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OCORREU EM PERNAMBUÉS - - Atualizado em

Laudo diz que acusado de matar criança Aisha não sabia o que fazia

Exame de Joseilson Souza da Silva aponta esquizofrenia paranoide e retardo mental

Joseilson Souza da Silva foi preso após o crime no bairro de Pernambués
Joseilson Souza da Silva foi preso após o crime no bairro de Pernambués |  Foto: Reprodução/Record Bahia

Um laudo de sanidade mental realizado com Joseilson Souza da Silva, acusado de matar uma menina de 8 anos em Salvador, apontou que ele não tinha plena capacidade de compreender a gravidade dos atos praticados contra a criança nem de controlar o próprio comportamento no momento do crime. O documento foi elaborado em dezembro de 2025 pela equipe de psiquiatria do Conjunto Penal Masculino de Salvador e obtido pela reportagem do MASSA!.

O crime ocorreu em 23 de julho de 2024, no bairro de Pernambués. Segundo as informações do processo, a vítima, que era vizinha de Joseilson, foi estuprada e estrangulada. Depois de matá-la, o acusado teria escondido o corpo sob entulhos durante a madrugada. O exame também apontou que Joseilson apresenta esquizofrenia paranoide e deficiência intelectual leve.

O laudo psiquiátrico foi anexado ao processo em janeiro de 2026, o que provocou uma reação imediata do Ministério Público da Bahia (MP-BA). O órgão não apenas contestou o resultado do exame, mas também questionou os métodos e instrumentos técnicos utilizados na avaliação do detento. Para o MP-BA, o exame deveria ser invalidado.

Vítima foi identificada como Aisha Vitória Santos da Silva
Vítima foi identificada como Aisha Vitória Santos da Silva | Foto: Reprodução/Acervo pessoal

Negativa

A Justiça rejeitou o pedido do MP-BA para invalidar o laudo, mas determinou a realização de um exame complementar, já que foi compreendido que não havia irregularidades formais ou materiais que justificassem a anulação da perícia.

Em maio, Joseilson foi transferido do Conjunto Penal Masculino de Salvador para o Hospital Especializado Juliano Moreira. A internação ocorreu em 28 de maio, mas durou apenas cinco dias. Em 2 de junho, o hospital informou à Justiça que ele apresentava condições de receber alta e retornar ao convívio social.

A informação provocou nova reação do MP-BA. A Promotoria afirmou que seria difícil considerar superada ou estabilizada em menos de uma semana uma perturbação mental supostamente grave.

O órgão também voltou a questionar o fato de o laudo ter sido elaborado após uma única entrevista entre o psiquiatra e Joseilson, sem que ele fosse submetido a um acompanhamento prolongado ou avaliação multidisciplinar. Para a Promotoria não ficou claro quais métodos foram usados na avaliação e que instrumentos foram aplicados para verificar os sintomas.

O MP-BA também sustenta que as provas reunidas no processo indicariam que Joseilson agiu de forma consciente e premeditada, já queele teria decidido faltar ao trabalho para atrair a vítima e utilizado uma boneca como estratégia para se aproximar da criança.

O órgão também pediu, portanto, que Joseilson permaneça preso até que uma nova perícia determine sua real condição mental. Até o momento, a nova avaliação das condições psíquicas de Joseilson não foi realizada.

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