
Filiada ao PL há apenas quatro meses, Cinthya Marabá, candidata a deputada estadual pela sigla, já recebeu R$ 300 mil do fundo eleitoral para a campanha de 2026. O valor consta no DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consultado nesta sexta-feira (28).
O montante chama atenção quando comparado aos repasses destinados a outros nomes do partido que já possuem trajetória política e eleitoral. Cinthya recebeu, por exemplo, o mesmo valor destinado a Samuel Júnior, deputado estadual em exercício que conquistou 98.914 votos nas eleições de 2022 e foi o quinto mais votado para a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) naquele pleito.
A candidata também aparece à frente de outros nomes do PL. Cézar Leite, vereador de Salvador, recebeu R$ 200 mil. Já Thiago Martins, presidente do diretório municipal do partido em Ilhéus e também candidato a deputado estadual, recebeu R$ 40 mil, valor 7,5 vezes menor que o destinado a Cinthya.
Na região Oeste, onde Cinthya tem atuação política, o contraste também aparece. Rogério Faedo, candidato do PL a deputado federal e com atuação em Luís Eduardo Magalhães, ainda não registrava repasse do fundo eleitoral na consulta realizada nesta sexta-feira (28).
Filiada em abril
Cinthya Marabá entrou oficialmente no PL em 8 de abril deste ano, durante um encontro em Brasília que contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro, do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e do ex-deputado federal João Roma.
Antes de chegar ao PL, ela já havia disputado uma eleição. Em 2016, ainda usando o nome Cinthya Nunes, concorreu ao cargo de vereadora de Luís Eduardo Magalhães pelo DEM. Na ocasião, recebeu apenas dois votos.
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Agora, dez anos depois, Cinthya disputa uma vaga na Assembleia Legislativa pelo PL e conta com R$ 300 mil do fundo eleitoral, o mesmo valor destinado a um deputado estadual que já possui mandato e quase 100 mil votos obtidos na eleição anterior.
Relação política
A filiação de Cinthya ao PL ocorreu enquanto seu marido, Júnior Marabá (PP), prefeito de Luís Eduardo Magalhães, mantinha uma relação política mais próxima com o governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Em junho de 2025, o prefeito confirmou a aproximação com o grupo governista e afirmou que não faria campanha de oposição ao governador nas eleições de 2026.
A movimentação política de Marabá chegou a gerar declarações sobre sua relação com diferentes grupos políticos. Ao comentar visitas de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva a Luís Eduardo Magalhães, o prefeito fez críticas à forma como foi tratado pela equipe do ex-presidente e elogiou a recepção recebida durante a passagem de Lula pelo município.
“Recebi Bolsonaro quando era presidente. A equipe dele muito mal educada, ele também muito mal educado e por diversas vezes fui empurrado pela equipe dele e pelos seguranças. Foram bem hostis conosco. Nós recebemos ele em um município que tem um viés conservador.
No ano seguinte nós recebemos Lula, com uma identidade totalmente diferente. Para você ter uma ideia, Bolsonaro nem mesmo olhou no meu olhar quando desceu da aeronave. Quando fui receber Lula, ele me cumprimentou, olhou nos meus olhos, fui muito bem tratado por toda a equipe. Acho que a educação sempre se cabe”, pontuou o gestor.
Cabe salientar que, atualmente, Júnior Marabá está do lado do candidato a governador ACM Neto (União Brasil), oposição a Jerônimo.
Da primeira eleição a uma campanha de R$ 300 mil
A diferença entre as duas campanhas de Cinthya é significativa. Em 2016, ela recebeu somente dois votos na disputa por uma cadeira na Câmara Municipal de Luís Eduardo Magalhães.
Agora, em sua segunda eleição, a candidata aparece entre os nomes que receberam os maiores repasses do fundo eleitoral dentro do PL baiano, com R$ 300 mil destinados à campanha.
Os valores podem sofrer alterações ao longo do período eleitoral, já que partidos e candidatos ainda podem registrar novos repasses e movimentações financeiras no sistema do TSE.

