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Investigação - 13/06/2026, 08:00 - Nilson Marinho - Atualizado em 13/06/2026, 08:52

Caso Thamiris: quebra de sigilo e análises de celulares seguem pendentes após prisão

Justiça diz que diligências consideradas essenciais para o esclarecimento do crime não foram concluídas

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- |  Foto: Reprodução

A investigação sobre a morte da adolescente Thamiris dos Santos Pereira, de 14 anos, ainda apresenta lacunas. Diligências consideradas essenciais para o esclarecimento do crime não foram concluídas, como a quebra de sigilo telefônico, a análise de aparelhos celulares apreendidos e o cruzamento de dados de estações rádio-base (ERBs), que podem ajudar a reconstituir os passos dos suspeitos no dia em que a jovem foi vista pela última vez após sair da escola, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).

Apesar da ausência desses resultados, uma decisão liminar do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) restabeleceu a prisão temporária de Rodrigo Faria Sena dos Santos, conhecido como "Farinha". Apontado pela investigação como responsável por atrair Thamiris para o chamado "tribunal do crime", ele voltou a ser preso nesta semana.

As diligências pendentes foram, inclusive, citadas na própria decisão judicial que determinou a retomada da custódia do suspeito. Os procedimentos podem tanto reforçar uma eventual participação de Rodrigo no crime quanto afastar seu envolvimento.

Em nota, a Polícia Civil informou que, durante o inquérito, foram realizadas "diligências essenciais de forma sigilosa" e que o procedimento foi posteriormente encaminhado ao Poder Judiciário. Em entrevista ao portal MASSA!, o advogado de Rodrigo, Frederico Augusto Loureiro, afirmou que a ausência dos resultados dessas diligências fragiliza os fundamentos da nova prisão temporária.

"A defesa entende que o Estado está utilizando a prisão como o meio mais rápido de atender ao clamor público. Contudo, tecnicamente, ela não se sustenta pelos seus próprios fundamentos, já que não atende aos critérios de imprescindibilidade, tampouco é possível constatar a presença do que a lei chama de fundadas razões", relata.

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Relembre o caso

O caso Thamiris gerou grande comoção popular, o que mobilizou familiares, amigos, vizinhos, moradores da comunidade onde a adolescente vivia e até pessoas sem ligação direta com a família. Durante dias, grupos se revezaram nas buscas pela jovem, que permaneceu desaparecida até ser encontrada morta e carbonizada em uma área de matagal no bairro de Cassange, em Salvador.

A decisão que levou Rodrigo de volta à prisão tem caráter liminar e foi concedida pelo desembargador relator de um recurso apresentado pelo Ministério Público da Bahia contra a decisão anterior da Vara do Júri de Lauro de Freitas, que havia determinado a soltura do investigado. Conforme Loureiro, o mérito do recurso ainda deverá ser analisado por um colegiado formado por três desembargadores do TJ-BA.

Prisões sucessivas

Quando foi preso pela primeira vez, Rodrigo participava de uma mobilização popular que cobrava celeridade nas investigações. Vizinho de Thamiris, ele mantinha relação próxima com a família da adolescente. Após a prisão, a casa onde morava foi invadida e destruída por populares.

O advogado revela que, desde que passou a ser apontado como suspeito, Rodrigo e seus familiares têm sido alvo de ameaças e que ele sofreu episódios de violência durante o período em que esteve custodiado:

"Quanto à condição física e emocional de Rodrigo, o que posso dizer é que a divulgação precoce da sua imagem como sendo um dos autores de um crime tão bárbaro fez com que sua vida fosse totalmente destruída. Não só ele, mas também seus familiares mais próximos passaram a viver com medo, em razão das inúmeras ameaças feitas contra eles. Rodrigo passou por situações de extrema violência e risco durante o período em que foi mantido na carceragem do Centro de Observação Penal (COP), no Complexo da Mata Escura, e, ao ser solto, não pôde mais dar continuidade à sua rotina de vida em razão dos riscos e do abalo emocional sofrido.”

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