Tenente da superação: Ruan transforma dor em combustível no pagodão

Cantor de Salvador transforma diagnóstico de câncer em virada na carreira

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ESTOUROU! - 22/04/2026, 09:30 - Jaísa de Almeida- Atualizado em 22/04/2026, 09:55

O pagodão segue como trilha sonora constante nas periferias de Salvador — e, para muitos jovens, também representa oportunidade de mudança de vida. Foi nesse cenário que Ruan Victor, conhecido artisticamente como Ruan Tenente, encontrou espaço para transformar o próprio destino.

Morador de Cosme de Farias, bairro da capital baiana, o cantor começou cedo a se aproximar da música. Agora, aos 23 anos e com mais de 90 mil seguidores nas redes sociais, ele tenta consolidar o nome na cena local, por meio de apostas em lançamentos frequentes e presença digital ativa.

Mesmo assim, o início da caminhada passou longe dos palcos principais. Antes de mergulhar de vez no pagodão, Ruan ganhou experiência nas batalhas de rima, ainda na adolescência.

“Comecei nas batalhas de rima e aí, com o tempo, consegui mudar para o pagode, que era meu sonho, cantar pagode. Ficava atrás de oportunidade. Mas aí tudo deu certo, foi rápido. Eu acho que eu nem estava preparado ainda para começar a fazer shows. Tava meio virgem, como a galera fala. Mas aí eu fui pegando o embalo, fui aprendendo, e as coisas foram dando certo”, conta em entrevista exclusiva ao MASSA!.

Imagem ilustrativa da imagem Tenente da superação: Ruan transforma dor em combustível no pagodão
Foto: José Simões/Ag. A TARDE

Doença tentou brecar o sonho

No entanto, quando a carreira começava a deslanchar, a confirmação de uma doença mudou o rumo da história. Em 2023, aos 20 anos, o artista recebeu o diagnóstico de câncer e teve que interromper a agenda para iniciar o tratamento. Foi aí quesua rotina passou a ser marcada por consultas, quimioterapia e cirurgia.

Ele relata à reportagem que o impacto da notícia não foi imediato. Entre exames e procedimentos constantes, a sensação era de que tudo estava acontecendo rápido demais, enquanto a compreensão da gravidade do seu quadro de saúde vinha aos poucos:

Aspas

Foi difícil porque a ficha não tinha caído.

“Com 20 [anos] eu interrompi a carreira por causa do câncer. Eu descobri o câncer e parei para fazer quimioterapia e cirurgia. Foi difícil porque a ficha não tinha caído. A ficha caiu bem depois.”

O período de tratamento trouxe desafios além da questão médica. Acostumado com a correria de ensaios, gravações e apresentações, Ruan teve que lidar com o isolamento e com a incerteza sobre o futuro. Segundo ele, o mais difícil era assistir à vida seguir do lado de fora enquanto permanecia recolhido.

“Na hora foi tudo tão rápido que eu só acreditava que ia dar certo, que ia passar e que eu ia voltar. O que mais doeu foi ter que parar de fazer tudo, ter que ficar dentro de casa, não poder sair, parar de trabalhar. Aí a gente vê a vida das outras pessoas continuar, né? Todo mundo curtindo, vivendo, e a gente dentro de casa, sem saber se vai dar tudo certo, só com a fé. Essa é a parte mais difícil do processo”, recorda.

Com a remissão da doença, veio a conclusão do tratamento e a retomada gradual das atividades. O pagodeiro afirma que ao passar por todas as dificuldades voltou aos palcos com outra mentalidade. A experiência, segundo ele, provocou mudanças na forma de encarar a carreira, a família e o próprio tempo.

Mais “responsa” na hora do corre

Ele diz que o período afastado serviu como aprendizado e o fez reavaliar prioridades. O retorno, de acordo com o artista, aconteceu com mais foco e senso de responsabilidade.

“Foi como se fosse para eu aprender a dar mais valor às coisas, sabe? Hoje a gente está aqui bem, mas não sabe o dia de amanhã. Então, depois que eu retornei, já voltei com outra visão, com outro pensamento. Já voltei mais profissional também, mais focado e valorizando mais a família, porque nesse momento quem fica com a gente é a família”, descreve.

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Foto: José Simões/Ag. A TARDE

A nova fase tem sido marcada por muito trabalho e planejamento. Ruan afirma ao MASSA! que busca amadurecer musicalmente e manter constância nos lançamentos, de olho nos números e na expansão do público para além da Bahia. Ele reforça que o crescimento tem acontecido sem pressa, mas com disciplina e dedicação diária:

“Estou mais profissional, mais determinado em vencer, sempre procurando evoluir, me dedicando ao trabalho. A cada dia que passa, mais focado ainda, com fome de vencer. Graças a Deus vem dando certo, os resultados estão aí, os números. E devagarzinho as coisas vão acontecendo.”

Pagodão pra alcançar até a criançada

No pagodão, a escolha do repertório também faz parte da estratégia de carreira. Ruan reconhece que o chamado proibidão costuma ter grande aceitação popular e ajuda a impulsionar shows e contratações. Ele explica, no entanto, que também investe em músicas com letras consideradas mais leves, buscando alcançar públicos de diferentes idades.

“Eu tenho várias músicas limpas, só que a gente sabe que hoje em dia o que a galera consome mais é o proibidão. É o som que a galera consome mais e que bate nos paredões, que faz a gente vender nosso peixe, tocar, fazer show, ir para outros estados. Só que a gente sempre está focado em fazer o limpo, porque, querendo ou não, o limpo abre portas, né?”, explica.

Imagem ilustrativa da imagem Tenente da superação: Ruan transforma dor em combustível no pagodão
Foto: José Simões/Ag. A TARDE

Para o cantor, a decisão não passa por abandonar um estilo, mas por equilibrar os dois caminhos dentro do próprio trabalho.

“A gente, com a música limpa, consegue chegar em lugares que não chegava com o proibidão. Então, eu acho que seria um erro também sair 100% do proibidão para o limpo, mas tem que ter equilíbrio. Sempre lançando algum trabalho massa, com dancinha, algo que dê para as crianças dançarem, como eu posso dizer, para todas as idades”, completa.

Entre pausas forçadas e recomeços, a trajetória de Ruan Tenente carrega a marca de um período que quase interrompeu seus sonhos e exigiu resistência. A doença afastou o artista dos palcos, mas também redefiniu prioridades e o fez estourar nos paredões de Salvador.

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