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NO XILINDRÓ! - 19/04/2023, 21:11 - Anderson Orrico - Atualizado em 19/04/2023, 21:37

Acusada da chacina no caso Uber é condenada a 63 anos de prisão

A sentença é referente a doze crimes, sendo eles quatro homicídios, uma tentativa de homicídio e seis roubos

Benjamin Franco da Silva Santos, conhecida pelo nome social como Amanda, recebeu a condenação de 63 anos de prisão
Benjamin Franco da Silva Santos, conhecida pelo nome social como Amanda, recebeu a condenação de 63 anos de prisão |  Foto: Divulgação

Após um longo julgamento nesta quarta-feira (19), Benjamin Franco da Silva Santos, conhecida pelo nome social como Amanda, acusada de participar com mais quatro comparsas, já mortos, da chacina dos motoristas de aplicativos, foi condenada a 63 anos e oito meses de prisão em regime inicial fechado. A sentença é referente a doze crimes, sendo eles quatro homicídios, uma tentativa de homicídio e seis roubos.

Depois de ouvir todas as testemunhas de acusação e a ré, foi a vez do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e da Defensoria Pública da Bahia fazerem seus apelos ao júri.

A promotora Mirella Barros, trouxe o passo a passo do que aconteceu no dia 13 de dezembro de 2019, dia em que ocorreu os ataques criminosos aos motoristas. Além disso, mostrou aos jurados fotos dos corpos das vítimas, emocionando alguns membros do júri, e trechos de depoimentos de Amanda, mostrando as contradições da ré.

"Não há dúvida da prática exercida por ela [Amanda] nos crimes e que ela praticou os homicídios utilizando de meio cruel, traição e emboscada. Isso aqui é uma monstruosidade. A Amanda tem capacidade cognitiva suficiente para entender tudo que fez e deve pagar na integralidade pelo que foi apresentado", reforçou Mirella.

Já a defensora pública Flávia Apolônio, acompanhada do também defensor Daniel Soeiro, iniciou falando sobre o papel da Defensoria na defesa das pessoas marginalizadas e excluídas da sociedade.

"Não é só cumprir um papel estabelecido pelo estado, mas sim entender a realidade em que o outro está inserido para ouvir e olhar como ser humano tentando sempre uma pena justa", afirmou.

Segundo a defensora, a ré, que é conhecida no sistema prisional como "a estudiosa", reconhece ter participado de outros crimes e teve coragem de se entregar, sendo que os "os verdadeiros algozes fugiram".

"Amanda foi coagida por Jeferson, o verdadeiro assassino, porque senão iria perder a vida que nem os motoristas. Ela fez tudo isso também para salvar o marido que já estava preso. Não se pode exigir que ela fosse uma heroína porque estava agindo para proteger a sua integridade física", defendeu Flávia.

Além disso, os defensores alegaram que Amanda foi vítima de transfobia, uma vez que a polícia quando chamou um dos sobreviventes para reconhecer por foto os acusados, colocou a imagem de sete homens e da ré e perguntaram "qual é o travesti que participou do crime?", sendo que ela era a única que estava vestida de mulher.

"Nós pedimos que ela não seja responsabilizada pelos homicídios já que passou por coação moral. Amanda é responsável pelos roubos, mas não matou. Então quando os senhores jurados forem perguntados se inocentam ela, respondam que sim", finalizou.

Depois de ouvirem atentamente as duas partes, os sete jurados foram levados para a sala secreta para debater sobre a decisão. Após quase 3h, a sentença foi anunciada pela juíza.

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