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Mariar, Um Mar de Poesias transforma manguezal em palco de espetáculo

Peça mistura performance, poesia e música em um conto sobre memória e ancestralidade

Artur Soares
Artur Soares
Peça acontecerá nesta terça-feira (13)
Peça acontecerá nesta terça-feira (13) |  Foto: Guilherme/Baú das Memórias

É em meio à lama do manguezal que milhares de marisqueiras encontram seu sustento, constroem suas memórias e se reencontram com sua ancestralidade. Muito mais que um trabalho braçal, o ofício também esconde uma beleza que muita gente não reconhece. O espetáculo Mariar, Um Mar de Poesias explora essa perspectiva mais poética de um ofício que, muitas vezes, é passado por gerações como uma herança familiar.

A peça rola nesta terça-feira (13), em Salvador, às 9h30 e 14h30, no Teatro Sesc Casa do Comércio, e propõe um mergulho artístico na subsistência e vida das mulheres que vivem do mar. No palco, as atrizes Natalyne Santos e Emillie Lapa compilam, misturam e ressignificam as vivências de muitas pessoas que têm como conexão sua forma de subsistência.

“Eu fui criada por uma mulher que alimentou a mim e a meus irmãos com a lama do mangue, então olhar para esse manguezal, para esse meio ambiente, falar dessa importância do cuidado com o meio ambiente, olhar esse lugar de uma forma poética sem anular toda a luta, é algo que a gente leva com muita gratidão, delicadeza e cuidado”, explicou Natalyne Santos em entrevista ao MASSA!.

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Poesia, música e a oralidade são os três pilares fundamentais de Mariar. Para a construção da trilha sonora, composta majoritariamente por músicas autorais, foi necessário buscar um meio de recriar a ambientação dos próprios manguezais.

Ainda que tenha nascido em Salvador, Emillie relata que conseguiu se conectar com as belezas do local graças aos relatos de Natalyne. “Eu consigo ver a musicalidade de tudo que ela fala, eu consigo fechar os olhos e imaginar o som das cascas dos mariscos, o som do vento, a maré. Conhecer esse lugar, conhecer essas histórias, ajudou muito a trilha sonora do espetáculo, que tem diversos instrumentos com cascas, sementes, som de pássaros, dos ventos, das folhas”, explicou.

Peça mistura performance, poesia e música
Peça mistura performance, poesia e música | Foto: Guilherme/Baú das Memórias

O sentimento de coletividade transborda em cada cena e isso acontece por conta da origem do espetáculo. Tudo começou enquanto as amigas faziam um trabalho com arte e educação na cidade de São Francisco do Conde, localizada no Recôncavo Baiano.

Ouvindo os relatos e acompanhando as vivências das crianças do local, elas começaram a produzir a ideia que futuramente ocuparia os palcos. “Mariar foi nascendo a partir das poesias que elas traziam, da poética que elas traziam no processo de improvisação. E aí foi nascendo as primeiras narrativas. Essas crianças meio que nos convocaram a olhar para dentro, foi aí que eu comecei a olhar mais para minha história”, relembrou Natalyne.

Além de serem as protagonistas da história, as amigas também são responsáveis pela direção. Assumir várias frentes no projeto é uma tarefa recompensadora e que permite explorar diferentes formas de arte. Diretora musical da peça, Emillie garante que a mistura entre a performance e a música aconteceu de maneira natural.

“Eu gostava muito de tocar percussão, eu acabei aprendendo instrumentos de corda e o teatro me mostrou que eu poderia utilizar tudo isso na cena. Que o instrumento também é personagem, né? A música também tem uma força na cena, de costurar histórias”, afirmou.

O mar é um espaço para histórias grandes e pequenas, o que acaba conversando com uma diversidade de públicos. Crianças, jovens, adultos e idosos se misturam na plateia em cada apresentação. “A gente percebe que o alcance para as idades é para crianças, para adultos, para os mais velhos. A gente fala que Mariar é para gente graúda e gente miúda. A gente fala também que quem vive no mar sabe ser grande, sabe ser pequeno”, defendeu Emillie.

Ainda que o espetáculo se estruture ao redor de um manguezal, sua história não se limita a ele. O objetivo das artistas é fazer com que sua poesia, musicalidade e oralidade atinjam outras histórias ainda não contadas. “É compreender que essas histórias não se encerram no manguezal, elas transbordam na comunidade. São histórias que tem vários desdobramentos e aquela narrativa, que era uma narrativa muito particular e pessoal, se expande para uma narrativa coletiva”, finalizou Natalyne.

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