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Novos desdobramentos - 09/09/2023, 06:00 - Nicolas Melo

Caso Hyara Flor: Perito forense contesta laudo policial

Eduardo Llanos conversou com exclusividade com Massa!

O caso da morte da adolescente cigana Hyara Flor Santos Alves, 14 anos, pode ganhar uma reviravolta. O perito criminal, Eduardo Llanos, reproduziu a cena do crime em ambiente 3d e identificou elementos que contestam a versão final apresentada pela Polícia Civil, no dia 10 de agosto, sobre o irmão mais novo do marido da vítima, uma criança de 9 anos, ter atirado acidentalmente após uma brincadeira que simulava um assalto, bem como sinais técnicos que, segundo ele, não constam no parecer da polícia técnica.

"Há uma inexistência de trabalhos periciais e investigativos que tenham a finalidade de produzir provas objetivas e inquestionáveis que limitam toda e qualquer tentativa de elucidar este crime. No laudo técnico não existe nenhuma prova que determine de forma inquestionável os detalhes da morte da vítima", disse o perito, que é presidente e fundador da Sewell Criminalística (Secrim), com exclusividade ao Massa!. O crime aconteceu em 6 de julho, no município de Guaratinga, no extremo sul baiano (a 703 km de Salvador).

No dia 10 de agosto, o inquérito investigativo foi dado como finalizado. No dia 11, os delegados Paulo Henrique de Oliveira, coordenador da 23ª Coorpin de Eunápolis, e Robson Andrade, titular da Delegacia Territorial (DT) de Guaratinga, apresentaram os detalhes e revelaram que, quem havia matado Hyara teria sido o menor e que o marido, conforme a cultura cigana e também adolescente, 14, teve um álibi que comprova sua ausência na cena do crime, chegando alguns minutos depois após ouvir o estampido do tiro.

Conforme o perito forense Eduardo Llanos, o parecer do Departamento de Polícia Técnica (DPT) contém lacunas que deveriam ter sido sanadas no decorrer do inquérito, entre elas o trajeto e a trajetória balística, ou seja, o percurso do projétil no interior do corpo e o percurso no exterior (da arma até a vítima), respectivamente.

"A finalidade deste trabalho foi para determinar tecnicamente a trajetória e o trajeto balístico, sendo a trajetória desde a boca do cano da arma até a vítima e trajeto do projétil dentro da vítima, como ele se comportou dentro da vítima. Quando analisamos o trabalho feito pelo médico legista, ele determina o local de entrada do projétil e o ponto final que corresponde a uma vértebra cervical. No entanto, as vértebras são sete e ele não especifica em qual delas o projétil parou e a depender de qual delas ela estiver alojada, saberemos se o disparo foi de cima para baixo ou de baixo para cima", explicou o Llanos.

Conforme o depoimento do perito, a resolução colocaria à prova o resultado apresentado pela polícia. "Também não foram efetuados exames de resíduos nas mãos da vítima para saber se de fato ela teve contato com a arma, sendo que esses resíduos poderiam estar antes ou depois do crime. Quando analisamos as fotografias do corpo, dela já higienizada, a vítima apresenta esses vestígios em uma das mãos que possivelmente ela tentou desviar do cano da arma ou elevou os braços para proteger o rosto com uma das mãos e essa é uma possibilidade bastante forte", pontuou o perito forense.

A reportagem teve acesso a algumas imagens da perícia técnica e ao conteúdo produzido pelo perito Llanos. Em uma delas, é possível ver o corpo de Hyara já higienizado no velório e a ponta do polegar esquerdo escura. "Vestígios atribuíveis a depósito de resíduos de pólvora, o que pode indicar que a vítima tentou segurar a arma para evitar ser disparada ou se posicionou suas mão perto do cano, o qual após a deflagração do projétil em sua direção logrou impregnar resíduos de combustão e semi combustão da pólvora", disse.

Outros questionamentos foram apresentados pelo perito. De acordo com ele, a ideia que Hyara municiou a arma (e engatilhou) e entregou para o cunhado criança, num ato ingênuo, para simular uma cena de assalto, onde ela não teria levado em conta a pressão que o menor poderia fazer e disparar, não faz sentido.

"São dois pontos polêmicos. O primeiro é esse dela manusear a arma, algo que não faz absolutamente nenhum sentido. O outro ponto ilógico é que o marido de Hyara tem um álibi de um amigo que supostamente se encontrava com ele no cômodo de uma outra casa e que no momento que escutou estampido o marido correu e esse amigo continuou almoçando tranquilamente e depois foi até o local ver o aconteceu. Se tem casas em conjugado, você não continua comendo quando ouve um tiro", refletiu.

"Então esse jovem chega e toma arma do irmão e o menor sai gritando que ele tinha matado a vítima e que o matasse. Então, se temos esses dois fatos que apontam que o marido é inocente, porque então ele não falou, ficou em silêncio? Porque então ele manteve seu direito de ficar em silêncio e não se pronunciou sobre como aconteceu?", revelou Llanos.

Além disso, conforme o especialista, o estojo da munição e a munição retirada (da agulha) estavam na mesma direção, indicando que, quem efetuou o disparo, descarregou no mesmo instante sem se mover. "O estojo ou a cápsula que foi deflagrada que atingiu a vítima estava na mesma linha reta do projétil que saiu do cano da arma, quando ela foi desmuniciada e isso pode indicar que a pessoa que atirou em Hyara desmaiou na mesma posição. Eduardo também comentou sobre a forma como os menores foram ouvidos e questionou o motivo deles não terem sido ouvidos na presença de autoridades como delegado e juiz, por exemplo, não apenas com um psicólogo infantil.", disse ele.

"Os menos foram ouvidos por pessoas que não têm capacidade para analisar o conteúdo da fala, para saber se eles estavam agindo de forma motorizada a fim de esconder alguma coisa. Eles deveriam ter sido ouvidos pelas autoridades também em conjunto com uma psicóloga forense infantil para determinar esses detalhes. E o marido, mesmo sendo menor também, ele tinha que ser ouvido pelo juiz no mesmo padrão, porque só um profissional capacitado da área que vai determinar se eles foram manipulados para implantar uma falsa ideia", completou Llanos.

Segundo a advogada da família, Janaina Panhossi, conforme o estudo, não há possibilidade de Hyara ter sido morta por acidente, principalmente pelo fato do tiro ter sido disparado pelo cunhado de 9 anos. "A polícia conclui o inquérito relatando que foi um acidente, mas paralelo a isso, contratamos um perito forense e no seu parecer ele traz confrontações do inquérito. Ele é um perito renomado no país e não existe a possibilidade dela ser vítima da criança de nove anos. A pessoa que fez o disparo é mais alta que a vítima", afirmou.

O relatório já foi apresentado à promotoria do Ministério Público da Bahia (MP-BA), que aceitou as justificativas e já reabriu o inquérito, solicitando novas diligências. "Nem mesmo o promotor acreditou na conclusão do inquérito e com base no relatório do perito foi prontamente requerido pelo MP essas diligências, que tem autonomia processual. Conforme Llamos, ele ainda anexou um pedido de exumação cadavérica.

"É preciso ouvir a vítima e a voz dela costuma deixar vestígios que o corpo apresenta e reforçar que não existe nenhuma prova técnica que determine de forma inquestionável a morte da garota".

O MP informou que recebeu o parecer técnico da defesa, que foi juntado aos autos do inquérito policial, e já solicitou as seguintes diligências para obter informações quanto à perícia técnica: em qual vértebra cervical ficou alojado a bala; laudo que indique a trajetória da bala; se o disparo aconteceu num ângulo superior ou inferior à marca do tiro na vítima; se a arma foi disparada para baixo e se foi realizado algum exame nas mãos de Hyara que comprove vestígio de pólvora.

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