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Tensão Criminosa -

Ataque em Cajazeiras pode ter relação com morte de líder da facção BDM

Homem apontado como liderança do BDM foi morto horas antes do confronto com o BPATAMO

Investigação busca esclarecer possível relação com morte de liderança criminosa
Investigação busca esclarecer possível relação com morte de liderança criminosa |  Foto: Divulgação/SSP-BA

A morte de um homem apontado como liderança da facção criminosa Bonde do Maluco (BDM) em Cajazeiras pode ter desencadeado uma nova ofensiva entre grupos criminosos na região. O caso está sendo investigado após um confronto entre suspeitos e agentes do Batalhão de Patrulhamento Tático Móvel (BPATAMO), que terminou com nove faccionados mortos.

Segundo apuração exclusiva do MASSA!, o homem, identificado pelo prenome de Márcio e conhecido como “Sarrafo”, foi morto na madrugada de terça-feira (15) para quarta-feira (16), durante uma ação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

“Sarrafo” era apontado como responsável pela atuação do BDM em uma área de Cajazeiras e também seria investigado por envolvimento em diversos homicídios. Depois da morte dele, integrantes da facção teriam se deslocado para invadir e tomar uma região atribuída ao Comando Vermelho (CV).

Uma das hipóteses consideradas pelas autoridades é de que a movimentação tenha ocorrido como uma retaliação. A suspeita é de que os integrantes do BDM pretendiam atingir algum membro de destaque do grupo rival ou eliminar diversos membros em resposta à perda da liderança.

O confronto ocorreu quando o reforço de equipes do BPATAMO, que faziam buscas em uma área de mata, localizaram os suspeitos na região. Após a troca de tiros, nove feridos foram encontrados do local e alguns encaminhados para o Hospital Eládio Lasserre, onde as mortes foram confirmadas.

Os envolvidos identificados até agora são:

➡️ Aldemir Junior Teixeira do Amaral;
➡️ André Luís Santos de Jesus;
➡️ Eduardo Santos de Alcântara;
➡️ Ronald Batista Reis da Silva;
➡️ Wesley da Silva Pimentel;
➡️ Marcos Vinicius dos Santos Barbosa;
➡️ Adalberto de Jesus Neto;
➡️ Yuri dos Santos Dias.

Os mortos tinham relação com diferentes pontos da Região Metropolitana de Salvador (RMS) e da capital. Entre os locais citados estão São Caetano, Polêmica (região em Brotas), Cajazeiras e Camaçari.

Arsenal encontrado após confronto

Além das mortes, a ocorrência terminou com a apreensão de um arsenal. Conforme a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), foram encontrados quatro fuzis, de calibres 5,56 e 7,62, uma carabina, uma espingarda, pistolas, carregadores, munições, drogas e um colete balístico.

Outro nome envolvido na investigação é o de Pablo Carvalho dos Santos, conhecido como “Messi”, integrante do Baralho do Crime da SSP-BA. Ele ocupa a posição de 2 de Copas e, segundo informações policiais, teria fornecido armamentos para integrantes do grupo criminoso.

Messi segue sendo procurado
Messi segue sendo procurado | Foto: Divulgação/SSP-BA

Colete pode ajudar a esclarecer origem do material

A procedência do colete balístico encontrado na área também será investigada. As autoridades apuram uma possível conexão entre os suspeitos mortos e o cabo do Exército Deivison dos Santos Ferreira, investigado por suspeita de negociar armas, munições e granadas com integrantes do tráfico de drogas.

Deivison dos Santos Ferreira segue preso preventivamente
Deivison dos Santos Ferreira segue preso preventivamente | Foto: Arquivo pessoal

Deivison estava lotado no 6º Batalhão de Polícia do Exército, em Salvador. Ele foi capturado no dia 13 de setembro e permanece preso preventivamente em uma unidade militar.

A eventual ligação entre o militar e os homens mortos ainda não foi confirmada. Segundo o delegado da Polícia Civil, André Viana, os investigadores deverão cruzar informações antes de estabelecer qualquer relação entre os casos.

“Iremos aprofundar para poder realmente dar uma informação confirmada, com base nos dados apurados junto ao Exército Brasileiro. É uma operação que traz um impacto muito grande para as forças de segurança, justamente porque os criminosos reagiram à ordem de prisão por parte da Polícia Militar”, conta ao MASSA!

Disputa entre grupos já era monitorada

A situação em Cajazeiras já vinha sendo acompanhada pelas forças de segurança. O secretário da Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, afirmou que informações sobre uma disputa entre grupos criminosos eram utilizadas para orientar ações policiais na região.

“Nós tínhamos recebido uma informação daquela região. Nós já estávamos trabalhando a partir de ações naquela região. Aquela região estava sendo alvo de uma guerra de facções, com a população no meio. Ontem, a partir das informações recebidas e colhidas, as forças de segurança localizaram um grupo de criminosos que, de imediato, agiu contra os policiais”, contou.

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Werner afirmou ainda que sete dos mortos tinham antecedentes criminais. De acordo com o secretário, havia integrantes do grupo investigados por mortes violentas, crimes contra o patrimônio, tentativa de extorsão e ameaças.

“Sete desses criminosos tinham antecedentes criminais. Alguns já eram investigados por mortes violentas, por crimes violentos contra o patrimônio, como roubo, por tentativa de extorsão e ameaça à população. Ou seja, a gente conseguiu fazer a retirada disso e evitar a violência à qual aquela população poderia estar sendo submetida por esse grupo criminoso, que estava altamente armado”, completa o gestor de Segurança Pública.

As forças de segurança ainda apuram o que motivou a movimentação do grupo, além de uma eventual ligação entre o confronto e a morte de “Sarrafo” e a procedência do armamento apreendido.

A investigação também busca esclarecer se existe alguma relação entre o material pertencente ao Exército, o cabo Deivison e os homens encontrados em Cajazeiras. Até agora, nenhuma dessas conexões foi confirmada pelas autoridades.

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