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Lou Garcia mira a Bahia e promete mergulho no arrocha

Baiana aposta em nova fase musical, mira o público de Salvador e revela desejo de misturar pop, piseiro e arrocha

Lou Garcia pretender ser mais reconhecida pelos baianos
Lou Garcia pretender ser mais reconhecida pelos baianos |  Foto: Divulgação/Julia Takamori

Baiana de Salvador e dona de uma sonoridade que passeia pelo pop, indie e outros ritmos, Lou Garcia quer estreitar ainda mais os laços com o público de casa. Em entrevista ao MASSA!, a cantora revelou que pretende apostar em um álbum de verão e não escondeu a vontade de mergulhar também no arrocha.

Mesmo morando em São Paulo há cerca de dois anos, Lou garante que a Bahia segue presente na sua formação e no jeito de fazer música. Para ela, crescer em Salvador significou ter contato com diferentes ritmos e artistas desde cedo.

“Eu cresci a minha vida inteira na Bahia. Hoje eu estou em São Paulo, tem mais ou menos uns dois anos. Mas, como eu cresci na Bahia, que tem vários estilos musicais, sinto que me trouxe muita diversidade musical. E sinto que trago isso em melodias, às vezes de axé, de outras coisas que carrego e levo para a minha modalidade, que é o pop indie”, contou.

Segundo a artista, essa mistura vem justamente das referências que fizeram parte de sua infância e adolescência.

“Não tem como desassociar, até porque eu cresci aí. Então, eu ouvi de tudo. Ivete no dia de Carnaval, Claudia Leitte também. Foi sempre uma loucura musical que me acrescentou em todas as coisas que faço hoje, apesar de ir para o lado do pop”, explicou.

Arrocha no radar

Lou também não esconde a paixão pelo arrocha. A cantora viu “Não Fosse Tão Tarde”, um dos maiores sucessos de sua carreira, ganhar versões no gênero e admite que ficou ainda mais interessada em explorar essa sonoridade.

“Eu sou muito suspeita, porque amo o arrocha. Inclusive, tenho muita vontade de lançar um álbum de verão com arrocha”, revelou.

A ideia, segundo ela, faz parte de um movimento para se aproximar ainda mais do público baiano. “Como eu estou indo para esse lado do pop mais tropical, quero trazer isso. Quero que as pessoas da Bahia me conheçam também. Eu sei que vou ganhar o coração de vocês se eu botar no arrocha”, brincou.

A cantora ainda colocou o piseiro entre os estilos que mais despertam seu interesse atualmente.

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“A partir do momento que comecei a ir para esse lado mais experimental, piseiro e arrocha são os meus principais estilos musicais que estou querendo investir agora”, afirmou.

Lou citou “Magia”, faixa do álbum “Literalmente Devaneios”, como exemplo dessa mistura. “Ela é uma mistura de pop dos anos 2000 com piseiro. Então, provavelmente, minhas próximas músicas vão ter esse pop mais experimental também, porque sinto que dá para trazer a linguagem da Bahia de uma forma diferente. Eu gosto de experimentar”, explicou.

De menina para mulher

A relação de Lou com a composição começou cedo. Aos 15 anos, quando participou do “The Voice Kids”, ela já acumulava dezenas de músicas escritas. Hoje, olhando para aquele período, a artista enxerga uma mudança enorme.

“Eu evoluí muito. Aquela menina nem esperava que eu fosse evoluir tanto hoje”, disse. Na época, Lou escrevia principalmente em inglês, muito influenciada por artistas que escutava durante a adolescência.

“Eu lembro que escrevia muito mais em inglês naquela época, porque gostava muito de Taylor Swift, daquela galera da Disney, Demi Lovato. Quando virou a chave para começar a escrever em português, foi na época de Manu Gavassi”, relembrou.

Para ela, continuar insistindo na música apesar das dúvidas externas é motivo de orgulho. “A música sempre é meio levada para um lado como se você nunca fosse ser levada a sério, como se fosse só um sonho. É como se, uma hora, todo mundo estivesse esperando você desistir. Então, fico feliz de aquela menina não ter desistido e estar aqui hoje”, afirmou.

Lou Garcia comentou sobre mudança de fases junto com a música
Lou Garcia comentou sobre mudança de fases junto com a música | Foto: Divulgação/Julia Takamori

Sem música feita para viralizar

Lou também comentou sobre uma das pressões mais comuns da nova geração de artistas: criar músicas pensando exclusivamente em viralizar nas redes sociais.

Ela contou que já passou por esse processo e que a tentativa acabou atrapalhando justamente sua criatividade.

“Teve uma época da minha vida em que fiquei nessa pira de compor pensando em TikTok. Pensando: ‘Ah, isso aqui eu vou escrever porque acho que vai viralizar’. E não tem fórmula”, explicou.

Segundo a cantora, a cobrança acabou se transformando em bloqueio criativo. “Fiquei por muito tempo bloqueada porque eu tinha que escrever algo para aquilo”, revelou.

A mudança veio quando Lou decidiu deixar de lado a obsessão pelos números e algoritmos. “A partir do momento que abandonei isso e falei: ‘Não vou mais ficar pensando se isso aqui vai viralizar no TikTok’, minhas composições fluíram de um jeito muito inesperado”, contou.

Sem caixinha

Se no início da carreira Lou chegou a definir sua música como “indie room”, hoje ela prefere não colocar limites na própria sonoridade.

“De 2022 para cá, eu sou outra mulher. Sinto que naquela época eu era uma menina e hoje me sinto mais mulher, até porque amadureci muito. [...] Minha cabeça é outra”, declarou.

A artista guarda carinho pela fase mais intimista, mas acredita que o momento atual pede mais liberdade.

“O indie room veio em um momento muito especial para mim, porque era quando eu realmente escrevia dentro de casa, com minha avó assistindo à Sessão da Tarde. Só que hoje eu não consigo me definir assim. Por isso digo que é pop, porque sinto que o pop abrange muitas coisas”, explicou.

“Estou lançando um piseiro agora, mas pode ser que eu lance um trap. A música é tão plural, tão versátil. Você consegue fazer tantas coisas e, ao mesmo tempo, trazer sua identidade. Eu não gosto de me limitar”, completou.

Lou Garcia não tem medo de testar coisas novas
Lou Garcia não tem medo de testar coisas novas | Foto: Divulgação/Pedro Bodick

Álbum descartado

Lou também abriu o jogo sobre uma decisão difícil da carreira. Antes de “Literalmente Devaneios”, a cantora chegou a desenvolver outro álbum, com uma pegada mais experimental, mas decidiu não seguir com o projeto.

“A gente fez um álbum meio pop experimental, puxado para uma coisa meio 2010, misturada com anos 80, e eu sentia que, para o que queria trazer, não estava se encaixando muito com a artista que sou”, explicou.

Mesmo reconhecendo o trabalho de todos os profissionais envolvidos, ela decidiu priorizar a própria identificação com o material.

“Eu falei: ‘Cara, amo as músicas, amo as pessoas que estavam nesse projeto, que me acolheram, mas eu não me identifiquei’. E é muito difícil, porque não sou só eu como artista, existem outras pessoas envolvidas também. Mas essas pessoas não vão cantar essas músicas para o resto da vida”, pontuou.

Para Lou, o artista precisa defender aquilo que lança. “Eu tenho que estar feliz com o que estou lançando. Precisava me sentir 100% realizada, porque sou eu que vou ter que bancar no show, na divulgação, em tudo”, completou.

“Candidato” nasceu após desilusão

A nova fase também aparece em “Candidato”, música em que Lou mistura sensualidade, humor e uma postura mais segura sobre relacionamentos.

“Eu sinto que ‘Candidato’ é uma consequência de um coração partido, sim. É uma música que tem muita propriedade feminina. É uma música em que eu me sinto muito gostosa e com vontade de, tipo assim, pisar em homens”, disparou, aos risos.

Apesar do tom mais confiante, Lou acredita que sensualidade e vulnerabilidade podem andar juntas. “Eu sinto que tem sensualidade na melancolia. Minha voz é mais melancólica, mas, ao mesmo tempo, sinto que leva para um lado mais sensual. A tristeza tem o lado sexy também, porque dá para sofrer gostoso”, brincou.

Sonho de novas parcerias

Com colaborações já realizadas com nomes como Marina Sena e Jovem Dionísio, Lou também tem uma lista de artistas com quem ainda gostaria de dividir os vocais.

“Tenho muita vontade de fazer feat com a Liniker. Acho ela incrível. Acho que a gente faria algo muito fora da curva, ainda mais misturando o estilo dela com o meu”, revelou.

Lou contou ainda que guarda alguns desses desejos em um “caderninho da manifestação”. “Normalmente, as coisas que eu escrevo no meu caderninho da manifestação acontecem”, brincou.

E quem pensa que a cantora pretende ficar apenas entre pop, piseiro e arrocha pode esperar mais surpresas. Lou revelou que ainda gostaria de experimentar gêneros inesperados.

“Eu acho que reggae. Ninguém está esperando eu lançar um reggae. Um trap também. Acho que esses dois estilos seriam algo diferente para agregar”, contou.

Bahia no coração

Entre tantos planos, porém, um deles ocupa lugar especial: conquistar de vez o público baiano.

“Isso, para mim, é primordial, porque o pessoal da Bahia não me conhece. E é algo que quero muito, porque aí é meu berço, minha cidade do coração. Eu sou apaixonada”, declarou.

Lou revelou que o projeto de verão já está entre suas prioridades e que pretende levá-lo justamente para a Bahia. “Eu quero muito fazer um álbum de verão. Já está nos meus planos. E quero fazer um álbum de verão para ir divulgar aí na Bahia”, afirmou.

No fim da conversa, a baiana reforçou o carinho por Salvador e deixou claro que ser reconhecida em casa segue como um dos grandes desejos da carreira.

“É a minha maior vontade ser conhecida aí, porque eu amo Salvador. É a cidade da minha vida”, finalizou.

Ouça Lou Garcia

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