Em meio a comunidade do Nordeste de Amaralina, no Beco da Cultura, um projeto social ganha notoriedade. Promovido pela Polícia Militar da Bahia, por meio da Base Comunitária de Segurança (BCS) Nordeste/Vale e do 30º Batalhão da PM, a iniciativa "Base.Net – Informática e suas Tecnologias e Digitação" impulsiona à inclusão digital para alunos de diferentes idades.
Desde os novinhos até os mais velhos, a ação reúne cerca de 40 estudantes que buscam se especializar nas práticas de informática, como o Word e o Excel, até atividades de digitação. Por lá, os interessados fomentam o aprendizado para levar para diversas áreas da vida.

Iniciado em agosto de 2025 com apenas três computadores, o projeto social acontecia em um mini laboratório com poucos alunos. Ao passar dos meses, a ideia ganhou popularidade entre os moradores da região e evoluiu, de modo a englobar outros temas como o uso de smartphones — tanto com sistema Android quanto iOS.
Para os mais velhos, a proposta é inclusão digital para o uso no dia a dia, fator que pode até mesmo ampliar oportunidades no mercado de trabalho. Já aos mais novos, o objetivo é oferecer uma vantagem competitiva na busca por emprego, com o aprendizado de ferramentas e recursos mais atuais.
“A proposta é abraçar todos os públicos. Atendemos desde jovens que buscam inserção no mercado de trabalho até pessoas da melhor idade que querem ter mais afinidade com a tecnologia, superar dificuldades no uso dessas ferramentas e, na medida do possível, também buscar uma oportunidade profissional. Muitas vezes, esse público tem pouca inserção no mercado de trabalho”, explica o capitão Hélio Pitanga, do 30° BPM, ao MASSA!.

O projeto é um sucesso, a notícia se espalhou e hoje temos oito turmas, distribuídas em diferentes horários, às segundas e quartas-feiras
capitão Hélio Pitanga, do 30° BPM
Processo de inscrição e formação
O público interessado consegue se inscrever na iniciativa de forma simples. Durante o período de inscrição, as pessoas podem pegar fichas na recepção da Base Comunitária de Segurança e as turmas são separadas pela organização. Com aulas ocorridas há cerca de oito meses, o retorno dos participantes é bastante positivo.
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A moradora da Chapada do Rio Vermelho, que faz parte do Complexo, desde os 7 anos, Maria Cristina de Souza conta que tomou a iniciativa de comprar um notebook recentemente para praticar os novos ensinamentos e ficar ligada na web.
“O futuro é cada vez mais nessa área de informática. Quem não tiver conhecimento vai ter dificuldade. Muita gente acaba sendo enganada justamente por não entender como as coisas funcionam. Às vezes pede ajuda a alguém mal-intencionado e acaba sendo prejudicada. Quem busca conhecimento, ganha mais segurança e independência”, reflete a coroa de 65 anos á reportagem.

Estou achando minha evolução muito grande, principalmente na digitação e em tirar dúvidas no uso dos aparelhos. Tem várias funções que eu não sabia usar.
Dona Maria
Agora, dona Maria não só reúne o aprendizado, como também compartilha com amigos próximos e familiares: “Não uso isso só para mim. Quando vejo alguém da família ou de fora com dificuldade no celular, eu tento ajudar com o que estou aprendendo aqui no curso”.
Família é inspiração
Para orientar a galera, o 30° BPM abriu um processo seletivo contínuo para instrutores voluntários. Segundo o capitão Hélio, os mentores são captados por meio do portal do voluntariado, mas também há os instrutores fixos, como o cabo Marcus Vinicius, 30° BPM, que acompanham os alunos.
Em conversa com o MASSA!, o oficial descreveu a sensação positiva ao ajudar o próximo. "Para mim, é uma satisfação pessoal muito grande. É como oferecer a essas pessoas, principalmente da terceira idade, aquilo que a gente gostaria para os nossos próprios pais", inicia.

"Para muitos, é um contato que nunca imaginaram ter ao longo da vida. Parte deles dizem que não acreditavam que seriam capazes de aprender a usar um computador ou ter acesso à tecnologia, principalmente por não terem condições de ter um equipamento em casa. Hoje, eles percebem que isso é possível", celebra.
Iniciativa em outras comunidades
Conforme o capitão Hélio Pitanga, existe a discussão sobre a possibilidade de expansão da prática para outras comunidades. Porém, é preciso de estrutura, recursos e planejamento para dar início à novos projetos em outros locais.
"Desenvolvemos diversas iniciativas voltadas para atender a população, sempre em parceria com os moradores e em benefício do cidadão de bem. Projetos como esse buscam justamente fortalecer esse vínculo, promovendo cidadania e oferecendo oportunidades para todos que procuram o nosso apoio", reforça.

A iniciativa, focada em ajudar a comunidade do Nordeste de Amaralina, também mostra que a região é muito mais do que conflitos armados, guerra entre facções e violência. A quebrada é formada por um povo trabalhador, que batalha todos os dias por uma vida melhor.