
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não escondeu a insatisfação com a sabatina realizada pelo Jornal Nacional na noite de quinta-feira (27). Antes de participar da caminhada na Liberdade, em Salvador, nesta sexta (28), o petista criticou o formato da entrevista e disse que esperava ter mais espaço para falar sobre propostas e ações do governo.
Durante conversa com jornalistas, Lula afirmou que não esperava perguntas para “agradá-lo”, mas lamentou que assuntos ligados ao seu plano de governo e às realizações dos últimos quatro anos tenham ficado em segundo plano.
“Eu assisti a todas as entrevistas no Jornal Nacional. Eu não reclamo do comportamento do jornalista. Eu nunca espero que o jornalista vá fazer perguntas para me agradar. Foi assim com todos os candidatos”.
Segundo o presidente, ele havia se preparado especialmente para apresentar o que considera os principais resultados de sua gestão e discutir os próximos passos para o país.
“O que é triste mesmo é que você se prepara para discutir propostas para o futuro do Brasil, se prepara para tentar mostrar o que você faz. Eu nunca me preparei tanto, decorando tudo que nós fizemos para que a gente possa mostrar o Brasil”, afirmou.
Perguntas focaram em polêmicas
A reclamação de Lula ocorre após o primeiro bloco da sabatina ser marcado por perguntas relacionadas a assuntos que têm gerado desgaste político para o governo.
Entre os temas abordados estavam as suspeitas envolvendo Lulinha, filho do presidente, em um suposto esquema de tráfico de influência, além das investigações sobre a fraude no INSS e o caso Master.
Lula disse gostar de entrevistas e debates e afirmou que pretende mudar a estratégia durante a campanha eleitoral.
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“Eu queria que vocês soubessem que eu sou um homem de debate. Gosto de debate, gosto de entrevista, gosto de ser provocado, gosto de provocar”.
O presidente também afirmou que pretende aproveitar as viagens pelos estados para apresentar suas propostas ao lado de candidatos aliados.
“Eu decidi que daqui para frente, em cada estado que a gente for, a gente vai tentar trabalhar com os nossos candidatos ao governador e com os nossos candidatos ao Senado, para que a gente possa mostrar com muita clareza as coisas que a gente faz”, disse.
Primeiro ato de rua da campanha
A declaração aconteceu poucas horas antes de Lula participar de seu primeiro grande ato de rua da campanha eleitoral de 2026 em Salvador.
O presidente liderou uma caminhada pelo bairro da Liberdade ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição, e dos candidatos ao Senado Jaques Wagner e Rui Costa, além de outras lideranças políticas.
O evento levou uma multidão às ruas e provocou mudanças no trânsito da região. A escolha da Liberdade também reforçou a estratégia petista de mobilizar a militância e aproximar Lula dos eleitores baianos durante a corrida eleitoral.

