26º Salvador, Bahia
previsao diaria
Facebook Instagram
WHATSAPP
Receba notícias no WhatsApp Entre no grupo do MASSA!
Home / Famosos

Entenda polêmica -

Briga por “Milla” marcou relação entre Netinho e Manno Góes

Desentendimento ganhou força após o cantor usar o hit em ato pró-Bolsonaro

Netinho se envolveu em polêmica por conta da música “Milla”
Netinho se envolveu em polêmica por conta da música “Milla” |  Foto: Divulgação

A morte de Netinho, nesta terça-feira (13), aos 60 anos, reacendeu lembranças de uma das maiores polêmicas dos últimos anos da carreira do cantor, que foi a briga com o compositor Manno Góes envolvendo “Milla”, um dos maiores sucessos do axé music.

A confusão ficou tão grande que chegou à Justiça e criou a impressão de que Netinho havia sido proibido de cantar o hit. A história, porém, não foi exatamente assim, já que o cantor nunca recebeu uma proibição judicial para interpretar “Milla” nos próprios shows e chegou a incluí-la novamente no repertório anos depois.

“Milla” virou motivo de treta

Composta por Manno Góes e Tuca Fernandes, “Milla” ganhou o Brasil na voz de Netinho em 1996 e se transformou em uma das músicas mais marcantes da carreira do baiano. A relação entre intérprete e compositor, no entanto, azedou com o passar dos anos, principalmente por divergências políticas.

Os dois já haviam trocado farpas publicamente em 2019, mas a treta explodiu de vez em 1º de maio de 2021. Naquele dia, Netinho participou de uma manifestação de apoio ao então presidente Jair Bolsonaro, na Avenida Paulista, em São Paulo, e cantou “Milla” durante o ato.

Leia Também:

Manno, que tinha posicionamento político contrário ao do cantor, ficou revoltado ao ver sua composição ligada à manifestação. Na época, o evento também registrou manifestantes defendendo medidas como intervenção militar e fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Compositor reagiu e foi à Justiça

Nas redes sociais, Manno afirmou que não autorizava o uso de “Milla” naquele contexto e anunciou que tomaria medidas judiciais para retirar da internet os vídeos da apresentação.

Pouco depois, entretanto, o próprio compositor explicou que não poderia impedir Netinho de cantar a música normalmente nos shows. “Não posso impedir que Netinho cante minha música”, afirmou Manno na época. O problema, segundo ele, era a divulgação das imagens associando a composição a um ato político do qual discordava.

A questão envolvia uma diferença importante nos direitos autorais. Segundo o advogado de Manno, apresentações públicas poderiam ocorrer mediante o recolhimento dos direitos devidos ao Ecad, enquanto a utilização da obra em vídeos e conteúdos políticos divulgados na internet envolvia outras autorizações.

O compositor notificou Netinho, Carla Zambelli e o então PSL para que as gravações fossem retiradas. Depois, entrou com uma ação contra Zambelli, que havia publicado em suas redes sociais o vídeo do cantor interpretando “Milla” durante o ato.

Manno Góes não curtiu sua música sendo usada em ato pró-Bolsonaro
Manno Góes não curtiu sua música sendo usada em ato pró-Bolsonaro | Foto: Reprodução / Instagram / @mannogoes

Justiça mandou apagar vídeo

Em maio de 2021, a Justiça determinou que Carla Zambelli retirasse de suas redes o vídeo com a apresentação. A decisão estabeleceu multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento e determinou que a então deputada não utilizasse músicas de Manno sem autorização prévia. O conteúdo acabou removido.

A decisão, entretanto, não proibiu Netinho de cantar “Milla” em apresentações. O próprio Manno reforçou naquele período que o cantor poderia continuar interpretando a música nos shows.

Netinho também processou Manno

A confusão não ficou restrita aos direitos de “Milla”. Netinho também decidiu partir para a Justiça depois de ser alvo de ofensas feitas pelo compositor nas redes sociais.

O cantor processou Manno após ser chamado de “débil mental”. A ação, que tramitou na Bahia, buscava a retirada de publicações consideradas ofensivas e uma indenização por danos morais. À época, o valor atribuído ao processo era de R$ 40 mil.

A relação entre os dois, que décadas antes ajudou a transformar “Milla” em um fenômeno nacional, ficou definitivamente marcada pelo embate político e judicial.

exclamção leia também