
O ex-deputado federal Uldurico Alencar Pinto foi preso na manhã desta quinta-feira (16) por envolvimento na fuga em massa de 16 detentos do presídio de Eunápolis, em 2024. Ele estava em Praia do Forte, no município de Mata de São João, Região Metropolitana de Salvador (RMS), no momento em que foi preso.
Investigações apontam que o ex-parlamentar negociou R$ 2 milhões para facilitar a fuga de integrantes da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), ligada ao Comando Vermelho (CV).
De acordo com o Ministério Público da Bahia (MP-BA), um dos traficantes que mantinha contato com Uldurico é Ednaldo Pereira de Souza, o "Dada", liderança do PCE. Ainda segundo o MP-BA, Dadá está foragido e se encontra no Rio de Janeiro.
Outros envolvidos
Também foram alvos da operação desta quinta (16) um ex-vereador de Eunápolis e advogado. Foram cumpridos mandados de busca em Salvador, Camaçari, Teixeira de Freitas, Eunápolis e Porto Seguro.
As investigações apontam que a fuga dos internos não teria ocorrido de forma isolada ou fortuita, mas estaria inserida em um contexto de articulação criminosa estruturada, envolvendo integrantes da organização criminosa PCE, e o ex-deputado federal, com a utilização de influência política e institucional.
Operação Duas Rosas
A 'Operação Duas Rosas' foi deflagrada pelo Ministério Público da Bahia (MPBA) por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), unidades da capital e regional Sul, e do Grupo de Atuação Especial em Execução Penal (Gaep).
O nome “Duas Rosas” atribuído à operação faz referência ao valor estimado da vantagem indevida. Ao longo das apurações, verificou‑se que a expressão “rosa” era utilizada de forma codificada para se referir a dinheiro, aparecendo em diálogos e tratativas sob termos como “as rosas”, “quando as rosas vão chorar” ou “choram as rosas”, em alusão ao efetivo pagamento dos valores negociados.
