
"É o que ele está dizendo. Ele precisa registrar o fato na delegacia, porque só temos o chamado pelo grupo de WhatsApp". Afirmou o major Sérgio Almeida Silva, comandante da 58ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/ Cosme de Farias), ao falar que, até o final da tarde desta segunda-feira (24), o soldado da PM que alegou ter sido expulso de casa por traficantes de drogas da facção Comando Vermelho (CV) ainda não havia comparecido a nenhuma delegacia para registrar ocorrência.
O caso teria ocorrido na tarde do sábado (22), na Rua Araçatuba, no Alto do Cruzeiro, em Cosme de Farias.
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Sem se identificar, por temer represália, um morador do bairro contou que o policial se sentiu ameaçado, logo após intervir pela vida de um familiar que estava sendo pressionado pelos traficantes a devolver um celular que ele tinha pego para consertar. Ainda segundo o rapaz, o parente do PM tem envolvimento com a criminalidade e também integra o CV.
"Fiquei sabendo que ele [PM] tinha interferido em uma situação, em uma transação do sobrinho com algum celular. Acho que os caras botaram o celular para consertar, ele [sobrinho] consertou e vendeu. Depois disso, vieram 12 cabeças [suspeitos] e cercaram a casa dele. Aí ele deu Alfa 11 [apoio de guarnições da Polícia Militar]. Em cinco minutos, chegaram umas dez viaturas ", contou o morador.
A versão relatada pelos moradores foi confirmada pelo major Sérgio. "O que sabemos é que ele [parente] levou um celular para consertar e não devolveu. São questões do sobrinho dele", reafirmou o comandante, revelando que, no bairro, casos de expulsões não são de seu conhecimento.
Conforme o morador, todos os pontos de tráfico de drogas em Cosme de Farias são controlados pelo Comando Vermelho e que o líder da facção na localidade é um homem identificado com Zói de Gato, que está morando no Rio de Janeiro. "Cosme de Farias é tudo CV. Cada rua tem um linha de frente. Lá no Alto do Cruzeiro, não sei mais quem é. Era Código, que está preso", concluiu o rapaz.
O Grupo A TARDE procurou a Polícia Civil para saber se o soldado já havia registrado ocorrência em alguma unidade. Até o fechamento dessa matéria, não houve retorno. Em nota, o Departamento de Comunicação Social da Polícia Militar (DCS) disse que o policiamento foi reforçado na região.