
Onze anos após o assassinato de Geovane Mascarenhas de Santana, o Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, é palco, nesta segunda-feira (27), do julgamento de sete policiais militares acusados de um dos crimes mais cruéis da história recente da Bahia. O jovem, que tinha 23 anos e era torcedor apaixonado do Bahia, foi abordado, sequestrado, torturado e teve seu corpo mutilado, com partes descartadas em locais diferentes da capital baiana.
Os réus: Cláudio Bonfim Borges, Jesimiel da Silva Resende, Daniel Pereira de Sousa Santos, Alan Morais Galiza dos Santos, Alex Santos Caetano, Roberto dos Santos Oliveira e Jailson Gomes Oliveira, respondem por homicídio qualificado, roubo qualificado e ocultação de cadáver.
"Coração machucado"
Para Jurandyr Silva de Santana, pai de Geovane, o início do júri traz à tona um sofrimento que se arrasta por mais de uma década. "O coração está machucado. São 12 anos nessa luta e não é fácil. Quem fez o erro que pague. Eu não estou aqui para julgar ninguém, quem julga é a justiça", desabafou Jurandyr, que descreveu o filho como um jovem sonhador, trabalhador e um parceiro de vida.
O pai relembrou a última vez que viu o filho: "Ele saiu para fazer umas comprinhas para fazer uma lasanha. Foi abordado, apanhou, jogaram no fundo da viatura."
Torturaram ele vivo, arrancaram cabeça e mão
Jurandyr ressaltou ainda a ausência de respostas sobre a motivação. "Até hoje a moto dele não apareceu, um relógio que ele estava no braço não apareceu. É uma pergunta que não tem resposta e agora não tem volta", recordou.
A busca por condenação
O advogado da família, Paulo Kleber, reforçou a expectativa por uma sentença condenatória, destacando as dificuldades enfrentadas durante o processo. "A defesa dos policiais tentou a todo momento desqualificar Geovane e o pai dele, usando a velha tática de atacar a pessoa e não os fatos. A nossa expectativa hoje é condenação", afirmou.
Queremos 50 anos de pena
Kleber também pontuou o papel fundamental da imprensa e do Ministério Público da Bahia (MP-BA) na manutenção da verdade dos fatos ao longo desses 11 anos. "A verdade ela não muda, ela é uma só. Se não for hoje, vai ser amanhã, mas eles sairão daqui condenados", concluiu o advogado.
O julgamento, que teve início às 8h, deve se estender pelos próximos dias devido à complexidade do caso e ao número de acusados.
Ao portal A TARDE, a SSP-BA informou que "ressalta que todas as informações referentes às investigações realizadas pelas Polícias Civil e Militar foram repassadas para o Poder Judiciário".
