
O nome de Ana Clara Gomes Machado, menina de apenas 5 anos morta durante uma ação policial no Rio de Janeiro, voltou aos holofotes após o debate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela Band no domingo (18).
Durante o confronto, Lula cobrou o adversário pela atuação como advogado do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) de efetuar o disparo que matou a criança. A resposta de Flávio colocou um caso de 2021 no centro da corrida presidencial de 2026.
Mas qual é, de fato, o envolvimento do candidato do PL na história? O MASSA! foi atrás da cronologia do processo para explicar.
Menina brincava na porta de casa
Ana Clara morreu no dia 2 de fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno, em Pendotiba, Niterói, na Região Metropolitana do Rio.
A menina estava na porta de casa, próxima do irmão de apenas 2 anos, quando foi atingida durante uma ação da Polícia Militar. Ela chegou a ser levada ao Hospital Estadual Azevedo Lima, mas não resistiu.
Na ocasião, a versão apresentada inicialmente pela Polícia Militar apontava que agentes realizavam patrulhamento quando teriam sido atacados por homens armados e revidado.
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A família da criança, porém, contestou essa versão desde o início. A mãe de Ana Clara afirmou que não havia confronto no momento em que os policiais chegaram ao local.
PM acabou preso
As investigações colocaram o então cabo Bruno Dias Delaroli na mira da Polícia Civil. O agente foi preso em flagrante após os investigadores encontrarem contradições entre os depoimentos dos policiais, testemunhas e elementos recolhidos pela perícia.
Dois dias depois da morte de Ana Clara, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva. Delaroli posteriormente foi denunciado e passou a responder pela morte da menina.
Segundo a acusação do Ministério Público, o policial efetuou disparos em direção a uma área residencial e assumiu o risco de provocar uma morte. A Promotoria também sustenta que não ocorria confronto no momento dos tiros.
A defesa do policial nega a responsabilidade criminal e sustenta que houve confronto com criminosos na região. Delaroli ainda não foi condenado pelo caso.

Onde Flávio Bolsonaro entra nessa história?
Flávio Bolsonaro, que também é advogado, passou a integrar a equipe jurídica responsável pela defesa de Bruno Delaroli anos depois do crime.
Em 2024, o senador apareceu entre os advogados que atuaram em um recurso levado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que determinava que Delaroli fosse julgado pelo Tribunal do Júri.
Ou seja: a atuação de Flávio não foi na investigação que apontou o policial como acusado nem no momento da prisão em 2021. Ela ocorreu posteriormente, na disputa jurídica sobre a ida do PM a júri popular.
O recurso não deu certo. O STJ manteve a decisão para que o policial fosse levado a julgamento. Mesmo assim, mais de cinco anos depois da morte da menina, o júri ainda não ocorreu.
Lula cobrou Flávio no debate
Foi justamente essa atuação jurídica que Lula puxou para o debate da Band.
O petista acusou Flávio de ter interferido em favor do policial. O senador respondeu defendendo sua atuação profissional.
“Você não pode criminalizar a advocacia, Lula. Nem teve julgamento, você já condenou o cara”, afirmou Flávio durante o embate.

