
A história envolvendo a morte do jovem mototaxista Ícaro Santana Rocha, de 22 anos, em 19 de maio deste ano, impactou os moradores do bairro de Plataforma, em Salvador, principalmente pela dinâmica do caso. A vítima foi executada a tiros pelo próprio amigo de infância, chamado Kauan Pereira Gusmão da Silva, também de 22 anos, preso nesta quinta-feira (6), no mesmo bairro.
Segundo apurações do MASSA!, os dois se conheciam desde pequenos, eram vizinhos e compartilharam momentosde parceria. Porém, tudo mudou quando Kauan se aliou ao Bonde do Maluco (BDM) e se tornou 'Baca', seu vulgo no mundo do crime. Cismado com o caminho ilegal do amigo, Ícaro decidiu se afastar e não manter o contato.
Para entender mais sobre o caso, a reportagem conversou com o delegado Gustavo Ruiz, títular da 3ª DH/Baía de Todos-os-Santos e responsável pelas investigações do caso. Segundo o procurador, Ícaro não queria mais aproximação com Kauan por discordar da vida criminosa e recusou um chamado para fazer parte do BDM.
"As apurações apontam que o Ícaro foi assassinado em razão da negativa de integrar a organização criminosa da qual o Kauan fazia parte. Os dois eram amigos de infância. O Ícaro levava uma vida honesta como mototaxista, enquanto o Kauan já integrava o quadro de uma organização criminosa que atua no bairro de Plataforma", explica.

Arapuca e execução
Cansado das insistências de Kauan, Ícaro optou por bloqueá-lo das redes sociais. No entanto, o jovem persistiu e marcou um encontro com a vítima, supostamente de forma amigável. Ao chegar no local acordado, na Primeira Travessa Laurindo Cerqueira, na escadaria de acesso à Praça 15 de Abril, em Manuel Monte, em Plataforma, Ícaro foi executado.

Apesar de ter articulado todo o assassinato, Kauan não esteve sozinho. Investigações da Polícia Civil indicam que outro indivíduo participou da ação, como reforço na execução, apesar de não ter puxado o gatilho. O MASSA! apurou que se trata de um indivíduo apenas identificado como 'Galego'.
"Por parte do Cauã, houve a negativa de autoria em sede de interrogatório. Mas as testemunhas diretas afirmam que foi o Cauã quem enviou as mensagens que atraíram o Ícaro para a morte", conta.
Foi vontade do Cauã. O inconformismo dele em se ver numa posição de poder, na cabeça dele, e não aceitar que o amigo deixasse de falar com ele e de procurá-lo em razão da escolha de vida do Cauã.
delegado Gustavo Ruiz
Más escolhas
Ainda de acordo com a apuração do MASSA!, Ícaro, Kauan e outros jovens faziam parte do mesmo grupo de amigos de infância. Mesmo coligados pelas memórias, eles seguiram caminhos diferentes.
Até o momento, a reportagem apurou que apenas Kauan, o 'Galego' e mais um rapaz, cuja identidade não foi divulgada, estão ligados à facção BDM e faziam parte do mesmo grupo de amigos junto de Ícaro.
Kauan teria ascendido como gerente da quadrilha na região e teria sido supostamente encarregado para 'convocar' Ícaro ao BDM. Quando recebeu a negativa do amigo, ele não gostou da recusa do amigo, e teve medo da facção subjulgá-lo por não concluir a missão. Diante disso, o suspeito optou por matar o companheiro de juventude.
"Ele se viu como aplicador da lei e fez isso: julgou e executou o Ícaro a sangue frio. Só que a Terceira Delegacia está imbuída nas investigações, conseguiu chegar ao paradeiro dele e logrou dar cumprimento ao mandado de prisão, razão pela qual ele está à disposição da Justiça agora", detalhou o delegado.
Atrás das grades
Kauan foi capturado por equipes da 3ª Delegacia de Homicídios (DH/BTS), com o apoio da Coordenação de Operações e Inteligência (COI) do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Ele foi encaminhado à uma delegacia, onde teve cumprido o mandado de prisão temporária e permanece custodiado à disposição do Poder Judiciário.
Veja o momento da prisão de Kauan:

