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Caso Lucas Terra - 25/04/2023, 22:46 - Vinicius Rebouças- Atualizado em 26/04/2023, 00:03

Dia 1: Acusação apavora pastores indiciados por matar adolescente

Relato de mãe abala réus e promotoria pede prisão da primeira testemunha da Defesa por perjúrio

Davi Gallo lidera Acusação e pede prisão da 1ª testemunha da Defesa ouvida
Davi Gallo lidera Acusação e pede prisão da 1ª testemunha da Defesa ouvida |  Foto: Divulgação/ MP-BA

O primeiro dia do julgamento dos pastores evangélicos Fernando Aparecido da Silva e Joel Miranda terminou com pontos consistentes marcados pela acusação. O mais contundente foi durante o depoimento de Marion Terra, mãe de Lucas, o adolescente de 14 anos morto em 2001 dentro da Igreja Universal do bairro do Rio Vermelho.

Ela foi a última das cinco testemunhas chamadas pela acusação, capitaneada pelo promotor Davi Gallo. E enquanto narrava a relação que tinha com o filho, descrito como "amoroso, devoto e benevolente", os réus pela primeira vez demonstraram incômodo.

"Eles não olharam em momento algum para a Marion e o júri percebeu isso. A inquietação deles diante do testemunho da mãe foi nítida. Ela foi a única testemunha que não foi afrontada pelos dois. A única a não ser encarada com ar de superioridade", analisou o advogado Gilberto Batista, assistente da acusação.

Perjúrio

Atualmente bispos radicados em outros estados, Fernando e Joel são acusados de homicídio qualificado por motivo torpe e ocultação de cadáver. E podem ser condenados a até 20 anos de prisão se depender do pastor Beljair de Souza Santos, a primeira testemunha da Defesa, liderada pelo advogado Carlos Humberto Fauaze Filho.

O sacerdote foi confrontado duramente e pego em contradições mais de uma vez em relação aos depoimentos prestados em 2008 e nesta terça-feira (25). A ponto do promotor Davi Gallo pedir que ele fosse detido por falso testemunho juramentado.

"Eu vou passar a palavra para o colega, mas quero que conste nos autos o pedido de prisão ao depoente por falso testemunho prestado diante de suas magistradas", proferiu Gallo em tom alterado.

O promotor fez questão de ler o depoimento dado em 2008 pelo pastor Beljair e confrontá-lo ponto a ponto. Entre as incongruências estavam: Local onde testemunho foi prestado (Conceição de Feira e não Petrolina-PE); Relatos de que conhecia os réus "somente de vista", quando, na verdade, prestava contas de segunda a sexta-feira na igreja da Pituba, liderada pelo réu, o então pastor regional Fernando Aparecido da Silva; local de moradia exclusivo no Cond. Amazonas, na Paralela, junto com a esposa (disse depois que morou três meses com o pastor Joel).

Balanço Positivo

Representante do Ministério Público Estadual ao lado de Davi Gallo, Ariomar Figueiredo considerou o balanço "positivo" para acusação neste primeiro dia de julgamento, que deve se estender até sexta-feira (28).

"Ouvimos todos as testemunhas da Denúncia e já começamos a ouvir testemunhas da Defesa. Como são pelo menos 15 testemunhas, em testemunhos longos, estamos caminhando bem. Depende muito do ritmo dos questionamentos", avaliou o experiente causídico.

Dr. Ariomar ressalta que esse "é um julgamento longo e complexo que só será decidido no final". Muito embora a Acusação mostre avanços significativos logo na saída, ele mantém o entendimento de que "não há vitória ou derrota antecipada".

"Isso é construído no dia a dia, para que possamos efetivamente mostrar as provas que nós temos de que os réus são realmente responsáveis por esse crime bárbaro", pontuou.

A Defesa não quis conceder entrevista após o encerramento da sessão.

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