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“Medo de sair” - 18/06/2024, 21:51 - Da Redação

Veja relato completo de homem que foi espancado por PM na Pituba

Vítima contou detalhes do momento e desespero após sofrer violências

Episódio ocorreu no dia 6 de junho, no Parque Júlio César
Episódio ocorreu no dia 6 de junho, no Parque Júlio César |  Foto: Reprodução

O homem que foi brutalmente agredido por um policial militar em um bar da Pituba, bairro nobre de Salvador, contou os detalhes do horror que viveu durante o espancamento. A vítima, que preferiu manter sua identidade preservada, falou pela primeira vez sobre a situação e revelou ter medo de sair de casa após o ocorrido.

O homem agredido expôs tudo o que se recorda do momento das agressões, mas confessou que, devido aos traumas sofridos na cabeça no dia 6 de junho, no Parque Júlio César, acabou esquecendo de alguns momentos. A vítima afirmou que as imagens das câmeras de segurança foram importantes para que ele entendesse a gravidade da situação.

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O PM “valentão”, identificado como Danilo Oliveira Machado, prestou depoimento na última quinta-feira (13). Lotado na 33ª CIPM (Valéria), o agente foi à delegacia acompanhado pelo advogado e não quis falar com a imprensa sobre o caso.

O vídeo em que o rapaz que sofreu as agressões conta sobre o caso foi gravado e divulgado pelo próprio tio, para que a imprensa pudesse obter sua versão dos fatos.

Veja a entrevista na íntegra:

- Como foi que tudo aconteceu?
Bom, eu não me lembro bem do ocorrido, até porque eu sofri muitos traumas na cabeça. Mas eu cheguei lá, conversei com um amigo. Aí daqui a pouco o agressor começou a mostrar fotos e imagens de pessoas famosas, inclusive vídeo de Mamonas Assassinas. Eu cheguei para o rapaz e falei: pare com isso, apaga, que isso é feio. A partir daí ele não gostou e começou a discussão e aí gerou aquele problema todo das agressões e da tortura.

- Você já tinha visto aquele policial lá? Você conhecia ele ou já tinha conversado com ele em algum momento?
Não, não conhecia o rapaz. Não lembro do visual dele lá e muito menos nem sabia que ele era policial.

- Como é que você soube que ele era policial?
Após o ocorrido, pessoas me falaram que ele era policial, até por estar armado e fazer aquilo que ele fez.

- Você já tinha discutido com ele alguma vez?
Não. Nunca tive conversa nenhuma com ele.

- Depois de todo ocorrido que você desfaleceu, quando você acordou, você pediu ajuda. Você telefonou para o hospital, para o SAMU ou para o 190?
Não, não. Eu, segundo as imagens constam, eu levantei, ainda desorientado, e fui sozinho pra casa.

- Você se machucou muito?
Sim, sim. A princípio sim. No dia seguinte, o rosto estava todo roxo com arranhões, a cabeça estava cheia de hematomas, a costela doía muito, muito mesmo. A ponto de eu não conseguir dormir nos outros dias. Tive que dormir à base de remédio, porque eu não estava conseguindo dormir direito de tanta dor.

- O resultado do Raio X confirmou a fratura da costela?
Sim.

- Você está aguardando a provocação para confirmar realmente com as imagens mais precisas?
Correto.

- Por que que você não registrou o boletim de ocorrência nos dias seguintes ou levou ao conhecimento da família o fato que tinha ocorrido?
Bom, a princípio como eu falei, eu não tinha lembrado de nada e para mim tinha acontecido alguma confusão e morreu aí. Só que com o passar do tempo, começou a chegar vídeos para mim mandando olhar, pessoal dizendo que ia divulgar nas nas redes sociais, na televisão e eu pensei que ia morrer ali né?

Só que quando eu comecei a ver o vídeo, que eu não conseguia assistir todo, eu achei que não ia dar em nada. Só que várias pessoas começaram a ter conhecimento, minha família soube e começou a ter esse clamor público, caiu minha ficha que eu escapei de morrer. Até então eu estava com medo porque por se tratar de um policial, a gente fica com medo de acontecer alguma coisa com a gente, um cara armado.

Então tudo isso fez com que eu ficasse com medo de fazer o boletim na ocasião e de acontecer alguma coisa comigo.

- Como você se sente hoje?
Hoje, fisicamente eu estou melhor. Ainda sinto dores na costela, mas estou a base de remédio. Agora, psicologicamente ainda estou com muito medo. Dificilmente saio de casa, quando saio é de carro ou de táxi, de transporte por aplicativo. Eu não consigo andar sozinho a pé, tenho esse medo ainda dentro de mim. Mas graças a Deus o pior já passou e agora é só esperar a justiça ser feita para com esse cidadão.

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