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Que absurdo! - 17/04/2024, 06:10 - Osvaldo Barreto / Portal A Tarde - Atualizado em 17/04/2024, 08:17

Meninas violentadas pelo pai revelam rotina de tortura na Bahia

Homem mantinha as filhas em cárcere privado e foi preso em Lauro de Freitas

Empresário de 50 anos é suspeito de estuprar as filhas
Empresário de 50 anos é suspeito de estuprar as filhas |  Foto: Divulgação

*Atenção: o conteúdo abaixo é sensível

Filhos esperam encontrar nos pais segurança, carinho e confiança. E quando esse elo é quebrado pela parte mais forte da relação? É uma história envolvendo possíveis crimes, que vem sendo investigada pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca). O suspeito de estuprar, torturar, sequestrar e manter em cárcere privado as próprias filhas é um empresário de 50 anos com atuação em vários municípios da Bahia.

O homem foi preso no último dia 4 de abril em uma mansão localizada em Vilas do Atlântico, bairro de classe média na cidade de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Após audiência de custódia, as provas apresentadas pela polícia fizeram o juiz converter a prisão que era em flagrante para preventiva. O irmão do empresário teve acesso a uma carta escrita por uma das sobrinhas, a qual revela todos os abusos que elas sofriam. Com a carta em mãos, ele buscou a Dercca para realizar a denúncia.

A equipe do Grupo A TARDE teve acesso, com exclusividade, aos depoimentos das duas crianças, que trazem detalhes chocantes pelas práticas supostamente cometidas pelo pai. A reportagem manterá o nome do empresário em sigilo, a fim de salvaguardar a identidade das filhas, que são menores de idade. A criança de 11 anos será tratada como “filha 01” e a adolescente de 13 anos será tratada como “filha 02”.

Falsa denúncia e ameaças

Durante depoimento na Dercca, a filha 01 detalhou o período em que teria sofrido os abusos praticados pelos pais. Diante da delegada, ela informou que as práticas eram cometidas desde quando ela tinha 9 anos, sendo iniciada após a separação dos pais. As crianças estavam desde janeiro desse ano com o homem no imóvel em Lauro de Freitas e eram mantidas em cárcere privado.

“Ele esperava eu dormir para começar a passar a mão em mim. Me obrigava a viajar com ele e me forçava a dormir junto com ele. Quando a gente veio para cá (Vilas), ele disse que era para passar férias, mas eu sabia que não era isso. Ele me enfiou dentro do carro e veio. Não deixava eu falar com minha mãe”, revelou.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, a filha 01 morava em Serrolândia com a mãe e após o empresário registrar um Boletim de Ocorrência contra o avô materno da criança, ele a sequestrou e a trouxe para Lauro de Freitas. Ainda segundo as investigações, ele acusou falsamente o avô da criança de estupro contra ela. A história seria uma forma de desviar o foco dele.

“Ele me ameaçou com uma arma e fez eu mentir dizendo que meu avô me abusou. Menti para família e para polícia. Ele me forçou a dizer que meu avô era um monstro”, relembrou a filha 01 durante o depoimento.

A garota ainda contou que a primeira vez que foi estuprada. “Foi em uma roça. Ele me dava remédio para dormir e eu acordava com dor e com um líquido pegajoso, com um cheiro estranho, bem fedido”, disse.

Um rotina de abusos

Os abusos sexuais teriam iniciado com a filha 02, que hoje tem 13 anos. Durante depoimento na unidade policial, a criança contou que lembra que as práticas criminosas começaram quando ela tinha 5 anos. “Ele mandava fazer massagem nas partes íntimas dele, utilizando um creme. Tomava banho comigo pelado, passava a mão em mim e não deixava dormir sozinha”.

“Ele mandava fazer massagem nas partes íntimas dele"

A filha 02 contou que sempre morou com o pai. Informações obtidas pela equipe do Grupo A TARDE dão conta que a mãe da criança morreu quando ela tinha quatro anos e desde então ela mora com o pai na cidade de Lauro de Freitas, tendo se mudado por um período para cidade de Serrolândia. A criança revelou durante o depoimento que passou por uma cirurgia de coluna em 2021 na cidade de São Paulo, quando percebeu que o pai parou de lhe abusar e começou a rotina com a irmã.

“Tentei contar às pessoas no hospital, fiz desenhos sobre o que ele fazia. Ele descobriu e parou. Quando voltei para cá, minha irmã me contou que ele fazia as coisas com ela. Ela começou a me falar e percebi que ele começou a fazer as mesmas coisas com ela”, disse.

O caso

O pai das meninas, um homem de 50 anos, foi preso em flagrante no dia 4 de abril por suspeita de estuprar as filhas e mantê-las em cárcere privado. A prisão aconteceu em Vilas do Atlântico, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador.

As investigações tiveram início quando o suspeito, para tentar ocultar o crime praticado por ele, registou uma ocorrência na unidade especializada denunciado o avô das crianças. Ele acusava o idoso de estupro. A denúncia foi desmentida pela filha do idoso e mãe de uma das garotas, que apontou o ex-companheiro como autor dos abusos.

A titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra a Criança e ao Adolescente (Dercca), delegada Simone Moutinho, contou que uma informação inicial seria de que o suspeito estaria em Feira de Santana, a 100 km de Salvador. No entanto, quando as equipes chegaram no endereço o suspeito já tinha ido embora.

As investigações seguiram e os policiais rastrearam o carro alugado pelo suspeito em Feira de Santana até a sua nova localização, em Lauro de Freitas. "Ainda vamos interrogá-los para obter mais detalhes. Ele não tinha pouso certo, perambulava de cidade em cidade com essas meninas, obviamente para se afastar das ações policiais", disse a delegada.

Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra a Criança e o Adolescente (Dercca) em Salvador
Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra a Criança e o Adolescente (Dercca) em Salvador | Foto: Haeckel Dias - Ascom | PC

Informações iniciais apontam que as filhas eram constantemente ameaçadas de morte. "Elas não estudavam há três anos e eram tratadas como escravas sexuais para satisfazê-lo", falou também a delegada.

No momento do resgate, as meninas estavam assustadas e correram em busca de ajuda quando viram os policiais. As investigações ainda apontam que o homem tinha dois simulacros de revólveres e os utilizava para fazer terror psicológico contra as filhas. O inquérito ainda aponta que as crianças eram amedrontadas a não contar a história para familiares.

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