
A realização do evento “Baile do PZ”, previsto para 18 de abril, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, passou a ser alvo de tensão após a circulação de um suposto comunicado atribuído à facção criminosa Bonde do Maluco (BDM). O texto pede o cancelamento ou substituição das atrações.
O show está programado para acontecer no Villas Music Bar, em Villas do Atlântico, com início às 20h. Além do MC Poze do Rodo, o line-up inclui o carioca DJ Buarque e os artistas baianos Oh Polêmico e Robyssão, nomes populares do pagodão.
Ameaça divulgada nas redes
O comunicado atribuído ao BDM afirma que o cantor teria ligação com outra facção e que sua presença representaria risco em território baiano. A mensagem sustenta que o artista promove a facção rival por meio de suas músicas.
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“Tendo em vista que o MC Poze, levantador de bandeira, usa a música como meio de exaltação à facção, incitando símbolos, nomes de localidades e pessoas ligados à facção oriunda do RJ, em total desrespeito às facções que disputam territórios, o mesmo não tem autorização para vir à Bahia para realizar seus shows. Sendo assim, o BDM pede o cancelamento ou a troca das bandas que se apresentarão no dia 18 de abril no Villas Music Bar.”
O texto também apresenta tom de ameaça caso o evento seja mantido, afirmando que o grupo reagirá diante da realização do baile.
“Diante dos fatos, nós, Bonde do Maluco, estamos avisando previamente, ou iremos responder à altura, pois somos a maior do estado e permaneceremos. Em hipótese alguma deixaremos que isso aconteça dentro do nosso estado.”

Episódios anteriores envolvendo o artista
Não é a primeira vez que apresentações de Poze enfrentam obstáculos relacionados à segurança pública. Em 2021, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia proibiu o evento “Baile do Embrasa”, após ameaças envolvendo organizações criminosas.
Na ocasião, investigações citaram rivalidades entre facções e um vídeo em que o cantor aparecia armado. O artista, natural da favela do Rodo, em Santa Cruz (RJ), declarou à polícia que deixou o tráfico após atuar na atividade entre 2015 e 2016.
Registros fotográficos antigos exibindo armas também foram incluídos em apurações policiais ao longo dos anos.
Rivalidade entre facções amplia tensão
Em 2025, o funkeiro foi preso no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, sob suspeita de apologia ao crime e envolvimento com o tráfico, em ação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). A polícia apontou que shows ocorreriam em áreas dominadas pelo Comando Vermelho (CV).
Segundo investigações, letras musicais atribuídas ao artista incentivariam confrontos entre grupos rivais e exaltariam o tráfico de drogas e o uso de armas.
Na Bahia, a disputa entre Comando Vermelho e Bonde do Maluco envolve territórios na capital, região metropolitana e cidades do interior. Esse cenário aumenta o receio de possíveis conflitos ligados à realização do evento.
