Alunos expõem reflexões sobre bullying e violência em teatro da PM

Projeto social leva conscientização para adolescentes em escola de Salvador

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PELO CERTO - 29/04/2026, 10:00 - Bruno Dias- Atualizado em 29/04/2026, 10:27

Além das operações, rondas e ações nas ruas, a Polícia Militar, por meio do Departamento de Comunicação Social, também age em projetos sociais nas comunidades, com a distribuição de serviços com foco em ajudar a população. Na segunda-feira (27), a corporação realizou uma apresentação voltada à conscientização dos alunos.

A iniciativa do Grupo de Teatro da Polícia Militar da Bahia ocorreu na Escola Pequena Estrela, localizada em Itapuã. No local, cerca de 175 alunos entre os ensinos fundamental e o méo assistiram uma apresentação sobre ações de Combate ao Bullying e à Violência Escolar, roteirizada e apresentada pelos próprios agentes.

A trama central gira em torno de uma personagem chamada Ana, uma adolescente que sofre com bullying presencial e na internet, desencadeando isolamento social, crise de ansiedade e automutilação. Mesmo sem contar, ela recebe apoio de uma professora, além da família e de rondas escolares.

Conscientização dos alunos

A ideia foi pensada pela Sargento Eliana Oliveira, do DCS. Após acompanhar toda a apresentação de perto, além da recepção dos alunos, a reportagem do MASSA! conversou com a policial, que afirmou ter se inspirado na própria história, adicionada a outros elementos criativos para criar o roteiro e inspirar os estudantes.

“A peça, ela surge de memórias, de vivências, porque a maioria de nós já sofreu bullying na infância e, no passado, havia uma outra forma de abordagem. Hoje em dia, com o avanço da tecnologia, o bullying ele sai da sala de aula. Nas redes sociais, as coisas acontecem com uma velocidade muito grande e o sofrimento desses jovens, eles passam a ser mais intensos e cada vez mais violentos”, contou.

Atividade aconteceu na Escola Pequena Estrela
Atividade aconteceu na Escola Pequena Estrela | Foto: Bruno Dias / Portal MASSA!

A partir deste pensamento, o grupo explicou os perigos da dinâmica do bullying e que, desde janeiro de 2024, passou a ser considerado crime, conforme a Lei 14.811/2024. As penalidades são multa e reclusão.

Aspas

Do palco dá para perceber

“A gente já consegue mapear mais ou menos as crianças que estão passando por aquilo, as crianças que também fazem. Muitos até não tem, não tem consciência do dano que tá causando ao outro, então todos se envolvem, prestam muita atenção e a reação é sempre muito positiva”, acrescentou.

Projeto antigo

Com quase 30 anos em serviço e centenas de escolas visitadas, o projeto da Polícia Militar amplia as atividades com novas ideias. Além do bullying, outras temáticas também são abordadas em colégios públicos, abrigos, asilos, entre outros lugares. Ao MASSA!, a tenente Bárbara Soares contou mais detalhes.

“O grupo de teatro vem dialogando com a sociedade sobre temas relevantes como racismo, homofobia, o uso de entorpecentes entre jovens, violência contra a mulher e recentemente a gente vem abordando o bullying que também recentemente foi tipificado no Código Penal como crime”, iniciou.

Tenente Bárbara Soares
Tenente Bárbara Soares | Foto: Bruno Dias / Portal MASSA!

Composto por 13 agentes, cada um tem sua função: “Esses policiais militares eles encenam, eles criam, eles cantam e dançam, utilizando toda a arte como ferramenta para poder abordar temas no intuito de orientar, conscientizar e alertar sobre contravenções e crimes”.

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Esses policiais militares eles encenam, eles criam, eles cantam e dançam

Desabafo dos alunos

Entre olhares vidrados, lacrimejados e atenção dobrada, o auditório da Escola Pequena Estrela foi impactado pela peça, arrancando aplausos das crianças. Após a apresentação, a reportagem do MASSA! conversou com dois alunos de diferentes idades, que destacaram a importância da iniciativa para a conscientização.

Mesmo novinho, Gustavo Rangel, de 13 anos, desabafou que já sofreu bullying e se emocionou ao relembrar os casos sofridos durante a peça.

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Quando eu estava assistindo a peça, eu chorei um pouco

“Gostei bastante, pois quando eu era menor, já sofri bullying, só que eu nunca compartilhei isso. Me identifiquei com algumas coisas e depois eu fiquei bastante feliz com a peça”, relatou.

Alunos aplaudindo a apresentação
Alunos aplaudindo a apresentação | Foto: Bruno Dias / Portal MASSA!

Mariana Bezerra, de 16 anos, descreveu a apresentação como um mar de sentimentos e angústias. Para ela, a temática deveria ser ampliada para conscientizar também outras faixas etárias.

“Creio que esse assunto deveria ser tratado mais nas escolas, porque não é somente as crianças que sofrem esse tipo de prática. Também pode ocorrer entre a equipe e os funcionários. Então, deveria ser uma palestra para abordar as crianças e os adultos, porque não é somente no meio das crianças, o infantil e os adolescentes. Os adultos também sofrem isso”, comentou.

A iniciativa, focada em conscientizar as pessoas, também mostra que a PM é muito mais do que conflitos armados, guerra entre facções e violência. A corporação é formada por servir, ajudar e instruir a população.

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