
A Guarda Civil Municipal (GCM) de Salvador retoma, neste sábado (10), os atendimentos gratuitos do Projeto Curare, iniciativa voltada ao cuidado com a saúde mental e emocional da população. A ação integra a campanha nacional do Janeiro Branco e acontece na Lagoa dos Pássaros, no bairro do Stiep, oferecendo acompanhamento psicológico e assistência social a pessoas que não têm condições de arcar com o tratamento.
Os atendimentos são realizados aos sábados, das 8h às 12h, por ordem de chegada, após triagem. A cada dia, cerca de 60 pessoas são acolhidas. No ano passado, aproximadamente 2 mil atendimentos foram realizados, com o apoio de cerca de 60 profissionais voluntários, entre psicólogos, psicopedagogos, psicanalistas, assistentes sociais e filósofos, responsáveis também pela condução de rodas de conversa.
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Criado em 2021, o projeto foi ampliado em 2024 e passou a se chamar Curare, palavra de origem latina que remete ao ato de cuidar e tratar, estando associada às ideias de cura e acolhimento. No local, os pacientes passam inicialmente por uma avaliação com assistentes sociais e, em seguida, são encaminhados para consultas individuais com psicólogos voluntários.
O coordenador de Ações de Prevenção à Violência da GCM, James Azevedo, ressalta que a iniciativa é essencial durante todo o ano, e não apenas no Janeiro Branco. “As pessoas enfrentam diversos problemas emocionais, como ansiedade e crises constantes. Cuidar da saúde mental é um direito humano fundamental, e a Guarda Municipal coloca isso em prática com o projeto”, afirmou.
Segundo Azevedo, o Projeto Curare materializa o que prevê o Estatuto das Guardas Municipais, que determina a preservação da vida e a redução do sofrimento. “Transformamos o patrulhamento preventivo em acolhimento emocional. Ao atender quase 2 mil pessoas em situações de ansiedade e depressão, a GCM atua diretamente na raiz do sofrimento social, promovendo uma evolução real da comunidade”, destacou.
Demandas atendidas
Entre as principais demandas atendidas estão casos de ansiedade, depressão, luto, esgotamento causado pelo excesso de trabalho e separações afetivas. Para o coordenador, falar sobre saúde mental também contribui para o enfrentamento da violência. “Quando a saúde mental está equilibrada, as pessoas ficam mais atentas às violências que sofrem, especialmente mulheres e pessoas LGBTQIA+. Discutir esse tema fortalece a saúde, o bem-estar e a cidadania”, completou.
Ainda de acordo com Azevedo, o Janeiro Branco reforça a importância do cuidado com a mente e ajuda muitas pessoas a reconhecerem sinais de sofrimento emocional. “É um período em que o debate ganha força e faz com que muita gente perceba que algo não está bem. Nosso papel é incentivar esse cuidado e oferecer caminhos acessíveis, como os atendimentos realizados pelos profissionais voluntários”, concluiu.
*Sob a supervisão do editor Anderson Orrico
