
O caso de assassinato da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira teve um desfecho na terça-feira (14). Durante o júri popular realizado no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, dois suspeitos foram sentenciados pela juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos.
Um dos envolvidos, no entanto, o Marílio dos Santos, identificado também pelo vulgo "Gordo" ou "Maquinista", segue foragido da Justiça e é procurado pelas autoridades com mandados de prisão em aberto. Ele foi condenado a 29 anos e 9 meses atrás das grades.
Diferente de Arielson da Conceição dos Santos, que confessou participação no assassinato ainda no primeiro dia de júri, a defesa de Marílio defende, em entrevista exclusiva ao MASSA!, que o homem não teria participado do crime. Ele é suspeito de ser o mandante do assassinato.
Conforme afirmação feita pelo advogado Marcos Rudá Neri à reportagem, a acusação não teria apresentado fatos concretos que incriminem Marílio durante a audiência e, por isso, a sentença deve ser recorrida ainda nesta quarta-feira (15).
"A defesa vai recorrer da decisão por entender que não existem provas contundentes para a sua condenação. Não existe prova concreta da participação dele como mandante. Não há nada no processo que ligue Marilio ao crime", alega.
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Marcos ainda acrescenta que, pela fama no mundo do crime por outros delitos, o acusado teve o nome ligado ao assassinato. Além disso, o fato dele estar foragido, mesmo com mandado de prisão, pode agravar a pena.
"Quanto a figura do foragido, já existia antes do crime. Ele está com mandado de prisão em aberto e pode ser preso a qualquer momento. (Ele foi julgado) pela fama. Ele nunca respondeu por homicídio. Ele responde por outros crimes", afirma.
Procurado
Marílio teve o nome e rosto estampados no Baralho do Crime da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). Figurando a carta ‘Ás de Ouros’, o documento anunciava que ele está foragido por homicídio e tem como área de atuação Simões Filho e São Sebastião do Passé.
Confira o suspeito:

Relembre o caso
Mãe Bernadete foi assassinada com 25 tiros no dia 17 de agosto de 2023, dentro da associação quilombola que liderava. Reconhecida pela defesa dos direitos das comunidades tradicionais, a líder já sofria ameaças antes do crime.
O processo foi transferido de Simões Filho para Salvador por decisão do Tribunal de Justiça da Bahia, como forma de garantir a imparcialidade do julgamento.
Além dos réus condenados nesta etapa, outras três pessoas também foram denunciadas pelo Ministério Público e ainda aguardam julgamento: Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, apontado como mandante do crime.
