
A transferência de Demilson Sales das Neves, o "Tutuca", para o Conjunto Penal de Serrinha, coloca o líder do tráfico de Pernambués sob o sistema de custódia mais rígido do Brasil. Mas, na prática, o que diferencia uma unidade de segurança máxima de um presídio comum?
Diferente das unidades convencionais, o foco dessa unidade não é apenas a custódia, mas o isolamento total de lideranças que mantêm influência mesmo atrás das grades.
Quais são os pilares da segurança máxima?
1. Regime Disciplinar Diferenciado (RDD)
É a punição ou medida preventiva mais severa. O preso fica em cela individual e tem contato limitado com o mundo exterior. O objetivo principal é impedir que ordens de ataques, sequestros ou tráfico cheguem às ruas.
2. Restrição de visitas e contato
As visitas são restritas e, em muitos casos, acontecem por meio de parlatórios (vidros com interfone), impedindo o contato físico e a passagem de bilhetes. No RDD, o número de visitantes é reduzido e as conversas são monitoradas.
3. Monitoramento estrutural
Diferente de presídios comuns, a arquitetura é desenhada para evitar pontos cegos.
➡️ Sensores de presença e câmeras 24h: Vigilância constante em todas as áreas.
➡️ Scanner corporal: Tecnologia de ponta que substitui a revista manual, detectando objetos internos ou ocultos.
➡️ Bloqueadores de sinal: Sistemas que impedem o funcionamento de telefones celulares.
4. Banho de sol isolado
Até o momento de lazer é controlado. O banho de sol é feito em grupos reduzidíssimos ou individualmente, em pátios murados onde não há contato visual com outros pavilhões.
Conjunto Penal de Serrinha
O Conjunto Penal de Serrinha é referência de segurança máxima na Bahia. Ele foi projetado justamente para receber detentos do Baralho do Crime e lideranças de facções. Lá, "Tutuca" deixa de conviver em pátios comuns (como ocorria em parte do sistema no RJ) e passa a ter sua rotina cronometrada e vigiada por agentes especializados.
Quem é Tutuca
Demilson Sales das Neves era o "10 de Ouros" do Baralho do Crime da SSP-BA. Investigado pelo Denarc, ele é apontado como o chefe do tráfico em Pernambués. Mesmo preso anteriormente no Rio de Janeiro, ele enviava ordens para Salvador, coordenado o tráfico de drogas, sequestros e extorsões.

