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Cultura - 08/09/2023, 10:42 - Da Redação

Musical 'Entre Dois Santos' tem sessão única e gratuita em Paripe

Belo e relevante, espetáculo acontece neste sábado (9), às 19h

Espetáculo musical Entre Dois Santos
Espetáculo musical Entre Dois Santos |  Foto: Divulgação | Jean Rodrigues de Souza

O Subúrbio Ferroviário de Salvador vai conhecer, neste sábado (9), um pouco da cultura e resistência negra mineira. A Quadra Municipal Fernando Presídio, em Paripe, recebe o espetáculo musical Entre Dois Santos, uma produção da Companhia de Teatro A Trupe, de Brasília de Minas (MG). A apresentação tem entrada gratuita e acontece às 19h.

Entre Dois Santos apresenta a envolvente trajetória da personagem Maria do Batuque, uma mulher negra que se tornou símbolo de força e representatividade. Ela é retratada como uma figura simples, batalhadora e resiliente, cuja vida é um desafio constante para manter viva sua arte. Essa arte se manifesta por meio de espetaculares expressões das matrizes afro-brasileiras que sobrevivem às margens do Rio São Francisco, no norte de Minas Gerais.

Sob a concepção e direção do teatrólogo e produtor cultural Ricardo Simões e texto de Héryton Machado, o espetáculo aborda manifestações de matrizes africanas preservadas pelos quilombos do norte mineiro que, apesar da riqueza e beleza estética acompanhadas de uma narrativa intrigante, estão blindadas nessas comunidades, sem o acesso do grande público que, segundo o diretor, por falta de uma relação direta, acaba por subestimar essas manifestações em detrimento das referências culturais eurocentristas.

O espetáculo é inspirado em uma humilde senhora de 94 anos de idade, preta, com poucos recursos financeiros para a manutenção de sua frágil saúde que, mesmo nos seus intermitentes lapsos de consciência e memória, manifesta a inquietação em manter viva as tradições de seus antepassados. “Pretendemos, através de uma obra dramática, instigar as comunidades do subúrbio brasileiro, quase todas de maioria negra, que apesar das injustiças sociais e todo prejuízo histórico sofrido ao longo dos séculos, temos que nos posicionar na defesa de nossos interesses sociais, culturais e intelectuais. Temos que assumir espaços de lideranças, independente da dimensão ou importância destes espaços. E dona Maria do Batuque é prova disso”, instiga Ricardo.

Personagens históricos

Foi observando Maria do Batuque e todo seu capricho e dedicação em manter acesa as tradições populares afro-brasileiras mantidas até os dias atuais por intermédio de seu "Boi de Janeiro" e o legado de sua mãe Ernestina, que a produção mineira teve seu pontapé inicial.

“É sobre como uma líder feminina, negra, pobre, que sofreu todo o tipo de discriminação é hoje um símbolo máximo das culturas barranqueira e geraizeira, graças a sua sabedoria e resiliência. Temos como pano de fundo o empoderamento do povo preto, das mulheres, a valorização das culturas populares que sobrevivem neste Brasil profundo e outras tantas provocações sociais”, continua o diretor.

Além da história de Maria do Batuque, Entre Dois Santos traz à tona personagens históricos marcantes, como Antônio Dó, um símbolo de liderança de movimentos paramilitares do século passado, que lutavam pela defesa de quilombos no norte de Minas Gerais. O espetáculo aborda de forma lúdica e colorida a força das tradições populares, destacando a importância e o poder da cultura popular geraizeira.

É também um convite ao exercício da imaginação e da fantasia, aliado ao desenvolvimento do senso crítico. “Através da mistura de linguagens lúdicas e artísticas, o espetáculo aborda temas muito atuais, como a desigualdade social, a valorização dos credos de matriz africana, das lideranças negras e até mesmo o autismo. Esses assuntos não são tratados de forma panfletária, mas de maneira sutil, com o intuito de provocar o público a pensar nessas questões”, complementa Ricardo.

Para enriquecer ainda mais a experiência do público, Entre Dois Santos conta com uma cenografia e trilha sonora imersivas. O elenco é composto por Vanessa Gaia como intérprete de Dona Maria do Batuque e a Mulher do Sapo Cururu, Za Di Calú como Jerômo, Emerson Aquino como Manezin, Héryton Machado como o Caboclo do Rio, Manin e Tone Dó, e o próprio Ricardo Simões dando vida a João Congo e ao Rio.

Paulo Antunes, por sua vez, é responsável pela inserção de projeções mapeadas no espetáculo, tornando-o rico em multilinguagens, com teatro e audiovisual em diálogo.

Outro destaque do espetáculo é a presença dos brincantes do Boi Bumbá de São Romão, MG, comandados pelo agitador cultural Amilton Pereira da Silva, herdeiro da tradição de Dona Ernestina e Dona Maria do Batuque, o que traz ainda mais autenticidade à representação das tradições populares geraizeiras.

“O projeto foi elaborado exclusivamente com o intuito de chegar nas comunidades pobres que habitam os subúrbios dos grandes centros urbanos e outras tantas regiões periféricas. Isso para promoção da acessibilidade cultural, por se tratar de um projeto gratuito e, por outro lado, a fim de provocar nessas comunidades o quanto podemos direcionar nossas atitudes na garantia de um mundo melhor e mais justo. Sem falar, ainda, da importância do compartilhamento e troca de culturas distintas que acabam se fundindo em uma mesma direção, isto é, paz e justiça social”, conclui o diretor.

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