
O esquema de extorsão atribuído ao Comando Vermelho (CV) contra comerciantes em Salvador, voltou ao centro das investigações nesta quarta-feira (5), durante a Operação Ágio. Segundo a Polícia Civil, a cobrança ilegal, conhecida como "taxa do crime", faz parte da estratégia da facção para manter o controle de áreas da capital baiana.
Esse mesmo tipo de extorsão teria motivado o assassinato do revendedor de gás Gerson Leopoldino de Andrade, morto a tiros em agosto de 2023 na Baixa do Tubo, após se recusar a pagar R$ 7 mil ao CV, no bairro de Cosme de Farias.
Embora a operação não investigue diretamente o homicídio, o delegado Ernandes Júnior explica que o caso de Gerson do Gás entra no conjunto de ocorrências analisadas pela Polícia Civil durante a apuração, que resultou na ofensiva desta quarta.
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Segundo o delegado, a investigação reúne diferentes episódios registrados na região para entender a atuação da facção e identificar seus integrantes:
"Foi um ano de investigação, um ano de trabalho com inteligência, de integração e conseguimos, no dia de hoje, deflagrar essa operação chamada Ágio, justamente para tirar de circulação essas pessoas que insistem em tentar o controle territorial."

Como funciona a 'taxa do crime'?
Ainda segundo o agente, a cobrança não atinge apenas comerciantes tradicionais. A Polícia Civil identificou que diferentes profissionais eram obrigados a pagar valores à facção para continuar trabalhando nas áreas dominadas pelo grupo.
"Levantamos todos os comércios que estavam sendo extorquidos por essa facção criminosa, não só comércios, como provedores de internet e pessoas que vendem gás."
O delegado afirma que essas informações foram reunidas ao longo da investigação e embasaram os mandados de prisão preventiva cumpridos durante a Operação Ágio. "Conseguimos materializar tudo isso, colocar em inquérito policial e, por isso, hoje conseguimos diversos mandados de prisão preventiva."
A Polícia Civil sustenta que a extorsão é uma das principais formas de atuação financeira do Comando Vermelho na região. Além de comerciantes, a investigação também aponta que prestadores de serviço também eram obrigados a pagar a chamada "taxa do crime" para exercer suas atividades.

