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Sem papas na língua - 16/10/2022, 09:53 - Everton Santos - Atualizado em 16/10/2022, 14:24

Carballal critica gestões carlistas com moradores do Mané Dendê

Para ele, a tônica do processo de desapropriação em nome da revitalização tem sido marcada pela oferta de valores irreais nos imóveis

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Reprodução |  Foto: Reprodução

Henrique Carballal (PDT), vereador de Salvador, criticou a postura da prefeitura de Salvador nas gestões carlistas de ACM Neto (União Brasil) e Bruno Reis nas negociações com os moradores do Mané Dendê, no Subúrbio de Salvador. O parlamentar avaliou que os relatos presentes na matéria do jornal A Tarde deste domingo (16) demonstram que a prioridade do ex-prefeito e seu sucessor nunca esteve relacionado com o bem da população.

"Eles não se importam com a população. O interesse deles em promover a revitalização no Mané Dendê é um só: expulsar quem mora lá. O ex-prefeito e o atual não gostam de gente, não respeitam, não enxergam valor nas pessoas. É muito triste ler o relato dos moradores da região e ver como eles estão sendo tratados pela prefeitura, um órgão que deveria pensar no bem da cidade e não em interesses financeiros", afirmou Carballal.

Para ele, a tônica do processo de desapropriação em nome da revitalização tem sido marcada pela oferta de valores irreais nos imóveis, destrato com os moradores e descaso da gestão municipal.

"Uma coisa fique clara, se eles tivessem fazendo isso de forma justa e correta, pelo bem da população, seria uma atitude louvável. Mas, a gente sabe muito bem qual é o interesse dessa desapropriação dos moradores do Mané Dendê. Eles não ligam para a população, não vai demorar para expulsarem todo mundo e colocarem prédios multimilionários ali. Este é o real interesse deles com a área", complementou o edil.

Luiz Antônio de Souza, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil – Departamento Bahia (IAB-BA), fez uma avaliação ao jornal que a proposta está sendo realizada sem discussão com a população e que esta postura tende a significar que as obras são utilizadas para expulsar as pessoas da região. Assim como ocorreu com a revitalização do Pelourinho, proposta por Antônio Carlos Magalhães.

“Por isso, devemos questionar a quem esse tipo de intervenção interessa. Os discursos, em sua maioria, giram em torno da melhoria da condição de vida dos moradores, mas a verdade é que intervenções desse tipo não têm como foco principal a população que mora ali, e sim a atração de investimentos para essas áreas, porque a cidade de Salvador é vista pelo poder público como uma oportunidade de negócios”, afirmou o presidente do IAB-BA.

A professora e pedagoga Maria José Bispo Silva, 54 anos e moradora do Mané Dendê há 43, relatou que as reuniões com a prefeitura são marcadas pelo destrato da gestão municipal. A professora relatou que o sentimento que prevalece na comunidade é o de medo e de não ser a quem recorrer, por se tratar de uma atitude do poder público contra eles.

“Nós fomos para uma reunião que seria de negociação, mas que na verdade é uma imposição. Eles disseram: ‘o que vamos pagar é isso, ou a senhora aceita, ou vá contestar na Justiça – e se a senhora for à Justiça, sabe que isso vai se estender’. E realmente vai. Eu me sinto completamente coagida e oprimida. Não quero sair de minha casa, ninguém ali vai sair por querer. Estamos sendo forçados. E se é para a gente sair, que a Prefeitura valorize o que a gente tem, para que a gente não vá para um lugar pior do que tem hoje. Vale lembrar que o discurso deles no meio disso tudo é que eles estão fazendo um trabalho de valorização da vida humana. No projeto, eles dizem que iriam nos ressarcir ‘o valor material e imaterial’ perdido com essa requalificação. Eles já não estão valorizando o valor material, imagine o imaterial. Uma das sugestões da assistente social foi que a gente pegasse o dinheiro que eles querem dar, com o valor reduzido, ‘completasse e comprasse outra’. A pergunta é: completar com o que? É uma sugestão imoral. Você construir sua casa e ver demolirem sua história... Eu não vou aguentar. A gente fez tudo, cavou, fez as ferragens, carregou bloco por bloco, trançou concreto, ajudou pedreiro, fez melhorias... (chorando) Não vou aguentar ver derrubarem a minha casa", relata a professora.

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