.

Aspas

A experiência tem nos mostrado que os não-vacinados e aqueles que têm apenas o esquema básico são os mais suscetíveis ao agravamento do quadro clínico

Décio Martins, seretário da SMS

Até a semana passada, cerca de 40% do público-alvo de Salvador havia tomado as duas doses de reforço, enquanto os não-vacinados correspondiam a 3% da população adulta elegível, conforme dados da SMS. No mesmo período, o vacinômetro da Sesab apontava que, em torno de, 53% do público-alvo estadual tinha recebido quatro doses da vacina.

Embora a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tenha aprovado recentemente a venda em farmácia de dois antivirais para covid-19, a infectologista Clarissa Ramos reforça que a principal estratégia é a preventiva, efetivada por meio da vacinação. No entanto, se a pessoa contrair a doença, o molnupiravir e o ritonavir (princípios ativos dos medicamentos liberados) podem ser utilizados para reduzir a replicação do vírus.

“Essas medicações devem ser tomadas no início da doença, que é quando o vírus se replica, se passar muito desse estágio, não tem benefício tomar essa medicação. Há benefício até, em média, o quinto dia do início dos sintomas”, explica Clarissa. Ela alerta que os comprimidos citados não são indicados para menores de 18 anos e devem ser prescritos por médicos.

Especialista afirma que é cedo para afirmar declínio

O aumento de novos casos de covid-19 registrado a partir de 14 de novembro do ano passado, levou o governo estadual a restabelecer a obrigatoriedade do uso de máscaras em transportes públicos e diversos estabelecimentos comerciais. O número de infecções confirmadas por dia subiu progressivamente até chegar ao pico de 7.693 em 12 de dezembro, ficando em queda desde então. Ontem, 856 casos foram computados.

Com base nesse cenário, a coordenadora do Centro de Operações de Emergência da Sesab, Priscila Macedo, acredita que o estado esteja perto de finalizar a quinta onda. No entanto, ainda não é possível ter certeza da manutenção desse declínio, sendo necessário aguardar o comportamento da curva de casos após o réveillon.

Com base na tendência atual, Priscila não vê impedimentos para a realização do Carnaval, mas ressalta o dinamismo da pandemia para afirmar que ainda é cedo para cravar uma posição. “A gente precisa observar o que acontece aqui dentro, mas olhar para fora. A gente tem percebido o que acontece na China, que teve uma política de covid zero e depois flexibilizou totalmente”.

O governo chinês suspendeu a publicação de dados oficiais sobre a infecção no país, mas um relatório divulgado pelo site norte-americano Bloomberg News, citando dados da Comissão Nacional de Saúde de China, cerca de 248 milhões de pessoas teriam contraído o vírus nos primeiros 20 dias de dezembro.

“Nessa replicação desenfreada do vírus, ele pode criar novas subvariantes e algumas podem vir com potencial muito mais transmissível e letal”, alerta a coordenadora. Na semana passada, a União Europeia se pronunciou quanto à necessidade de defesa conjunta de fronteiras, e pelo menos os EUA e a França já anunciaram a exigência de testes para viajantes vindos da China.

Doutora em imunologia e pesquisadora da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz), Fernanda Grassi defende a exigência do passaporte vacinal e de testes para a entrada no país. “São medidas fáceis de adotar. Hoje, a gente consegue em 15 minutos o resultado de um autoteste”.

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