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Com baiano na jogada, saiba quem pode se tornar sucessor de Lula

Rui Costa aparece entre os nomes cotados para o pós-Lula e disputa espaço com Camilo Santana, Rafael Fonteles e Fernando Haddad

Já existem conversas para escolha do sucessor de Lula
Já existem conversas para escolha do sucessor de Lula |  Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A eleição presidencial de 2026 mal terminou, mas uma pergunta já começa a rondar os corredores de Brasília: quem será o sucessor de Lula?

Reeleito no domingo (25) para mais quatro anos no Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 64.256.232 votos, ou 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL).

Desta vez, porém, existe um detalhe importante. Pela regra atual da Constituição, um presidente pode ser reeleito apenas para um período consecutivo. Como Lula venceu em 2022 e novamente em 2026, não poderá concorrer a um terceiro mandato seguido em 2030, salvo uma mudança constitucional.

Ou seja: querendo ou não, o PT terá quatro anos para resolver um problema que acompanha o partido há décadas — encontrar alguém capaz de herdar o capital político de Lula.

E tem baiano nessa briga.

O próprio Lula já deu algumas pistas

Não se trata apenas de especulação. Durante a campanha deste ano, Lula foi questionado sobre quem poderia assumir a liderança de seu campo político depois dele e colocou alguns nomes sobre a mesa.

Entre os citados estavam Rui Costa, Camilo Santana, Rafael Fonteles, Fernando Haddad, João Campos e Guilherme Boulos. Na ocasião, Lula avaliou que o grupo possui bons quadros, mas ressaltou que lideranças nacionais precisam ser construídas.

A eleição acabou dando ainda mais força a três deles.

Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, Lula reorganizou sua campanha e colocou Camilo Santana, Rui Costa e Rafael Fonteles, três nomes do Nordeste, em posições estratégicas.

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Camilo passou a cuidar da coordenação política, Rui ficou responsável pela agenda e Fonteles ganhou espaço na comunicação da campanha. A virada no segundo turno naturalmente valorizou o trio dentro do PT.

Rui Costa: tem baiano querendo voar mais alto?

O nome que interessa diretamente aos baianos é Rui Costa.

Ex-governador da Bahia por dois mandatos e ex-ministro da Casa Civil de Lula, Rui acaba de conquistar outro ativo importante para qualquer projeto presidencial: um mandato de oito anos no Senado.

O petista foi eleito no primeiro turno com 4.335.196 votos, equivalente a 30,1% dos votos válidos para o cargo. A partir de fevereiro de 2027, dividirá a representação da Bahia no Senado com Jaques Wagner e Otto Alencar.

Rui já passou por praticamente todas as etapas da política. Foi vereador de Salvador, deputado federal, secretário estadual, governador por oito anos, ministro de uma das pastas mais poderosas do governo federal e, agora, será senador.

Ao falar sobre possíveis lideranças para o futuro, o presidente lembrou que Rui foi um “belo governador da Bahia” e o colocou no mesmo grupo de nomes que precisam ganhar dimensão nacional.

O desafio está justamente aí.

Apesar de possuir currículo e força eleitoral na Bahia, Rui ainda precisaria transformar o peso político que possui no estado em reconhecimento nacional. Essa mesma dificuldade é apontada para outros nomes nordestinos colocados na disputa pelo pós-Lula.

Por outro lado, ele chega a 2030 com algo precioso: mandato. Mesmo que não seja o escolhido para disputar o Planalto, terá uma cadeira no Senado garantida até 2035.

Rui Costa entrou na briga para suceder Lula
Rui Costa entrou na briga para suceder Lula | Foto: Uendel Galter/Ag. A Tarde

Camilo Santana ganhou moral na virada

Talvez um dos nomes que mais tenha saído fortalecido da eleição seja o cearense Camilo Santana.

Ex-governador do Ceará, senador e ex-ministro da Educação, Camilo recebeu uma das tarefas mais pesadas depois do primeiro turno: ajudar na coordenação política da campanha de Lula.

A missão ganhou ainda mais importância porque Lula precisava virar uma eleição que havia terminado com Flávio Bolsonaro na frente na primeira rodada.

Virou.

E Camilo passou a ser citado com ainda mais força nos bastidores como possível nome para 2030. Nesta segunda-feira (26), um dia após a vitória, ele já aparece entre os cotados para assumir a Casa Civil no quarto governo Lula, movimento que poderia aumentar sua projeção nacional.

Camilo também carrega um ativo importante: o Ceará. Lula já destacou publicamente o desempenho político do aliado no estado ao falar sobre a formação de novas lideranças.

Uma passagem pela Casa Civil colocaria o cearense exatamente no centro das decisões do Planalto durante os quatro anos que antecedem 2030.

Nada mal para quem pretende entrar na fila.

Camilo Santana ganhou moral com a virada de Lula
Camilo Santana ganhou moral com a virada de Lula | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Rafael Fonteles: o mais jovem da turma

Se Rui representa experiência e Camilo chega embalado pela articulação política, Rafael Fonteles aparece como a possibilidade de renovação geracional dentro do PT.

Aos 41 anos, o governador do Piauí acaba de ser reeleito ainda no primeiro turno com números que chamaram atenção: 1.436.697 votos e 70,90% dos válidos.

Fonteles é formado em Matemática, tem mestrado em Economia Matemática pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e foi secretário da Fazenda do Piauí antes de assumir o governo estadual.

No segundo turno presidencial, foi colocado à frente da área de comunicação da campanha de Lula. Agora, seu nome já é ventilado para um cargo ainda maior: o Ministério da Fazenda.

Segundo informações de bastidores publicadas nesta segunda-feira (26), dirigentes petistas enxergam uma eventual ida de Fonteles para a Fazenda também como forma de projetá-lo nacionalmente de olho em 2030. Para isso, porém, ele teria de abrir mão do novo mandato de governador.

Lula também já fez elogios públicos ao piauiense, chamando-o de um quadro político jovem e destacando Fonteles quando provocado sobre seus possíveis sucessores.

Se topar trocar Teresina por Brasília, pode passar os próximos anos com uma vitrine nacional difícil de ignorar.

Rafael Fonteles é o mais novo dos possíveis sucessores de Lula
Rafael Fonteles é o mais novo dos possíveis sucessores de Lula | Foto: Divulgação/Governo do Piauí

Haddad ainda está no jogo?

Se existe alguém que há anos carrega o rótulo de “herdeiro de Lula”, esse alguém é Fernando Haddad.

Foi escolhido pelo próprio petista para disputar a Presidência em 2018, quando Lula ficou impedido de concorrer, e chegou ao segundo turno daquela eleição.

Também comandou os ministérios da Educação e da Fazenda, além da Prefeitura de São Paulo.

Em agosto deste ano, Lula voltou a elogiar o aliado e afirmou que Haddad possui “potencial de crescimento extraordinário”, embora tenha ponderado que ele ainda precisava desenvolver características de liderança.

O problema de Haddad está nas urnas.

Ele perdeu a eleição para o governo de São Paulo em 2026 e chegou à quarta derrota eleitoral consecutiva, depois dos reveses para a Prefeitura de São Paulo em 2016, Presidência em 2018 e governo paulista em 2022.

Mesmo assim, está longe de estar descartado.

Após a reeleição de Lula, Haddad voltou a ser apontado como um possível sucessor natural dentro do PT e pode ganhar uma posição de destaque no próximo governo. A Casa Civil é uma das possibilidades ventiladas nos bastidores.

Ele tem uma vantagem que Rui, Camilo e Fonteles ainda buscam: já disputou uma eleição presidencial e possui reconhecimento nacional.

O problema é transformar esse conhecimento em vitória.

Tem gente correndo por fora

O pós-Lula também pode não ficar exclusivamente nas mãos do PT.

Dois dos nomes citados pelo próprio presidente pertencem a outros partidos: João Campos, do PSB, e Guilherme Boulos, do PSOL.

João tentou dar um salto político em 2026 ao disputar o Governo de Pernambuco, mas acabou derrotado por Raquel Lyra no primeiro turno. O ex-prefeito do Recife recebeu 44,78% dos votos, contra 53,27% da governadora reeleita. Apesar do revés, continua presidindo o PSB e é tratado como uma das lideranças jovens do campo aliado.

Boulos, por sua vez, ganhou experiência dentro do próprio Palácio do Planalto ao ocupar a Secretaria-Geral da Presidência e também foi citado por Lula entre os políticos capazes de crescer nacionalmente.

Geraldo Alckmin, atual vice-presidente, também aparece em análises sobre 2030. O problema é que uma candidatura de alguém de fora do PT exigiria que o partido abrisse mão da cabeça de chapa, algo que historicamente enfrenta resistência interna.

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