
Um rastro de joias levadas pelo teto, dinheiro em circulação por contas de terceiros e até aeronave escondida em pista clandestina. Este é o cenário desenhado pela investigação que levou à Operação Diamante de Sangue, deflagrada na manhã desta quarta-feira (1º), na Bahia, e que já prendeu dez pessoas. O alvo é uma organização criminosa com atuação interestadual, suspeita de envolvimento em furtos a joalherias, estelionatos e tráfico de drogas, e que acumula prejuízos milionários.
As prisões ocorreram nas cidades de Salvador, Aracaju, São Paulo, Goiânia, Fortaleza e Rio de Janeiro. Somente na capital baiana, no início de 2025, uma joalheria teve mais de R$ 1 milhão em bens subtraídos. A suspeita é de que os investigados agiam com planejamento prévio, divisão de tarefas e estratégias para dificultar o rastreio do dinheiro, como por exemplo a inclusão de fragmentação de valores em contas de terceiros.
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Ao todo, a Justiça autorizou 83 medidas judiciais, entre prisões preventivas, mandados de busca e apreensão e sequestro de bens. Entre os ativos bloqueados está uma aeronave avaliada em cerca de R$ 800 mil. O avião foi localizado em uma pista clandestina m Roraima e, conforme a investigação, é apontada como instrumento utilizado para apoio logístico ao transporte de drogas e deslocamento de integrantes do grupo criminoso entre diferentes estados da federação.
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Itens apreendidos
Até o momento, valores em espécie, aparelhos celulares, documentos e veículos de luxo, entre eles uma Toyota SW4 e uma Volkswagen Amarok, foram apreendidos. Estes são bens que, segundo as investigações, estão relacionados à ocultação e movimentação de recursos provenientes das atividades ilícitas.
Como o grupo agia
Nos furtos às joalherias, os investigados realizavam levantamentos prévios dos estabelecimentos e acessavam os imóveis pelo teto, utilizando equipamentos para neutralizar sistemas de alarme. A organização também é investigada por estelionatos praticados por meio do chamado “golpe do aniversário”, com registros no Ceará e na Paraíba.
Nessa modalidade, pessoas idosas eram abordadas sob o pretexto de entrega de presentes, momento em que tinham dados bancários capturados por dispositivos eletrônicos. Depois, os valores eram desviados e submetidos a mecanismos de lavagem para ocultar a origem ilícita.
A ação é conduzida por unidades especializadas da Polícia Civil da Bahia (PC-BA), com apoio de equipes de outros estados e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
