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Triângulo mortal - 18/07/2026, 08:25 - Nilson Marinho

Ex-amante em caso de ataque com ácido ainda não foi julgada

Enquanto a mulher da vítima foi condenada e presa, ex-amante dela está solta

Edson e Gilmara, na foto ao lado, Rosilene
Edson e Gilmara, na foto ao lado, Rosilene |  Foto: Arquivo pessoal

Gilmara Sena das Mercês Silva, condenada a mais de 23 anos de prisão pela morte do marido, Edson Silva, atacado com ácido por homens no Vale dos Barris, em Salvador, em 2014, foi presa na quarta-feira (15), ao deixar a Estação Campo da Pólvora, na capital baiana, embora a condenação tenha sido proferida em 2024.

Outra peça importante do caso, no entanto, ainda não enfrentou o Tribunal do Júri: Rosilene dos Santos Neiva, ex-amante de Gilmara. Ela é acusada de ter planejado o crime ao lado da condenada, com quem mantinha um relacionamento, em um suposto triângulo amoroso.

O processo criminal contra Rosilene foi suspenso pela 1ª Vara do Tribunal do Júri de Salvador até que seu estado de saúde mental seja esclarecido. A medida foi adotada após a defesa apresentar um relatório médico indicando que a acusada apresenta um possível quadro de esquizofrenia. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) concordou com a realização de uma perícia psiquiátrica.

Diante disso, a Justiça determinou que Rosilene fosse submetida a um exame de sanidade mental para verificar se ela realmente sofre de transtorno mental e se a condição já existia à época do crime. Em razão da necessidade da perícia, o processo foi desmembrado para que o julgamento de Gilmara pelo Tribunal do Júri não fosse adiado.

Um dia após a prisão de Gilmara, a Justiça proferiu uma nova decisão sobre o processo de Rosilene. O juiz manteve a ação penal suspensa e determinou a realização de um novo exame de sanidade mental para verificar se a acusada recuperou sua capacidade psíquica e pode voltar a responder ao processo. Caso a perícia conclua que ela restabeleceu sua capacidade mental, a ação penal voltará a tramitar normalmente.

Gilmara foi julgada e condenada; Rosilene aguarda júri
Gilmara foi julgada e condenada; Rosilene aguarda júri | Foto: Divulgação/Polícia Civil

Início do amor fatal

Gilmara e Rosilene mantiveram um relacionamento amoroso que durou cerca de sete meses, mesmo Gilmara sendo casada com Edson. Segundo a denúncia do Ministério Público, inicialmente Edson participava da relação. No entanto, a própria Rosilene afirmou nos autos que jamais teve qualquer envolvimento com a vítima e que sua única ligação afetiva e sexual era com Gilmara.

Ainda conforme a denúncia do MP, esse suposto triângulo amoroso começou a ruir quando Rosilene deixou de pagar uma quantia em dinheiro que havia tomado emprestada com Edson. Ela teria utilizado diversas desculpas, como mortes de parentes e falsos sequestros, para justificar o não pagamento da dívida, que inicialmente era de R$ 3 mil, mas, com o passar do tempo, teria dobrado de valor.

Gilmara e Rosilene, que haviam se conhecido na festa de uma amiga em comum e se aproximado por meio das redes sociais, chegaram a romper o relacionamento durante um determinado período, por iniciativa de Gilmara. Rosilene, no entanto, não teria aceitado o fim da relação e reagido de forma intimidatória e com forte apelo emocional.

Em um áudio anexado ao processo, Rosilene afirma que não conseguia se imaginar longe da amada e que faria qualquer coisa para tê-la novamente em seus braços. Ela chegou a ameaçar ir até a casa de Gilmara ou à academia que ela frequentava para fazer uma declaração pública de amor.

Gilmara e Edson
Gilmara e Edson | Foto: Arquivo pessoal

Ataque

Na tarde de 17 de dezembro de 2014, por volta das 18h, no Vale dos Barris, dois homens arremessaram ácido contra Edson, que estava dentro do carro ao lado da filha e de Gilmara, então menor de idade, sentada no banco do passageiro. Segundo a denúncia do MP-BA, o atentado foi planejado e encomendado por Rosilene e Gilmara.

Após o ataque, Edson foi socorrido e levado para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde permaneceu internado por meses, mas não resistiu às graves lesões provocadas pelo ácido. A filha sofreu ferimentos menos graves e sobreviveu.

De acordo com o Ministério Público, Gilmara também teria informado aos executores o horário exato em que o marido sairia de casa para buscar a filha em uma ótica. Ela ainda teria sugerido que Edson trocasse a calça por uma bermuda, para que mais partes do corpo ficassem expostas, facilitando a ação dos criminosos e potencializando os efeitos do ácido.

O MP afirma ainda que, poucos dias antes do atentado, Gilmara e Rosilene teriam contratado um homem conhecido pelo apelido de "Maluco" para matar Edson. Na ocasião, a vítima foi atacada com uma barra de ferro, mas sobreviveu porque usava capacete.

Inocência?

A defesa de Gilmara sustentou no processo que o próprio Edson, enquanto estava internado no HGE, afirmou suspeitar que apenas Rosilene teria planejado o ataque, já que ela teria feito ameaças após o fim do relacionamento entre as duas. Os advogados também apresentaram depoimentos de testemunhas que relataram que Gilmara permaneceu ao lado do marido durante todo o período de internação, prestando assistência até a morte dele.

Ao ser presa na quarta-feira (15), Gilmara voltou a negar participação no crime. Segundo ela, não planejou a morte do marido e Rosilene seria a única responsável pelo atentado.

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