
O câncer de pulmão segue sendo um dos grandes desafios da saúde pública, principalmente porque, na maioria das vezes, acaba sendo descoberto quando a doença já está em estágio avançado. Na Bahia, uma iniciativa busca mudar esse cenário e ampliar o diagnóstico precoce entre pessoas que têm maior risco de desenvolver a doença.
A ação é conduzida pelo Instituto ProPulmão, organização sem fins lucrativos que desenvolve pesquisas e estratégias de rastreamento do câncer de pulmão, em parceria com a Fundação Bahiana de Cardiologia e Combate ao Câncer.
A iniciativa ganha destaque durante o Agosto Branco, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de pulmão. Segundo dados reunidos pelo Instituto Oncoguia, cerca de 90% dos casos da doença ainda são descobertos em fases avançadas, quando as chances de um tratamento com intenção curativa são menores.
No Brasil, a estimativa é de 35.380 novos casos por ano no triênio 2026–2028. Em 2023, foram registradas 31.237 mortes provocadas pela doença. Atualmente, o câncer de pulmão é o terceiro tipo mais incidente entre os homens e o quarto entre as mulheres.
Rastreamento é voltado para pessoas de maior risco
O rastreamento não é indicado para toda a população. A estratégia é direcionada principalmente a fumantes e ex-fumantes que apresentam maior risco, seguindo critérios definidos em protocolos médicos.
Uma das ferramentas utilizadas nesse processo é a Tomografia Computadorizada de Baixa Dose (TCBD). O exame permite procurar sinais da doença antes mesmo que ela provoque sintomas mais evidentes.
As pesquisas desenvolvidas pelo Instituto ProPulmão começaram em 2012 e, segundo a instituição, já envolveram milhares de fumantes e ex-fumantes. Os estudos também resultaram em dezenas de diagnósticos e mais de 20 publicações científicas internacionais, além da formação de uma rede com mais de 100 pesquisadores colaboradores.
Para o presidente do Instituto ProPulmão, o cirurgião torácico Dr. Ricardo Sales, identificar o câncer mais cedo pode fazer toda a diferença.
“Quando falamos em câncer de pulmão, o tempo faz diferença. Descobrir a doença precocemente amplia as possibilidades de tratamento e pode mudar completamente a história do paciente.”
Carreta da Saúde Respiratória
Entre os projetos desenvolvidos pelo Instituto está a Carreta da Saúde Respiratória, uma unidade móvel criada para levar o rastreamento de doenças respiratórias a diferentes regiões da Bahia.
A iniciativa foi desenvolvida em parceria com a Universidade SENAI CIMATEC e já passou por municípios como Salvador, Feira de Santana, Serrinha e Santo Antônio de Jesus, auxiliando nas pesquisas e ampliando o acesso ao rastreamento entre pessoas com maior risco.

Atualmente, a carreta passa por uma reestruturação. De acordo com o Instituto ProPulmão, a unidade receberá um novo tomógrafo e uma nova identidade visual antes de voltar às atividades. As próximas cidades e o cronograma ainda serão divulgados.
Tabagismo continua sendo principal fator de risco
Embora o cigarro seja o principal fator associado ao câncer de pulmão, a doença também pode atingir pessoas que nunca fumaram.
A exposição ao tabagismo passivo, poluição do ar, gás radônio, amianto e outros agentes ocupacionais também pode aumentar o risco de desenvolvimento da doença.
Por isso, além do diagnóstico precoce, a prevenção continua sendo fundamental. Parar de fumar é a principal medida para reduzir o risco de câncer de pulmão, independentemente da idade.
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O tratamento para quem deseja abandonar o cigarro é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de programas coordenados pelas secretarias municipais e estaduais de saúde.
Onde buscar atendimento pelo SUS na Bahia?
Quem apresentar sintomas persistentes ou tiver suspeita de câncer de pulmão deve procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Após a avaliação médica, o paciente pode ser encaminhado para exames e, quando necessário, para uma unidade especializada.
Entre as principais referências da rede pública na Bahia estão:
- Hospital Aristides Maltez, em Salvador;
- Hospital Octávio Mangabeira, em Salvador;
- Centro Estadual de Oncologia (CICAN), em Salvador;
- Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES/UFBA), em Salvador;
- Hospital Santa Izabel, em Salvador;
- Hospital Estadual de Oncologia Alto Sertão, em Caetité;
- Hospital Dom Pedro de Alcântara, em Feira de Santana.
A rede reúne serviços de diagnóstico, cirurgia, quimioterapia, radioterapia e acompanhamento especializado, conforme a necessidade de cada paciente.

