
O canto do faraó ecoou nas ladeiras do Pelourinho, mais uma vez. Em meio à sua semana comemorativa de 47 anos, o grupo Olodum realizou uma coletiva de imprensa, na manhã desta sexta-feira (24), para revelar sua programação até 2029, quando o bloco chega às suas cinco décadas de existência. Dentre as novidades, estão a revelação do tema para o próximo Carnaval, a produção de um filme e a participação na Copa do Mundo.
Realizada na Sede do Olodum, o principal tópico da coletiva foi a preparação para o Carnaval de 2027. Com o título “Sirius Cão Maior - O Mistério das Estrelas”, o tema do bloco vai homenagear os dogons, povo africano reconhecido por sua relação com as estrelas.
“O que nós vamos contar é a relação dos dogons com o sistema interestelar. É um povo que vivia isolado nas Escarpas, no interior da África, e que tinham um profundo conhecimento científico sobre astronomia”, disse o presidente de relações internacionais do Olodum, Marcelo Gentil.
O tema marca um retorno do Olodum às suas próprias origens. Os dogons possuem uma conexão com o Egito, país que foi celebrado pelo grupo baiano durante três vezes no Carnaval. "Todo mundo sabe que o Egito é nossa grande fonte de inspiração, afinal de contas, foi o tema Egito dos Faraós que em 1997 tirou o Olodum do anonimato e o levou para a glória”, defendeu Marcelo.
A revelação aconteceu nas vésperas do aniversário de 47 anos da entidade, que acontece neste sábado (25). Relembrando a história da instituição, Marcelo destacou a importância que o país africano exerceu na trajetória do bloco afro. “Com o tema Egito dos Faraós, nós ensinamos a nossa juventude, a nossos formadores, que o Egito é África, nós contamos a história de um país que pouquíssimas pessoas conheciam e que hoje é extremamente conhecido”, completou.
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Após os destaques sobre o Carnaval, a coletiva se desdobrou sobre o relançamento do Kit Revoltas Negras. Publicado originalmente em 2010, as cartilhas reúnem uma coletânea de revoltas que marcaram a história do Brasil. Integrando parte da programação de aniversário, as publicações serão distribuídas na noite desta sexta, às 18h, para representantes de instituições de ensino. O relançamento enfatiza o compromisso do Olodum com uma educação antirracista.
“É uma composição de quatro cartilhas em forma de quadrinhos que foram assinadas por Maurício Pestana onde nós trazemos a história da Revolta dos Búzios, dos Malês, das Chibatas e de Zumbi dos Palmares, além de termos um caderno pedagógico com ações didáticas para serem trabalhadas em sala de aula”, explicou a conselheira do Olodum, Mara Felipe.
Torcida na Copa do Mundo
Saindo do universo carnavalesco e indo direto para os estádios, outra grande revelação foi o retorno da Torcida Brasil Olodum. Criada nos anos 90, a iniciativa servia como uma forma de unir a música e o futebol em um momento de harmonia entre os baianos. Após sua participação histórica na Copa de 2002, a torcida do Olodum promete voltar com toda a sua força.
“A gente adora futebol e música. Vamos juntar o que há de melhor nisso, o povo que ama o Olodum e a seleção brasileira com a batida percussiva mais conhecida do mundo, que é o Olodum”, afirmou Jorginho Rodrigues, presidente executivo do Olodum.
Além de um ensaio a céu aberto da banda Olodum, a torcida também vai acompanhar cada jogo da seleção. As partidas serão exibidas no Largo do Pelourinho de forma gratuita para todos que desejem vibrar no ritmo do samba-reggae. “Os jogos serão transmitidos a partir do dia 13 de junho, vamos fazer um esquenta com toda a torcida, toda a população, mandando do Pelourinho para o mundo inteiro a vibração e o axé que a nosso time merece para conquistar esse campeonato”, continuou.
Antes do Brasil entrar em campo, a banda fará um esquenta para deixar todo mundo em clima de torcida. Durante os intervalos e após cada jogo, o público também vai poder aproveitar o melhor que a percussão baiana pode oferecer.
“A banda e toda a estrutura estará montada no Largo do Pelourinho. Como fizemos em outras Copas, a gente começa aquecendo um pouquinho naquele período antes do jogo. Depois, para todo mundo e vai assistir. No intervalo do jogo, aqueles 15 minutinhos, a gente também se apresenta”, detalhou.

Apresentação no Rock in Rio e retomada do mercado internacional
Durante a coletiva, o grupo também reiterou sua vontade em retomar o mercado internacional da música. Até 2029, a banda planeja realizar shows com uma maior frequência em países africanos, asiáticos e europeus. “Teremos uma retomada do mercado internacional, com foco no mercado africano, asiático e também na Europa, que sempre nos recebeu muito bem. De agora até os 50 anos, mais países deverão conhecer a história e a música do Olodum”, destacou Jorginho.
Sendo palco de diversas atrações internacionais, o Rock in Rio é uma dessas oportunidades de maior projeção para o exterior. Marcando sua segunda participação no festival, o Olodum vai subir aos palcos ao lado da banda Gilsons e da cantora Daniela Mercury.
“A gente tem um carinho enorme pelos Gilsons, eles regravaram a música Várias Queixas há um tempo. Essa relação é muito natural, orgânica, eles são uma turma que faz uma música muito bacana. Essa junção do Olodum com outros artistas é sempre muito bem-vinda”, analisou.
Apesar do desejo de quebrar fronteiras, o grupo nunca esquece de onde veio. O objetivo é continuar consolidando e fortalecendo a influência que o Olodum construiu no Brasil, sempre realizando parcerias com artistas que entendam a importância do samba-reggae para a música brasileira.
“Além da retomada do mercado internacional, a gente já tem feito um trabalho bacana com nossos parceiros de cá mesmo para retomar o mercado brasileiro há mais ou menos três anos. Isso tem sido muito bacana e gratificante, porque a gente voltou a circular por todo o país”, garantiu.
Filme e documentário sobre a história do bloco
Por fim, o principal marco das cinco décadas de Olodum promete ser o audiovisual. Para eternizar a trajetória do bloco, está sendo produzido um filme e dois documentários que retratam a história do grupo que transformou o Pelourinho.
“É natural hoje em dia, com a velocidade da comunicação e a rapidez com que se propaga as informações, que a gente queira essa ficção sobre a história do Olodum, desde a fundação, com os amigos do Pelourinho pensando em criar um bloco”, explicou Jorginho.
Com previsão de lançamento para 2029, o filme ainda está em seus primeiros passos. Apesar de ser um projeto ficcional, a trama vai acompanhar as origens do Olodum e os responsáveis pela consolidação do grupo. “Ainda é um projeto embrionário, mas ele está bem avançado.. Nós vamos fazer essas filmagens e toda essa programação agora em 2026 e ele deságua em 2029, contando esse enredo e essa história linda da criação do Olodum”, garantiu.
Além do longa, a instituição também planeja a produção de dois documentários, que prometem retratar de forma mais técnica os bastidores por trás do bloco. Apesar de ainda não terem data de lançamento, os docs prometem uma nova visão sobre o grupo. “Também haverão documentários, que revelarão os bastidores de tudo o que a gente viveu ao longo desses 50 anos, para poder compartilhar um pouco com todo mundo que ama o Olodum o que é essa história”
