
Considerado o dono de uma das vozes mais marcantes do pagode baiano dos anos 90, o cantor Lu Costa construiu uma carreira sólida que atravessa gerações. Mas quem vê o artista se jogando na swingueira durante os shows não imagina que ele começou a vida como um tímido vendedor de jornais.
“Antes de ser cantor, já trabalhei vendendo jornal. Acordava bastante cedo, às 3h da manhã, para chegar às 4h. Vocês não têm noção de como era! Eu chegava, comia um pãozinho com manteiga e tomava um cafezinho antes de pegar os jornais. Mas era maravilhoso, foi um aprendizado para mim”, disse ele em entrevista ao MASSA!.
Apesar de gostar muito de trabalhar, Lu não tinha habilidades para chamar atenção dos clientes naquela época e contava com o apoio dos irmãos para conseguir alavancar suas vendas. Além dos jornais nas ruas da cidade, ele também já vendeu picolés, mas sua verdadeira paixão sempre foi a música.
Eu acho que a gente tem que passar sempre por esse processo, né? Eu valorizo muito tudo na minha vida

“Desde pequenininho eu sempre gostei de cantar e aí eu tive a oportunidade de ser cantor. Na verdade, eu comecei como músico. A minha mãe, o meu pai, a minha avó e as minhas tias, eles apoiaram a gente desde o início”, declarou ele.
A virada de chave na vida de Lu Costa aconteceu quando ele era backing vocal do Gera Samba, o nome antigo do grupo É O Tchan, e precisou gravar a segunda parte de uma canção da banda. A produção percebeu a sua “vocação para ser cantor” e deu liberdade para ele comandar os microfones. Desde então, o artista seguiu nessa função, passando pelo Nossa Juventude até que decidiu seguir a carreira solo.
Vista ao Grupo A TARDE
Lu Costa visitou a sede do Grupo A TARDE, conversou com as equipes dos jornais MASSA! e A Tarde e teve a oportunidade de ver o processo de produção dos exemplares que ele passou muitos anos revendendo em Salvador. O artista afirmou que a experiência foi emocionante.
“Estou feliz pra caramba, porque hoje estou saindo nas capas dos jornais também, como esse aqui. Imagina o cara que vendia jornal saindo nas capas! Honra demais. Estou feliz demais, ainda mais agora, conhecendo como funciona. É um sonho”, desabafou.

O jornal sempre fez parte da vida dele, especialmente em relação à proximidade com os fãs. Na época em que os jornais impressos eram os principais meios de comunicação entre os famosos e seus admiradores, muita gente aguardava com ansiedade para recortar as entrevistas e guardar as fotos de Lu.
“Eu me recordo dos fãs também. Quando saía alguma matéria, os fãs guardavam com carinho as fotos da gente, a matéria que a gente fazia na época. Isso aqui é muito importante para todos nós. Continuem comprando, tá?”, relembrou.
Lu Costa levanta a bandeira do pagode unido
Para o cantor Lu Costa, que tem cerca de 28 anos de carreira e acompanhou as mais diversas fases do pagode da Bahia, há espaço para todos. O público é diverso e abraça desde os artistas das antigas, com os clássicos da swingueira, até os jovens dos bloquinhos para paredão.
“Eu acho que essa junção sempre existiu na Bahia. A gente sempre está curtindo vários estilos de música e essa junção faz com que também fortaleça o nosso movimento”, opinou.
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Com a experiência de quem já percorreu quase três décadas de carreira, a sua única ressalva é de que o compromisso com a mensagem das músicas é essencial para manter o pagode vivo e respeitado. Ele presenciou o auge do gênero musical sendo abraçado pelo Brasil, afinal, com o uso de trocadilhos nas letras, nada de inapropriado era dito de maneira explícita.
“Eu acho que a gente tem que tomar um pouco de cuidado com as canções que a gente leva para as pessoas, até porque quem curte o nosso verdadeiro pagode é um público totalmente diferente, de criança a pessoas mais velhas. Então a gente tem esse cuidado de gravar músicas que levem uma boa mensagem para as pessoas, graças a Deus está dando tudo certo e as pessoas não deixam de curtir o bom pagodão por conta disso”, destacou.
Gravação gratuita do novo DVD para a galera
O cantor se prepara para um momento especial de sua trajetória, a gravação de um novo DVD, marcada nesta quinta-feira (30), na Praça das Artes, no Pelourinho, a partir das 18h, com entrada gratuita. O projeto vem sendo desenvolvido há cerca de seis meses e, segundo ele, exigiu dedicação intensa.
Batizado como Lu Costa Absoluto, o novo audiovisual do artista terá participações super especiais: Denny Denan, Tatau, Edcity Fantasmão, Escandurras e Malafaia, como uma forma de reunir quem abriu o caminho para o pagode da Bahia e quem o mantém vivo ao longo dos últimos anos.
“Eu vou regravar algumas músicas da minha trajetória e também de outros artistas do nosso pagodão baiano. Então vai ser um trabalho super eclético, de várias canções, que a galera vai poder voltar no tempo. Vai ser um trabalho, assim, excepcional e vai ficar guardado na memória de todos nós”, comemorou.
O novo projeto audiovisual de Lu Costa surge como resposta a um desejo coletivo do público, que ansiava por ver o pagode baiano novamente em evidência. Depois do lançamento de seu primeiro DVD, outros artistas também passaram a investir em registros semelhantes, fortalecendo ainda mais o movimento. Para o cantor, esse retorno representa a retomada da força de um gênero que nunca deixou de existir, mas que precisava ser reavivado com intensidade para conquistar novamente o Brasil inteiro.
“Eu acho que as pessoas estavam sentindo falta de tudo isso. Depois da gravação do meu primeiro audiovisual, o Lu Costa Único, vieram outros artistas gravando também, fortalecendo esse movimento. E a gente se sente honrado e orgulhoso. O pagode não tinha que sair de onde está, de onde sempre esteve, só que estava tipo um elefante adormecido. E hoje a gente veio com força total, fortalecendo o nosso movimento no Brasil inteiro”, concluiu.
