
As urnas das eleições gerais de 2026 foram abertas no domingo (4), mas nem todos os eleitores chegaram ao local de votação com os candidatos definidos há semanas. Para uma parcela do eleitorado, a escolha de um ou mais nomes só foi concluída nos últimos dias que antecederam o pleito.
A proximidade da votação não impediu que essas pessoas continuassem avaliando as opções disponíveis. Para chegar a uma decisão, houve quem recorresse a conteúdos publicados na internet, acompanhasse debates ou simplesmente esperasse ter mais informações antes de escolher os números que seriam digitados.
A indecisão em números
Esse comportamento aparece nos resultados de uma pesquisa Quaest realizada no mês de agosto. O levantamento apontou que 20% dos entrevistados costumam decidir o voto para presidente na semana da eleição, sendo que 10% afirmaram fazer essa escolha somente no dia da votação.
A definição mais próxima do pleito também foi registrada em outras disputas. Para governador, 28% disseram que costumam escolher o candidato na última semana, enquanto 11% deixam a decisão para o próprio dia.
No Senado, os percentuais são ainda maiores: 32% fazem a escolha nos sete dias anteriores e 14% somente no momento da votação.
Redes sociais e influência familiar
Em Salvador, Cleber Oliveira Couto passou por esse processo antes de definir o voto para deputado federal. Morador de Periperi, ele conta que ainda não conhecia o candidato o suficiente e, por isso, preferiu buscar mais informações antes de decidir.

A pesquisa pessoal foi feita principalmente pela internet. Cleber acompanhou o conteúdo divulgado pelo político e, a partir do que encontrou, passou a ter uma percepção mais definida sobre o candidato que estava avaliando.
Foi esse contato nos dias que antecederam a eleição que ajudou a fechar a escolha. Depois de acompanhar as publicações, ele afirma que passou a enxergar no concorrente características que considerava importantes para decidir seu voto.
“Vi que ele é um garoto que tem uma energia e que quer lutar pelos nossos ideais. É um menino que vai trabalhar pela gente, em prol do Subúrbio”, relata.
Leia Também:
A decisão de Cleber acabou influenciando também uma conversa dentro de casa. Segundo ele, a mãe ainda procurava um nome para deputado federal e pediu uma indicação antes da votação.
Como já havia chegado a uma conclusão, ele apresentou a ela o candidato que havia escolhido. “Com base no que ele propaga na internet, aí eu tirei a conclusão. Por incrível que pareça, minha mãe estava pedindo também uma pessoa pra votar em deputado federal e daí por diante eu indiquei que ela votasse neste candidato.”
Debates e bastidores políticos
A internet não foi o único caminho seguido por todos os eleitores que deixaram a decisão para os últimos dias. Morador do Alto de Coutos, José Roberto encontrou nos debates entre os candidatos as informações de que precisava para definir seu voto.

Ao acompanhar os encontros, ele teve contato com os posicionamentos apresentados pelos concorrentes e conseguiu comparar as falas antes de chegar à escolha final. A definição, segundo o eleitor, veio justamente depois de assistir aos debates.“Foi o debate. Eu assisti aos debates e aí foi o que fez eu votar no meu candidato”, conta ao MASSA!.
Já para Gabriel Reis, de 20 anos, a situação foi diferente. Também morador de Periperi, o jovem afirma que sua posição política já estava estabelecida, mas ainda houve um fator durante o período que antecedeu a eleição que contribuiu para definir o candidato escolhido.

Nesse caso, não se tratava de começar a procurar uma opção do zero. Afinal, Gabriel já tinha uma orientação política, mas conta que um acontecimento envolvendo o atual presidente teve influência sobre a escolha que levou para a urna.
“Acho que minha opção política já é estabelecida há muito tempo, mas durante a eleição, o atual presidente me fez escolher meu candidato”, complementa.
As histórias dos três moradores da capital baiana mostram caminhos diferentes até o mesmo momento: o instante em que o eleitor precisa transformar uma preferência, uma dúvida ou uma avaliação em um número na urna.
Para alguns, foi necessário pesquisar; para outros, acompanhar debates ou observar os acontecimentos dos últimos dias ajudou a definir o voto, mostrando como a escolha dos candidatos pode continuar em aberto até perto da hora de votar.
*Com apoio do repórter Vinícius Viana

