
A morte de Netinho, nesta terça-feira (13), aos 60 anos, reacendeu lembranças de uma das maiores polêmicas dos últimos anos da carreira do cantor, que foi a briga com o compositor Manno Góes envolvendo “Milla”, um dos maiores sucessos do axé music.
A confusão ficou tão grande que chegou à Justiça e criou a impressão de que Netinho havia sido proibido de cantar o hit. A história, porém, não foi exatamente assim, já que o cantor nunca recebeu uma proibição judicial para interpretar “Milla” nos próprios shows e chegou a incluí-la novamente no repertório anos depois.
“Milla” virou motivo de treta
Composta por Manno Góes e Tuca Fernandes, “Milla” ganhou o Brasil na voz de Netinho em 1996 e se transformou em uma das músicas mais marcantes da carreira do baiano. A relação entre intérprete e compositor, no entanto, azedou com o passar dos anos, principalmente por divergências políticas.
Os dois já haviam trocado farpas publicamente em 2019, mas a treta explodiu de vez em 1º de maio de 2021. Naquele dia, Netinho participou de uma manifestação de apoio ao então presidente Jair Bolsonaro, na Avenida Paulista, em São Paulo, e cantou “Milla” durante o ato.
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Manno, que tinha posicionamento político contrário ao do cantor, ficou revoltado ao ver sua composição ligada à manifestação. Na época, o evento também registrou manifestantes defendendo medidas como intervenção militar e fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF).
Compositor reagiu e foi à Justiça
Nas redes sociais, Manno afirmou que não autorizava o uso de “Milla” naquele contexto e anunciou que tomaria medidas judiciais para retirar da internet os vídeos da apresentação.
Pouco depois, entretanto, o próprio compositor explicou que não poderia impedir Netinho de cantar a música normalmente nos shows. “Não posso impedir que Netinho cante minha música”, afirmou Manno na época. O problema, segundo ele, era a divulgação das imagens associando a composição a um ato político do qual discordava.
A questão envolvia uma diferença importante nos direitos autorais. Segundo o advogado de Manno, apresentações públicas poderiam ocorrer mediante o recolhimento dos direitos devidos ao Ecad, enquanto a utilização da obra em vídeos e conteúdos políticos divulgados na internet envolvia outras autorizações.
O compositor notificou Netinho, Carla Zambelli e o então PSL para que as gravações fossem retiradas. Depois, entrou com uma ação contra Zambelli, que havia publicado em suas redes sociais o vídeo do cantor interpretando “Milla” durante o ato.

Justiça mandou apagar vídeo
Em maio de 2021, a Justiça determinou que Carla Zambelli retirasse de suas redes o vídeo com a apresentação. A decisão estabeleceu multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento e determinou que a então deputada não utilizasse músicas de Manno sem autorização prévia. O conteúdo acabou removido.
A decisão, entretanto, não proibiu Netinho de cantar “Milla” em apresentações. O próprio Manno reforçou naquele período que o cantor poderia continuar interpretando a música nos shows.
Netinho também processou Manno
A confusão não ficou restrita aos direitos de “Milla”. Netinho também decidiu partir para a Justiça depois de ser alvo de ofensas feitas pelo compositor nas redes sociais.
O cantor processou Manno após ser chamado de “débil mental”. A ação, que tramitou na Bahia, buscava a retirada de publicações consideradas ofensivas e uma indenização por danos morais. À época, o valor atribuído ao processo era de R$ 40 mil.
A relação entre os dois, que décadas antes ajudou a transformar “Milla” em um fenômeno nacional, ficou definitivamente marcada pelo embate político e judicial.

