Uma ossada humana encontrada dentro de um tanque em um terreno no bairro da Barra, em Salvador, abriu uma investigação que ainda tem mais perguntas do que respostas. O imóvel fica nas proximidades do Morro do Cristo, ponto turístico bastante frequentado da capital baiana.
Os restos mortais foram localizados no domingo (3). Diante da descoberta, a reportagem do MASSA!esteve na 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico), do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), para apurar as circunstâncias da morte.
De acordo com uma fonte policial, que preferiu não se identificar, a principal suspeita é de que a ossada pertence a uma mulher e estaria no local há cerca de três meses. O esqueleto foi encontrado por um trabalhador que chegou ao imóvel para realizar um serviço de limpeza em uma casa abandonada e, ao acessar uma área mais isolada da residência, se deparou com os restos mortais.
"Quando a casa ficou abandonada, eles pagaram um cara para fazer um contrapiso e limpar uma cisterna lá. Quando o cara foi fazer o serviço, fez o contrapiso e depois foi fazer a limpeza. Aí encontrou o esqueleto", disse.
Principal linha de investigação
Apesar da gravidade da ocorrência, a investigação, neste momento, não aponta de forma conclusiva para homicídio. Ainda assim, nenhuma hipótese foi descartada. Entre as possibilidades analisadas estão lesões por agressão, disparo de arma de fogo ou golpe de faca. Também existe a chance de a mulher ter entrado no imóvel e passado mal.
“É uma incógnita, da qual eu não sei se a gente vai conseguir chegar ao final, pelo tempo que passou de decomposição. Até porque é uma coisa que causa estranheza. Tudo indica que é uma mulher pela roupa que estava lá”, afirma à reportagem.
A vítima ainda não foi identificada. Segundo o delegado, até o momento não há registros compatíveis no setor de pessoas desaparecidas, nem familiares procurando por alguém com as características observadas, o que torna o trabalho de identificação ainda mais complexo.
Ele também relatou ao MASSA! que a casa era alugada e utilizada apenas no período do Carnaval como camarote. O corpo estava em um ponto isolado do imóvel, afastado da área principal. Porém, a fonte descarta que tenha sido um crime ocorrido na folia.
“Pode ser que a mulher seja uma turista que estava aqui. Pelo sistema de esqueletização em que ela estava ali, eu não acredito que tenha sido no Carnaval. Tem mais tempo”, aponta.
Próximos passos
Sem registro de familiares ou queixa de desaparecimento, os questionamentos a respeito da identidade da vítima e da dinâmica do caso ficam ainda mais acirradas. Investigações seguem em curso, mas os esclarecimentos serão possíveis após laudo do DPT.
"O dono da casa chegou aqui, apresentou o contrato. Agora a gente vai chamar o representante da empresa que arrumou a casa, porque é o cliente que pode saber o que aconteceu", explica.
A gente está procurando. Porque existem duas maneiras de investigar um crime: pelo local do crime ou pela vítima
O que falta esclarecer
Após resultados das análises do Departamento de Polícia Técnica (DPT), que devem ser liberados em torno de 30 dias, a Polícia Civil busca esclarecer:
🚔 As possíveis causas da morte;
🚔Se o local onde a ossada foi encontrada é o cenário do ocorrido ou apenas ponto de ocultação do corpo;
🚔 A identificação da vítima, por meio de exames de DNA;
🚔O direcionamento das próximas linhas de investigação.