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Bafafá - 19/10/2023, 11:26 - Anderson Orrico

Pretas por Salvador acusa militante do MBL de atacar gabinete

Vídeo com o momento da treta foi publicado nas redes sociais

Laina Crisóstomo é co-vereadora pelo Coletivo Pretas por Salvador
Laina Crisóstomo é co-vereadora pelo Coletivo Pretas por Salvador |  Foto: Valdemiro Lopes/CMS

O Coletivo Pretas por Salvador está acusando um homem, identificado como Sandro Filho, que se apresenta como membro do Movimento Brasil Livre (MBL), de atacar o gabinete que fica localizado próximo à Câmara Municipal da capital baiana. Em vídeo divulgado nas redes sociais, é possível ouvir o militante batendo na porta e bradando contra a descriminalização das drogas e legalização do aborto.

“Ganhando R$ 23 mil reais por mês e Laina defendendo a legalização de todas as drogas. Será que ela já foi na Cracolândia? Será que na família dela tem pessoas que são viciadas? Será que ela conhece mãe que já perdeu filho por causa das drogas? Não é porque a polícia mata não, é porque a pessoa fica viciada, a pessoa morre espiritualmente”, gritou Sandro na porta do gabinete.

O integrante do MBL também reclama sobre a campanha de legalização do aborto defendida pelo Coletivo Pretas por Salvador e diz que está tudo ligado ao uso das drogas.

“Aí você chega aqui [no gabinete] e tem descriminalizar todas as drogas e enfrentar o crime organizado de verdade. É o crime organizado que disponibiliza a p*rra das drogas, c*r@lho. Legalizar o direito ao aborto, não está vendo que está um ligado ao outro? Parece que quer matar a criança de todo jeito. Tem que abortar a criança, se não abortar, tem que defender que ela nasça e depois que virou um viciado é pra morrer. Você que paga o salário dessa vereadora acha isso certo?”, questiona ele em vídeo direcionado aos seguidores.

Sandro também disse que estavam querendo chamar a polícia pra ele, mas afirmou que “quem defende maconha e cocaína não sou eu não”. Além disso, ele mostra que ao lado do prédio do gabinete dos vereadores de Salvador tem uma pichação com a marca da facção criminosa Bonde do Maluco (BDM) e diz que “são pessoas como essa vereadora que não deveria tá aqui”.

Nas redes sociais, o Pretas por Salvador afirmou que não é a primeira vez que Sandro prega a violência contra o Coletivo e que já gravou vários vídeos cometendo fake news e incitando o ódio. “É assim que os fascistas vão nos violentando e buscando nos matar”, lamentou.

“Ainda estamos processando tudo que aconteceu. Ele vem nos atacando desde agosto. Registramos o boletim de ocorrência e vamos seguir com as denúncias. Também vamos representar no Ministério Público da Bahia e no Ministério Público Federal crime de violência política de gênero. Seguiremos na luta, sem parar nem desistir”, revelou ao Portal Massa! a co-vereadora e integrante do Coletivo, Laina Crisóstomo.

Em contato com a reportagem, Sandro Filho negou que tenha tentado invadir o gabinete do Pretas por Salvador e feito ameaças às co-vereadoras.

“Eu entrei no prédio dos gabinetes como manda a lei. Apresentei a minha identidade e falei pra onde eu ia, que era o gabinete da vereadora Laina. Subi e fui gravar meu vídeo. Cheguei no 2º andar e a minha intenção era bater na porta dela e chamar ela pra gravar o vídeo, que é o que normalmente faço com os políticos. Mas quando eu cheguei na porta, eu vi todos aqueles papéis e fiquei indignado porque é uma questão pessoal minha a legalização das drogas, me toca. Tive amigos que se viciaram, fui criado em comunidade e vivi com isso. Então fiquei chateado”, contou Sandro.

Após isso, o membro do MBL disse que começou a gravar, em um tom elevado, mas nega que tenha ameaçado alguém do gabinete.

“Eu não ameacei ninguém, como elas estão afirmando. Eu quero que prove em qual momento eu ameacei. É mentira. Eu não esmurrei a porta, isso também é mentira, está em meu vídeo. Em momento nenhuma isso aconteceu. Eu não tentei invadir, entrei no prédio normalmente. Não chutei, não arrombei, não fiz nada. Eu só bati em cima dos adesivos que ela colou na porta. Como lá tem aquela divisão de pvc, quando bate faz uma zuada maior. Não foi para arrombar ou tentar invadir. É mentira o que elas estão dizendo”, completou.

Posicionamento do Psol

Em nota, o Psol repudiou veementemente o ataque, classificado como covarde e de atitude agressiva, e reforçou que é fundamental que a sociedade esteja unida contra o discurso de ódio e a violência que tentam silenciar vozes importantes como a das Pretas Por Salvador e todas as mulheres negras que representam a diversidade e a resistência em nossa sociedade, que lutam diariamente por um Brasil mais justo e igualitário. Nenhum fascista ou fundamentalista conseguirá deter a força e a determinação das Pretas por Salvador.

A sigla também vai exigir que a Câmara Municipal de Salvador tome as providências cabíveis para garantir o pleno exercício do mandato das vereadoras e irá acompanhar de perto seus desdobramentos.

Veja o vídeo:

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