
Pela primeira vez desde a sua implantação — ocorrida há 33 anos — o 18º Batalhão da Polícia Militar da Bahia (BPM), responsável pela segurança do Centro Histórico de Salvador e outras localidades próximas, está sendo comandado por uma mulher. A escolhida para assumir essa missão foi a tenente-coronel Cláudia Mara, que continua escrevendo e deixando histórias de superação na corporação bicentenária.
Detalhe importante: essa não é a primeira vez que a oficial alcança um marco histórico na Polícia Militar da Bahia. Isso porque, em julho de 2025, ela tornou-se a segunda mulher da PMBA a assumir o comando de um batalhão especializado, ao ser nomeada como comandante do Batalhão de Policiamento Escolar (BPEsc).
Contudo, com a nova nomeação — que ocorreu justamente no "Mês da Mulher" — para gerir o 18º BPM, a tenente-coronel precisou deixar a gestão do BPEsc para seguir os desafios em uma unidade operacional.
Em entrevista ao MASSA!, a oficial apresentou detalhes da nova trajetória e os planos para a unidade que acabou de assumir.
"Eu não esperava, tendo em vista que eu estava fazendo um bom trabalho no Batalhão de Policiamento Escolar, área que eu dominava. De repente, eu recebi um telefonema me dizendo que eu seria a nova comandante do 18º Batalhão. No início eu não acreditei. Me disseram que seria desafiador e interessante, já que, depois de 33 anos da criação do batalhão, colocaram uma mulher. Eu aceitei o desafio e estou aqui. Acredito que, pelo fato de ser mulher, algumas questões se tornam até muito mais tranquilas por causa da sensibilidade feminina. A gente tem um olhar mais cuidadoso com o outro, com a questão também dos moradores de rua e das crianças, porque a gente tem um Centro Histórico que é movimentado o tempo inteiro, ele não para", disse.

E como tem encarado a nova missão, comandante? "Para mim, como eu disse, é um desafio. Está mexendo com a minha adrenalina. Eu sinto uma emoção grande. É como se tudo fosse muito novo. Eu fui do Batalhão Turístico, atividade voltada para o turismo mesmo. Agora, estou aqui no 18º Batalhão, que cobre a área turística, o centro da cidade, uma parte do Campo Grande, do Canela, do Garcia. Então, a área é bem extensa", explicou.
"Eu gosto de lidar com pessoas, eu gosto de ouvir, de acompanhar toda essa movimentação, e o Centro Histórico, como eu disse, é isso: ele é vivo o tempo inteiro. É arte, cultura, é vida, é gente".
Honrada e orgulhosa
Emocionada, a oficial abriu o coração e falou acerca dos sentimentos sobre ser a primeira mulher a comandar o 18º BPM.
"Sinto-me honrada. Eu nunca imaginei estar aqui. Nunca imaginei estar à frente, principalmente, deste batalhão, pelo fato de a história dele ser só de homens. Se você olhar na galeria, só tem homens. Então, de repente, vai ter a primeira mulher. Isso é a mulher vencendo barreiras, mostrando que ela trabalha, que ela está dando conta do recado. Que venham mais mulheres, porque uma andorinha só não faz verão. Mas várias mulheres, sim, vão ter vozes dentro de uma instituição que é bicentenária", pontuou Cláudia Mara.

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Caminho percorrido
Ainda na entrevista, a tenente-coronel relembrou a caminhada que percorreu até conseguir ingressar na PMBA.
"Quando eu olho para trás, vejo tantas coisas que eu vivi. E hoje, quando eu me vejo aqui, eu digo: meu Deus, eu nunca esperava na minha caminhada chegar ao posto de coronel, porque era como se fosse inatingível pelo fato de ser mulher, pelo fato de ser a primeira turma, pelo fato de ter entrado na corporação como sargento, em 1993", lembrou.
"Ocupar esses cargos de decisões é desafiador, mas abre caminhos para as próximas. Estamos desbravando para que as que venham depois da gente peguem um caminhar mais tranquilo, muito mais tranquilo".
