
Na Bahia, quando ouvimos a expressão “o cacau vai cair”, é mais do que uma previsão de fortes chuvas, é um grito de alerta para os perigos que acompanham as tempestades intensas em diversos lugares, como deslizamentos, enchentes, bueiros entupidos e famílias desabrigadas. Enquanto os céus despejam água, as consequências escorrem das negligências históricas: saneamento precário, falta de pavimentação e a ausência de políticas públicas efetivas.
Essa realidade inspira o espetáculo Furacão, adaptado da obra de Laurent Gaudé e dirigido por Ana Teixeira e Stephane Brodt com o Amok Teatro. A obra entra em cartaz em Salvador no Teatro Sesc-Senac Pelourinho, nesta semana, de 27 a 29 de março, com sessões de quinta a sábado, às 19h, e na sexta-feira tem sessão extra às 15h. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 meia).
“Furacão é um espetáculo que faz parte de uma trilogia chamada Trilogia da África, que é um projeto bem amplo que iniciou em 2014 na trajetória artística do Amok Teatro, que envolve outras ações além da criação dos espetáculos ações voltadas para a pedagogia intercâmbios e formação de atores sobretudo”, comentou a Ana Teixeira em entrevista ao MASSA!.

O espetáculo tem como objetivo mostrar o descaso do poder público com a população carente de Nova Orleans. Furacão conta a história de Joséphine Linc Steelson, uma anciã negra prestes a alcançar um século de vida, residente em Nova Orleans. Sozinha, ela enfrenta a força avassaladora do Katrina, o furacão que, há 20 anos, deixou o sul dos Estados Unidos em ruínas (2005).
"Nós vimos nessa personagem a Joséphine Linc Steelson como uma espécie de Griot norte-americana e, como toda tradição narrativa, ela é indissociável da música. Então a gente leva essa re

lação entre o teatro e a música mais longe, fazendo do espetáculo uma linguagem híbrida, realmente fica entre o teatro e um show de música onde o estão o tempo todo em diálogo”, explicou Ana Texeira.
Amok além dos palcos: quilombos e oficinas
O projeto também inclui oficinas em Salvador. Ana Teixeira será a responsável pelos treinamentos-improvisação nos dias 28 e 29 de março na escola de teatro da UFBA. Já nos quilombos, o músico e arte-educador Fábio Mukanya conduzirá Olelê - Brincando Bantu, oficina que resgata brincadeiras e saberes tradicionais africanos.
Encerrando a temporada no Pelourinho, Furacão, será apresentado gratuitamente nos quilombos Alto do tororó no dia (25) de março e no dia (30) Dandá em Simões filho, reforçando o seu compromisso com a valorização da ancestralidade e a democratização do acesso à cultura.
Serviço:
O quê: espetáculo FURACÃO, uma obra da Trilogia da África, do Amok Teatro;
Quando: 27, 28 e 29 de março de 2025 - quinta e sábado, às 20h, e sexta, sessões às 15h e 19h.
Onde: Teatro Sesc-Senac Pelourinho - Largo do Pelourinho, 19 - Pelourinho
Ingressos: R$20 e R$10 (na bilheteria ou antecipados pela plataforma Sympla);
Mais informações: @amokteatrorj;
Duração: 70 minutos | Classificação: 12 anos.
Oficinas
O quê: Oficina de "Treinamento-Improvisação", para atores e estudantes de teatro;
Quando: 28 e 29 de março, de 09h às 13h;
Onde: Teatro Sesc–Senac Pelourinho
Inscrições: @amokteatrorj
Serviço - Ação nos Quilombos
Quilombo Alto do Tororó
Apresentação de “FURACÃO” – 25/03, terça –19h | acesso gratuito
+ oficina "Olelê - Brincando Bantu", com Fabio Mukanya - 29/03, sábado - 14h
Quilombo do Dandá (Simões Filho)
Apresentação de “FURACÃO” - 30/03, domingo - 19h
+ oficina "Olelê - Brincando Bantu", com Fabio Mukanya - 30/03, domingo - 14h
*Sob a supervisão do editor Jefferson Domingos