
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, ganhou um novo capítulo envolvendo seu mandato no Senado. A Federação formada por PSOL e Rede Sustentabilidade apresentou nesta sexta-feira (18), um aditamento ao pedido de cassação do parlamentar no Conselho de Ética da Casa.
A solicitação original foi apresentada em maio, depois da divulgação de conversas entre Flávio e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, nas quais o senador tratava de recursos para o filme Dark Horse, produção sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido agora inclui novos fatos publicados pela imprensa nesta semana.
Entre os pontos citados está uma reportagem da Revista Piauí, publicada na quarta-feira (16), segundo a qual Flávio teria utilizado durante a campanha um apartamento em São Paulo que pertenceu a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Imóvel usado durante a campanha
Segundo a reportagem, o imóvel teria sido utilizado por Flávio em agosto para hospedagem, reuniões políticas e gravações relacionadas à campanha eleitoral.
O apartamento, de 158,87 metros quadrados, pertence atualmente à empresa WT Administração de Imóveis e Bens, ligada ao advogado Willer Tomaz. Antes, o imóvel era de Fabiano Zettel, que é citado nas investigações relacionadas ao Banco Master.
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Ainda segundo a Piauí, agentes da Polícia Legislativa do Senado realizaram varreduras de segurança no prédio durante a permanência do senador no local.
A reportagem também afirma que moradores do condomínio buscaram imagens das câmeras de segurança dos dias em que Flávio esteve no imóvel, mas foram informados de que as gravações teriam sido apagadas acidentalmente. Essas informações foram citadas pelo PSOL e pela Rede no novo documento apresentado ao Conselho de Ética.
Flávio Bolsonaro nega ter utilizado o apartamento e afirmou, segundo relatos publicados sobre a reportagem, que ficou hospedado em hotéis na região.
Venda do apartamento também é citada
O aditamento apresentado pelos partidos também menciona a negociação que envolveu o imóvel.
De acordo com a reportagem citada pela federação, o apartamento havia sido comprado por Zettel por R$ 5,5 milhões e posteriormente vendido por R$ 3,5 milhões à empresa ligada a Willer Tomaz.
A transferência teria sido registrada em cartório na mesma data em que Zettel foi preso durante uma fase da Operação Compliance Zero. A operação ocorreu em meio às investigações relacionadas ao Banco Master.
A federação afirma que esses fatos precisam ser analisados pelo Conselho de Ética para verificar se houve eventual quebra de decoro parlamentar.
Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
A relação entre Flávio e Vorcaro já havia aparecido no pedido original de cassação.
Em maio, foram divulgados áudios de conversas entre os dois nas quais Flávio buscava recursos para a produção de Dark Horse. O Senado registrou que o senador mencionava valores de aproximadamente R$ 140 milhões para concluir o filme.
Na época, Flávio afirmou que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024 e que, naquele momento, não havia acusações públicas contra o empresário. O senador também disse que existia um contrato relacionado ao financiamento do filme e que Vorcaro posteriormente deixou de cumprir parcelas previstas.
O senador também defendeu a criação de uma comissão parlamentar para investigar o Banco Master.

